Jundiaí

Pratos típicos são tradições em famílias nipônicas de Jundiaí

CULINÁRIA Com uma alimentação saudável, a comunidade nipônica apresenta as diversas tradições gastronômicas caseiras para consumo familiar


JORNAL DE JUNDIAI
Umeko Nishi e seu marido produzem tofu de forma caseira e tradicional
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

A comunidade nipônica de Jundiaí segue firme com suas tradições, principalmente na culinária. Pratos típicos são feitos diariamente para o consumo e para resgatar as origens.

A aposentada Beatriz Takako Hatada Nakayama, de 82 anos, prepara o "gohan" (arroz japonês) todo dia para sua família. "É uma comida que não pode faltar aqui em casa, além de ser mais saudável, pois não tem nenhum tempero, nem óleo ou sal, é bem simples de fazer, a proporção é uma xícara de arroz japonês para um copo e meio de água", conta.

Beatriz também prepara outros pratos típicos como o karê, o udon, o sashimi e o tempurá. "O que eu mais gosto de fazer é o yakissoba, mas só para momentos especiais. Ele é feito com verduras fritas (cenoura, vagem, cebola, brócolis e couve-flor), com macarrão frito e com um caldo de carne com base de shoyu", comenta.

Natural de São Paulo e sendo parte da terceira geração (sansei) da família, Beatriz aprendeu a cozinhar os alimentos da culinária japonesa aos 29 anos, após se casar. "Aprendi muita coisa quando comecei a fazer parte da Nipo de Jundiaí. Fui pegando o jeito e preparando as coisas até hoje, tanto para alimentar como para manter a tradição", afirma.

Umeko Nishi, de 77 anos e seu marido Kazuko Nishi, de 84 anos, também seguem firmes nas tradições gastronômicas. "Aqui em casa tem missoshiro (sopa), gohan e nishime (mistura de verduras) todo dia. E como meu marido é japonês, nossa comida é bem tradicional", conta Umeko.

Uma das principais iguarias que o casal produz, de maneira tradicional, é o tofu, alimento de soja que pode ser consumido com shoyu, sendo sugerido como entrada. "No dia de fazer o tofu não deixamos ninguém entrar em casa, pois é um alimento super enjoado e delicado. Se ele (tofu) perceber sujeira ou pessoas estranhas no ambiente, ele desmancha e fica esfarelado. E se a gente não estiver espiritualmente em paz, o tofu também não ganha corpo", afirma Umeko.

TRADIÇÃO

Segundo Umeko, a produção caseira e antiga do tofu é complexa e exigente. Ela começa o processo na madrugada, pois é quando o ambiente está mais fresco e realiza orações para ajudar a se concentrar. "Nós compramos a soja bruta, selecionamos, lavamos e deixamos de molho por 18h, mas às vezes chega a 24h durante o inverno. Depois batemos no liquidificador e colocamos para ferver na panela. Em seguida coamos para tirar o leite de soja coalhado e o okara (resíduo que fica do processo de extrato de soja). Eu gosto de usar o vinagre de limão para a fervura da soja e para auxiliar no cozimento. Por fim, coloco a soja em uma caixa de plástico (igual aos potes de sorvete), deixo escorrer a água, depois de um tempo recolho a massa, que já é o tofu, passo na água gelada e estará pronto para o consumo", conta.

O casal também prepara outras especiarias para serem consumidas por sua família. "Fazemos missô, akamissô, nattô, fukujin, tsukudani kombu e de nori. Aprendemos quando fomos trabalhar em uma fábrica de alimentos em Osaka, Japão e hoje envolvemos a alma e todo o amor naquilo que fazemos", comenta Umeko.


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