Jundiaí

COLUNA DO MARTINELLI: Páscoa e pandemia, ressaltar a existência e buscar pela partilha


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Crédito: Reprodução/Internet

Como boa parte das comemorações religiosas, a Páscoa tem sua origem relacionada aos fenômenos da natureza. Há milhares de anos, os pastores do Hemisfério Norte proclamavam a chegada da primavera com festa, revelando-se por isso, num evento universal, onde os homens, independente do credo e origem, festejam o renascimento da vida.

Para os católicos ela passou a significar libertação através da Ressurreição de Jesus, que venceu a morte, completando a redenção da humanidade. Este fato é de capital importância à compreensão do Cristianismo, de tal modo, que sem ele, não seria possível imaginar sua existência e continuidade. Nesta trilha, com raro brilhantismo, em recente comemoração da Semana Santa, Dom Cláudio Hummes, cardeal-arcebispo metropolitano de São Paulo, apregoou que é preciso “derrotar a cultura da morte e instalar a cultura da vida”.

Assim, esse momento nos lembra da importância de se festejar a existência. Devemos refletir sobre o mundo em que vivemos, marcado pelas desigualdades, egoísmos e injustiças e passarmos a lutar contra as malesas reinantes, através de ações desprendidas, que possam consolidar a dignidade humana e consequentemente, a ordem social. Enraizada em princípios éticos que reafirmem a primazia da pessoa sobre a economia, alcançaremos uma convivência solidária e com partilha, notadamente em face da pandemia.

Por outro lado, há muitas tradições e símbolos envolvendo o período pascal, como ovos de chocolates e coelhos. Apesar da importância histórica que representam, praticamente foram absorvidos por apelos comerciais, distanciando-se de seus verdadeiros significados. O maior sentido da festa pascal reside na força da ressurreição de Jesus, colocando o ser humano no caminho de realizações sólidas e na linha da fraternidade.

Nessa trilha e a título de reflexão, transcrevemos parte de artigo publicado pela historiadora Mary Del Priore :- “O mito do eterno retorno embutido nos ritos da Páscoa, no símbolo do ovo, significa, não o paraíso perdido, mas o que podemos construir. Para vivermos o desafio de nos encontrar com a vida, é preciso nos inserirmos numa dinâmica que nos transforme em seres melhores do que somos. Despojando-nos de toda a resignação diante do horror. Abandonando todo o comodismo perante o desespero. Para isso, além de “ter boa mão”, como recomenda a tradição popular, melhor seria “dar a mão” (“ O Estado de São Paulo”- Suplemento Feminino – pág. 02 – 22/23.04.2000).

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas ([email protected])


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