Jundiaí

Alguns remédios de intubação só têm estoque para um mês

Com mais casos de covid-19, risco da falta de medicamentos assusta Jundiaí


ARQUIVO PESSOAL
Frederico Michelino diz que ainda não há falta de medicamentos
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Em Jundiaí, a ocupação dos leitos públicos de UTI destinados ao tratamento da covid-19 esteve acima de 90% durante a última semana. Com a alta demanda, o risco da falta de medicamentos utilizados na intubação de pacientes assusta o município, pois já há muitas cidades por todo o Brasil sem estes insumos.

A Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) trabalha para comprar medicamentos, mas bloqueadores musculares e sedativos têm estoques suficientes para mais 20 e 30 dias, respectivamente.

Os anestésicos, antibióticos e outros insumos, como oxigênio, necessários para intubação, estão abastecidos no município.

De acordo com o diretor-clínico do Hospital São Vicente (HSV), Frederico Michelino de Oliveira, diz que no local ainda não houve problemas pelo desabastecimento destes medicamentos e que há controle dos estoques para que não haja falta. "Há uma busca diária por medicação, mas o estoque diminuiu e costumamos trabalhar com estoque grande dessas medicações", relata.

INTERNAÇÕES

De acordo dados do boletim epidemiológico, a UTI pública está com 95% de leitos ocupados e a particular 91%. Além disso, foram registrados 162 novos casos de pessoas contaminadas com covid-19.

Em recente anúncio, a Prefeitura de Jundiaí confirmou a utilização de outros equipamentos de saúde do município para o atendimento de pessoas com covid-19, que até então era realizado exclusivamente no HSV.

As UPAs Vetor Oeste e Central também podem receber pacientes com a doença.

Em visita a Jundiaí na tarde desta quarta-feira (31), o secretário da saúde do governo do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que, caso seja necessário, os hospitais estaduais da cidade têm como fornecer leitos aos moradores. "Fazemos ampliação de número de leitos à medida das demandas. É importante ressaltar que, caso haja a necessidade de ampliar ainda mais esses leitos, as estruturas hospitalares estaduais como o Hospital Regional e o AME serão utilizadas, pois possuem tanto o suporte de oxigênio quanto recursos humanos como equipe médica, enfermagem e fisioterapeutas", revela.

PERFIL

O diretor do São Vicente, Frederico Michelino de Oliveira, tem percebido mudanças no perfil de internados. "O paciente mais grave passou de 14 dias de internação para 18 dias, mas a percepção prática no dia a dia é difícil, são muitos muitos pacientes e tem muita rotatividade de setor, pacientes que saem da enfermaria e vão para a UTI, depois melhoram e voltam para a enfermaria."

Para o médico, também há diferenças nas faixas etárias, mas elas se devem à quantidade de pessoas infectadas neste momento. "Tem uma mudança de tendência. A gente demora para perceber, mas tem aumento de internação e de óbito, inclusive na faixa etária entre os 40 a 49 anos. O idoso continua sendo mais internando e sendo o paciente mais crítico também. Aumentou muito a quantidade de internações, então interna mais pessoas jovens também, mas proporcionalmente, os idosos ainda são maioria. Com a vacinação, a tendência do idoso ser internado diminui."

Michelino fala que estes leitos são em sua maioria para pacientes mais leves. "São leitos de baixa complexidade e acredito que haja poucos leitos para pacientes mais graves. Este tipo de leito, tendo os equipamentos, a aparelhagem, pode ser montado em quase qualquer lugar", explica.

Ainda assim, este aparato não funcionará como o Hospital de Campanha, utilizado no ano passado, que só recebia pacientes em pré-alta. "O critério de atendimento nas UPAs é de busca. O paciente chega na UPA do Novo Horizonte, por exemplo, e precisa de internação, é feita a internação lá. Se houver a necessidade de uma internação intensiva, se ele precisa ser intubado, este paciente é encaminhado para o São Vicente. O critério é a procura da Região, não há uma divisão dos pacientes que vão para o São Vicente ou para as UPAs."

(Nathália Sousa e Mariana Checoni)

 


Notícias relevantes: