Jundiaí

De home office, famílias buscam mais espaço e lazer

NOVO NORMAL Setor imobiliário teve que se adaptar aos reflexos da pandemia. Com home office e aulas remotas, famílias procuram novas casas


ARQUIVO PESSOAL
Douglas e a esposa Daiane vieram para o interior para filho ter lazer
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Após mais de um ano de pandemia, o "novo normal" chegou ao setor imobiliário. Com as famílias passando a maior parte do tempo em casa, pais fazendo home office e crianças estudando de forma remota, o setor imobiliário teve que se adaptar às necessidades dessas pessoas: casas maiores e espaços ao ar livre. De acordo com a Proempi (Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região) as pessoas estão buscando mais áreas verdes e, dessa vez, não por desejo de comprar, mas sim por necessidade.

O vice-presidente de Marketing e Inteligência de Mercado da Proempi, Eli Gonçalves, explica que os compradores têm buscado o que ficou escasso durante a pandemia. "Áreas descobertas, locais para brincar e treinar, sol e mais contato com a natureza. Estamos vivendo novos tempos, com pessoas e empresas ressignificando suas vidas e operações, comprando por necessidade e não por desejo ou ostentação", diz.

Para Gonçalves esse "novo normal" é um amplo movimento de mudança de valores e comportamento. "Tudo isso não foi provocado pela pandemia, mas foi potencializado por ela, resultando num novo mindset da sociedade e, com isso novos gostos, novas exigências e novas atitudes", completa.

ESPAÇO PARA A FAMÍLIA

Essa foi exatamente a experiência dos contadores Daiane e Douglas Garcia, 34 e 33 anos, respectivamente. Eles se mudaram da capital paulista para Jundiaí, em um apartamento alugado, porém muito maior do que onde viviam em São Paulo. O plano, no entanto, é ir para sua casa própria até o final do ano, que já está sendo construída em Itupeva. "Sempre sonhamos em mudar para o interior. Queríamos esse contato com a natureza. Quando nosso filho nasceu esse desejo se intensificou", conta Daiane.

Douglas já trabalhava em Jundiaí, mas viajava diariamente para a capital, onde Daiane trabalha e ambos moravam. Quando a pandemia se iniciou, eles decidiram colocar os planos em prática. "Vivíamos em um apartamento pequeno e sem área de lazer. Com todo mundo em casa, não tínhamos onde levar nosso filho para brincar", relata o casal.

PERFIL

Segundo Diogo Oliveira, diretor comercial da V2 Imóveis, assim como Douglas e Daiane muitos outros clientes têm procurado lotes para a construção de casas. "Nós somos uma imobiliária e construtora e esse têm sido nosso perfil principal de cliente. Aquele que está cansado da capital e precisa de mais espaço para o home office."

Oliveira explica que a maioria procura uma casa com três quartos e escritório já montado. "E a área de lazer, isso tem sido fundamental. Por isso os condomínios fechados estão em alta, já que oferecem espaço e segurança para as crianças poderem brincar", relata.

A imobiliária atua tanto em Jundiaí quanto em Itupeva. "Por ter mais procura, Jundiaí tem valores um pouco mais elevados, então Itupeva tem sido uma boa opção."

Com isso, o mercado tem se aquecido novamente. O diretor comercial estima um aumento de 30% nas vendas da metade do ano de 2020 para 2021, comparado com o mesmo período de 2019 para 2020. "Da metade do ano passado para cá já sentimos uma melhora, mas principalmente esse ano."

HOME OFFICE

Eli Gonçalves, da Proempi, explica que as imobiliárias estão tendo que se adaptar a esse perfil, para conseguir seguir o movimento do mercado. Na opinião dele, o home office é uma prática que veio para ficar e por isso as novas residências devem ser pensadas para famílias que trabalham em casa. "O mercado imobiliário precisa estar atento estas mudanças que vão impactar no tipo de imóvel que deverá ser oferecido", comenta.

Douglas e Daiane confirmam a teoria. Segundo eles, a intenção é continuar em home office mesmo quando a pandemia acalmar. "Estamos negociando com nossos escritórios para trabalhar de casa e irmos apenas uma vez na semana ou algo assim." Ela também assumiu a abertura de uma filial da empresa em Jundiaí, justamente para evitar o retorno constante à capital.

NÚMEROS

Dados do Secovi (Sindicato da Habitação) apontam que a participação dos imóveis de três dormitórios nas vendas passou de 35%, em 2019, para 54% este ano, e com uma velocidade de venda praticamente igual à de unidades de dois dormitórios econômicos.

Considerando-se todo o período do estudo em Jundiaí, de outubro de 2017 a setembro de 2020, os lançamentos totalizaram 3.365 imóveis residenciais, dos quais 2.366 unidades foram comercializadas - ou seja, 70,3% dos imóveis ofertados ao longo dos 36 meses analisados. O produto que mais se sobressaiu no período, em lançamentos e vendas, foi o de imóveis de três dormitórios, com metragem de até 65 m² de área útil e preço entre R$ 230 mil e R$ 500 mil.


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