Jundiaí

Transporte de app é opção para quem evita os ônibus

O transporte público se tornou um dos espaços líderes de contaminação da covid-19


        ALEXANDRE MARTINS
Mariana Cera de Souza parou de usar os ônibus com a piora da pandemia
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com a pandemia da covid-19, o transporte público se tornou um dos espaços líderes de contaminação e, por conta disto, muitas pessoas optaram pelo uso do transporte de aplicativo neste período.

Para a estudante Mariana Cera de Souza, que agora faz estágio em home office, o transporte de aplicativo é mais seguro neste período. "Sempre uso o transporte público para tudo. Só que no ano passado, quando entramos na Fase Vermelha, eu passei a usar o transporte de aplicativo. Mesmo depois do home office, eu pagava o aplicativo para ir e voltar do trabalho todos os dias. Gastei bastante, porque de sexta-feira, por exemplo, costuma ficar mais caro", diz a estudante.

Atualmente ela sai em situações esporádicas, mas sempre utiliza o transporte de aplicativo. O medo do contágio é evidente. "Parei de pegar ônibus porque estavam sempre lotados e algumas linhas também foram cortadas, então senti muito atraso. Tem pessoas que andam no ônibus sem máscara. Já vi uma senhora que estava sem máscara e, quando o cobrador pediu para ela usar, ela ignorou", relata.

Segundo o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo de Jundiaí e Região (Amajur), Djan Schettino, o movimento diminuiu por conta do fechamento de alguns estabelecimentos comerciais. "Tem gente que opta pelo aplicativo pela agilidade e pela segurança. Há muitos profissionais da saúde usando para ir trabalhar, mas a quantidade de corridas caiu e os rendimentos dos motoristas também. Com o comércio, os shoppings, fechados, as pessoas saem menos", explica.

MUDANÇA

Para o engenheiro civil e ex-secretário de transporte da gestão de Luiza Erundina na prefeitura de São Paulo, Lúcio Gregori, a utilização mais intensa do transporte de aplicativo é uma tendência mundial. "A quantidade de carros nas ruas é absurda, em razão disso e do custo e da futura escassez do petróleo, há uma migração para o transporte de aplicativo."

Na pandemia, este movimento está mais intenso, como explica Gregori. "Este movimento só se aplica a uma parte da população que tem um nível de renda que consegue pagar pelo transporte de aplicativo. Por incompetência das administrações públicas, que não conseguem ofertar ônibus com segurança neste momento sem aumentar a tarifa, há o risco do contágio no transporte público. Quem não pode pagar o aplicativo, usa o transporte público."

TRANSPORTE PÚBLICO

Segundo a Unidade de Gestão de Mobilidade e Transporte (UGMT) de Jundiaí, a média diária de passageiros no transporte público, entre os dias 15 e 19 de março, foi de 50.939 por dia. Na semana anterior, a média foi de 64.840. Já entre os dias 22 e 26 de março, foram registrados 48.631 passageiros por dia.

Com o objetivo de desestimular as viagens não essenciais, houve redução da frota aos finais de semana. Entre o sábado, 13, e o último sábado, 27, houve redução de cerca de 55% na quantidade de passageiros do transporte público municipal.

Em relação às ações para o enfrentamento à pandemia, a UGMT informa que realiza diariamente a higienização dos veículos, continua a demarcação de espaços para evitar aglomerações em terminais e o incremento da oferta de dispensers de álcool em gel para a população.

(Nathália Sousa)

 


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