Jundiaí

Capacitações estão em alta e mulheres são público majoritário

Cursos profissionalizantes foram procurados por muitos para recolocação em outra área ou aperfeiçoamento


       ALEXANDRE MARTINS
Conceição Aparecida Fernandes aprende técnicas de corte e costura
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com o alto índice de desemprego no Brasil, muitas pessoas passaram a buscar alternativas para conseguir renda. Os cursos profissionalizantes, desde o início da pandemia, foram procurados por muitas pessoas para recolocação em outra área ou aperfeiçoamento.

A procura é refletida em números. Segundo o Fundo Social de Solidariedade (Funss) de Jundiaí, que oferece capacitações gratuitas, em 2020, 594 vagas foram disponibilizadas on-line, já durante a pandemia, com o objetivo de combater os reflexos socioeconômicos e resgatar a dignidade das pessoas neste momento em que muitas perderam o emprego e precisaram se reinventar.

Ainda no ano passado, mesmo com a pandemia, outras 1.253 vagas para cursos gratuitos foram disponibilizadas na modalidade presencial, na sede do Funss, e 1.243 na modalidade presencial em cursos descentralizados, ofertados antes da pandemia.

Neste ano, o Fundo já ofereceu 154 vagas em nove cursos. Mas destes, apenas seis foram concluídos. As aulas das demais capacitações foram suspensas, por tempo indeterminado.

CASA DA FONTE

Um outro local de referência para a capacitação em Jundiaí é a Casa da Fonte, associação sem fins lucrativos localizada no Novo Horizonte. Lá há cursos de cabeleireiro, manicure e pedicure, suspensos agora por conta da pandemia, e artesanato e corte e costura, que também já não têm aulas presenciais, mas segue com algumas orientações on-line.

Uma das alunas do corte e costura é Conceição Aparecida Fernandes, que costurava já há algum tempo, mas não sabia todas as técnicas. "Eu costurava o básico, faço conserto, saias que as mulheres usam na capoeira e máscaras agora. Não tinha todo o conhecimento que os professores passam para a gente. Procurei o curso para me aperfeiçoar, lá eles ensinam a costurar sob medida, sem molde. Fiz o curso com o objetivo de alcançar mais clientes, fazer modelos de roupas. Parei agora na pandemia porque não teve jeito."

Ela conta que percebe a alta procura dos cursos neste momento econômico pelo qual o país passa. "Tem bastante gente desempregada, principalmente mulheres, que as empresas demitem antes. Pelo menos, as que eu conheço, foram demitidas primeiro. Vejo muitas amigas que perderam o emprego e foram atrás de curso para aprender o serviço e ter uma renda", declara.

Também aluna da Casa da Fonte, Maria Gonçalves Neto fazia curso de artesanato até a pandemia chegar. "Comecei com o artesanato porque eu era dependente de álcool. Fui no antigo Cead [Centro Especializado no Tratamento de Dependências em Álcool e Drogas] e comecei a cortar paninho de fuxico. Depois, vim para o Cras [Centro de Referência de Assistência Social] do Novo Horizonte e para a Casa da Fonte. Com o artesanato, consegui me livrar do álcool."

Ela diz que, embora já tenha participado de diversas capacitações, ainda não consegue rendimentos significativos do artesanato. "Todo curso que aparece eu faço. Já fiz de bijuteria com semente, de feltro, peso de porta, boneca. Eu faço para vender, mas o pessoal não compra muito artesanato. As pessoas não têm dinheiro para comprar comida, vão comprar colar, pulseira? É difícil. Eu recebo Loas [Benefício de Prestação Continuada], mas é só para pagar as contas mesmo, não sobra nada. Gostaria de ter dinheiro do artesanato", lamenta.

Ainda sobre a procura de capacitações, Marina também percebe forte presença feminina. "Tem muita gente desempregada procurando curso e a Casa da Fonte tem até lista de espera. No curso que eu fiz, de bijuteria, teve um monte de menina que fez para vender. Tem muita gente sem dinheiro e é mais mulher que procura esses cursos, porque tem filho, tem tudo. Onde eu vou sempre tem muita procura."

ESFORÇOS

Coordenadora da Casa da Fonte, Maria Cristina Castilho de Andrade diz que as alunas continuam treinando em casa, mesmo com a paralisação. "Houve aula até 12 de março e as alunas levaram trabalho para fazer em casa. Elas pediram para a professora colocar vídeos nas nossas redes sociais, para elas acompanharem. Já colocamos dois de artesanato e um de corte e costura."

Ela conta que, devido à procura de capacitações voltadas ao mercado de trabalho, a Casa da Fonte estuda parcerias com empresas. "Montamos um curso intensivo de dois meses de corte e costura industrial, mas não chegamos a começar por causa da pandemia. Já tínhamos curso de corte e costura industrial, mas íamos focar em lingerie por causa de uma parceria com uma empresa de confecção. A possibilidade da pessoa evoluir na função nos empolgou", lembra ela.

MULHERES

Também no Funss, as mulheres formam o público predominante nas salas de aula. Pensando nelas, o Fundo, tanto em 2020 quanto em 2021, em parceria com o Sebrae Jundiaí, realizou o programa Jundiaí Empreendedora, voltado ao empreendedorismo feminino.

Os cursos mais procurados no local são nas áreas de Gastronomia, Beleza e Estética, Artes e no segmento Administrativo.

 


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