Jundiaí

Terapia respiratória permite vida confortável

SAÚDE Exercícios de respiração garantem maior qualidade de vida no combate ao coronavírus


        ALEXANDRE MARTINS
Adriana considera que os exercícios respiratórios são grandes aliados
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Para aqueles que sobrevivem após contraírem o vírus da covid-19, restam alguns traumas e sequelas que precisam ser trabalhados. Os casos mais comuns são de enfraquecimento dos músculos e graves problemas respiratórios, consequências do comprometimento dos pulmões.

TERAPIA RESPIRATÓRIA

Yulla Cepêda tem 46 anos, é fisioterapeuta e atua há dez anos como instrutora de pilates em reabilitação de pacientes com diversas patologias, inclusive aqueles que estão se recuperando do coronavírus. "A maioria dos pacientes tem comprometimentos pulmonares que podem resultar em infecções respiratórias agudas. Alguns quadros são de pneumonia ou de Síndrome de Desconforto Respiratório Agudo, a SDRA", afirma.

No quadro pós-covid, a respiração do paciente fica prejudicada, por isso ele tem falta de ar e o pulmão não consegue realizar as trocas gasosas. "As sequelas principais são o cansaço ao praticar atividades físicas ou até no ato de comer, além da fraqueza muscular graças ao período em que o paciente fica acamado. Também existem os déficits neurológicos, como falta de concentração, coordenação, aumento de ansiedade ou estresse pós-traumático", diz a fisioterapeuta.

A reeducação respiratória é um passo muito importante. O indicado é procurar um fisioterapeuta que oriente o paciente nessa recuperação. "Cada paciente tem um nível diferente de comprometimento pulmonar, que exige exercícios próprios para ele. Dentro do pilates, trabalhamos o paciente de uma forma global. Cuidamos do pulmão e de toda a musculatura, com exercícios respiratórios que aumentam a capacidade pulmonar", diz Yulla.

O pilates é considerado uma prática completa, ainda mais nesse período de isolamento social. "É uma atividade segura. Na clínica por exemplo, trabalhamos com dois, no máximo três alunos por turma. Cada um faz exercícios de acordo com o próprio quadro, com atividades físicas e de lazer", afirma.

Para quem não contraiu o vírus mas quer se cuidar, é importante ter uma alimentação saudável e manter o sono em dia, além de realizar atividades físicas. "É interessante cuidar da saúde como um todo e, no caso do pilates, você equilibra o corpo e a mente. Para quem está no tratamento pós-covid, é recomendado procurar um fisioterapeuta que examine o quadro do paciente e faça os apontamentos, para que ele se sinta confortável durante o processo", diz.

SUPERAÇÃO

Adriana Maria Sin é professora, tem 50 anos e foi diagnosticada com covid-19 em janeiro deste ano. "Meu marido viajou a trabalho para Manaus no dia 4 e voltou no dia 9. Em menos de uma semana, nossas filhas começaram a apresentar sintomas. Eu e ele também começamos a passar muito mal, fizemos os testes e deram positivo", diz.

O casal, que estava entre os seis casos da variante de Manaus, foi internado na rede pública de Jundiaí. "Ele deu entrada no dia 19, e eu no dia 22. Nossas duas filhas, de 20 e 15 anos, precisaram se cuidar sozinhas. Infelizmente o Ricardo faleceu no dia 29 e eu tive alta na primeira semana de fevereiro", conta Adriana.

Durante o período em que ficou internada, os sintomas mais fortes da professora eram dores de cabeça e por todo o corpo. "Eu não percebi que a minha respiração estava sendo afetada, durante a minha internação. A gente fica deitado o tempo inteiro e não percebe a gravidade da situação, só sente depois", diz.

"Depois da alta, eu tive muita falta de ar. Mais de 60% do meu pulmão ficou comprometido. Quando eu respirava, meu pulmão parecia queimar. Respirava fundo e tudo ardia, foi aí que me dei conta de que estava bem ruim", explica.

Adriana fazia exercícios no hospital, e continua depois da alta. "Eu fazia os exercícios em casa enquanto aguardava ser chamada, e agora estou em um tratamento pós-covid, fazendo acompanhamento com o fisioterapeuta duas vezes por semana.

Existem atividades específicas no centro de reabilitação e em casa. "Lá eu faço alguns exercícios e uso a bicicleta da academia de vez em quando. Em casa, fico subindo e descendo as escadas, para melhorar a respiração e fortalecer os músculos", diz Adriana.

"Em alguns exercícios eu preciso puxar e soltar o ar, respirar bem fundo, às vezes abrindo os braços. Os exames mostram que o pulmão está fraco ainda, mas eu já me sinto melhor", afirma.

A professora sentiu grande melhora e hoje se sente mais confortável para fazer caminhadas ou andar até a esquina. "Hoje me perguntam se estou bem, e respondo que estou feliz. Nos primeiros dias eu andava um pouquinho e não aguentava nem voltar pra casa. Essa semana, caminhei por 40 minutos e me senti muito bem, é uma grande vitória", diz.

CANTORIA

Vinícius Atique, de 40 anos, é cantor lírico e estuda canto há 27 anos. "Eu comecei porque gostava de cantar no coral, e o fato de minha mãe ser musicista me influenciou bastante. Hoje sou muito feliz na área", afirma.

Poucas pessoas percebem, mas além de ser uma atividade agradável, cantar ajuda a desenvolver um maior controle da respiração. "Já faz tanto tempo, então não sei dizer se a minha saúde mudou. No entanto, eu percebo que a minha capacidade respiratória é diferente, quando comparada a de outras pessoas", diz.

Apesar de não perceber claramente as mudanças que o canto provocou em sua saúde respiratória, Atique já passou por experiências esclarecedoras sobre o assunto. "Em 2019, eu estava cantando uma ópera no Rio de Janeiro, e dias antes fiquei doente, com bronquite. Apesar disso, fiz a minha apresentação até o fim, e não tive problema nenhum", diz.

Na ópera, Atique usa tipos de técnicas respiratórias diferentes. "Nós não controlamos a respiração em si, e sim por onde o ar entra. Existe a respiração diafragmática, a respiração alta, em que o ar é puxado para o peito, e a respiração intercostal, que expande as costelas", explica Atique.

O canto pode ser considerado uma terapia respiratória para qualquer pessoa, mas exige atenção. "A dica é procurar um professor de canto, para dar os primeiros passos. Depois de um tempo, a pessoa perceberá como a respiração fica mais fácil de controlar", afirma.

 


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