Jundiaí

Manter a rotina acalma e proporciona qualidade de vida ao autista

DIA MUNDIAL DA CONSCIENTAÇÃO A data, comemorada pelo mundo dia 2 de abril, tem como tema em 2021 o respeito a todos os espectros da doença


                   ALEXANDRE MARTINS
Neusa Centamori revela que para o filho Mário, a rotina é importante
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Comemorada em todo o país no dia 2 abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é uma data para reforçar o respeito ao adulto ou criança com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). De acordo com a Associação de Amigos do Autista (AMA), uma em cada 160 crianças possui um TEA. Em Jundiaí, de acordo com a Unidade de Gestão de Educação, há 254 estudantes matriculados na rede municipal de ensino diagnosticados com TEA.

Para pessoas diagnosticadas com autismo, a família é muito importante. Manter a rotina dentro e fora de casa são formas de proporcionar melhor qualidade de vida a eles. A professora Neusa Maria de Oliveira Centamori, de 52 anos, descobriu a síndrome no filho, Mário Centamori Neto, hoje com 19 anos, quando o menino tinha apenas três anos.

"O diagnóstico veio quando ele parou de falar e começou a ter convulsões e repetir muito as coisas. Foi muito difícil para nós, principalmente no começo, pois ele fica muito agressivo quando é contrariado e se irrita com quebras de rotina", relata.

Neusa conta que mesmo sendo calmo e dócil na maioria das vezes, o filho tem muitas crises. "Eu e meu marido precisamos manter a calma quando isso acontece. Ele é grande. Tem 1,90 e quando fica nervoso tem vontade de quebrar muitas coisas. Quando isso acontece, geralmente deixamos ele ficar quieto, com os próprios pensamentos, só seguramos os braços caso ele se irrite muito, mas ele passa por isso toda semana", revela.

A professora ressalta que é preciso ter paciência e calma para criar uma criança autista. "Uma dica que sempre dou as mães é fazer uma rotina e segui-la à risca. Isso os acalma. No começo é difícil, pois todos temos que nos adaptar. No caso do meu filho, demos um cachorro de presente, que ajudou muito a acalmá-lo", conta.

A esteticista Mônica da Penha Kutz Roveri tem um menino de 11 anos. Ele foi diagnosticado com autismo aos dois anos. "Ele nasceu com uma má formação cardíaca e teve que passar passar por uma cirurgia. No procedimento, ouve uma falta de oxigenação que o deixou com várias sequelas. Uma delas, o autismo", conta

Mônica relata que o filho tem dificuldade de interação, mas gosta de contato. "Ele é muito carinhoso e não é agressivo. Não tem crises durante os dias. O ponto é que ele não fala, então quando quer alguma coisa arruma jeitos de chamar a atenção que às vezes são mordidas ou tapas, mas é a maneira que ele tem de se expressar e mostrar o que quer", afirma.

A adaptação é difícil no começo, mas manter a rotina é fundamental. "Ter tudo regrado e seguir certinho todos os dias é o melhor jeito de lidar com quem tem autismo", revela.

DIAGNÓSTICO

O autismo é considerado um transtorno de neurodesenvolvimento, caracterizado por um déficit persistente na comunicação e interação sociais, além de padrões restritivos e repetitivos de comportamentos. A neurologista Juliana Paula Gomes de Almeida explica algumas características que podem identificar o autismo nos pacientes. "Geralmente observamos dificuldade em iniciar e manter uma conversa, compartilhar interesses e emoções, manter o contato visual, usar linguagem corporal, compartilhar brincadeiras imaginativas ou até mesmo fazer amigos. Movimentos ou fala estereotipadas, interesses fixos ou anormais, alterações sensoriais como hipersensibilidade a barulhos também podem ser aparecer", afirma.

O diagnóstico é clínico, feito através de uma avaliação médica. "Os sintomas geralmente são identificados no período de desenvolvimento neuropsicomotor da criança e causam prejuízos significativos no desenvolvimento social, escolar e profissional. O tratamento vai depender dos sintomas e da gravidade deles, por isso é importante ter uma equipe multidisciplinar acompanhando os pacientes", ressalta.

ATENDIMENTO

Em Jundiaí, aqueles que possuem alguma deficiência intelectual associada são atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

São dezenas de atendimentos nas áreas da saúde, com fisioterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional, além de atividades na área de educação, incluindo psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional ou fisioterapia.

"Todas as atividades realizadas com eles são feitas de acordo com o método Teacch, que são estímulos visuais para ajudá-los a identificar a rotina diariamente e individual de cada um", explica o diretor da Apae, Edison Marin.

 


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