Jundiaí

Diário de isolamento: a rotina de famílias que permanecem em casa


      ALEXANDRE MARTINS
Maria Cristina Machado conseguiu montar uma rotina com a família
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A pandemia trouxe mudança de hábitos, costumes e rotina a muitas famílias pelo Brasil e ao redor do mundo. Hoje, pouco mais de um ano após o início da quarentena, muitas famílias permanecem isoladas em casa, fazendo home office e assistindo às aulas remotamente.

A família da contadora Maria Cristina Machado, 48 anos, é exemplo isso. Ela, o marido engenheiro mecânico Paulo Trigo, 53 anos, e os filhos Giulia Andrich 25 anos e engenheira agrônoma e Rafael Trigo, 11 anos, estão em casa desde o dia 16 de março do ano passado. "Atualmente estamos com uma rotina bem adaptada e organizada. Nosso dia a dia é muito parecido, por mais que o trabalho de cada um seja diferente, seguimos quase os mesmo horários. Antes da pandemia, eu já trabalhava de forma híbrida, em casa e no escritório. Meu filho ficava na escola pela manhã, minha filha morava em outra cidade e meu marido dividia o tempo entre viagens, home office e o escritório em São Paulo", conta Maria Cristina.

Quando a pandemia se instaurou, todos ficaram juntos, dividindo espaços e descobrindo qual a melhor maneira de estudar e trabalhar." Tivemos que aprender a nos adaptar, principalmente com as reuniões acontecendo ao mesmo tempo e no mesmo espaço. Passamos a utilizar todos os ambientes da casa. A sala, o quarto, varanda e, às vezes, até na cozinha enquanto preparava o almoço", revela.

ROTINA

No início da quarentena a família teve que descobrir como seria a melhor forma de distribuir a casa para que um não interferisse no outro. "Definimos juntos que o horário do almoço seria sagrado e que ninguém poderia trabalhar e estudar na mesa das refeições. O almoço é um momento o qual conversamos, assistimos ao jornal, falamos sobre assuntos da casa e diversos outros temas. Após a refeição, cada um segue sua rotina de trabalho, de exercícios e atividades extras, tudo de forma on-line. Eu por exemplo, dou aula para o Senac ou tenho alguns treinamentos extras do meu trabalho. Respeitar alguns horários foi fundamental para dar certo. Tomamos café até as 8h, almoçamos 12h30 e jantamos até as 20h. Sempre fomos disciplinados quanto aos horários, porém, nunca passamos tanto tempos juntos, o que mudou com a pandemia. Dessa forma conseguimos organizar o dia de todos", relata a contadora.

Hoje, após um ano de pandemia, a família já se acostumou com a nova rotina. "Estamos bem adaptados e vamos reconhecendo a cada momento as necessidades de mudança da rotina e nos entendendo como núcleo familiar", afirma.

A família assume que sente muita saudade da vida antes da pandemia, principalmente de estar com outros familiares, mas são gratos pelo tempo juntos. "Sentimos muita saudade, principalmente dos outros familiares que moram em diferentes cidades, mas estamos gratos por esse tempo em família, pois fizemos coisas que no tempo normal não conseguiríamos com tanta facilidade, como assistir a filmes e séries juntos. Além disso, conseguimos aprender, através da convivência intensa, a nos conhecermos melhor e respeitar as diferentes opiniões", revela a mãe.

A assistente contábil Nataly Glozan, 36 anos, está isolada em casa com a filha Susan Glozan, 4 anos, desde o início da quarentena. O marido Anderson Campos, 36 anos e técnico de redes, entrou recentemente e ainda está se adaptando à rotina. "Eu levanto em torno das 7h e já ligo o computador para iniciar meu trabalho. Minha filha levanta às 8h e tomamos café juntas. Logo após, ela faz aulas e atividades on-line. No meio da manhã preparo o almoço e comemos, depois deixo ela assistindo desenho e brincando enquanto termino meu serviço do dia. Tenho que conciliar o trabalho com as atividades dela. Como meu marido entrou recentemente em home office, ainda está se adaptando", relata.

Nataly conta que a maior dificuldade que a família encontra é encaixar os horários do trabalho com o das atividades da escola. "Como ela ainda é pequena, preciso supervisionar as atividades e ao mesmo tempo dar conta do meu trabalho. Tudo isso em conjunto com as atividades de casa. Tento sempre manter o máximo de normalidade possível, pois minha filha tem apenas quatro anos e percebe que a rotina mudou de maneira brusca. Quando começamos a nos adequar vem uma nova onda e bagunça tudo de novo. É difícil tendo uma criança pequena", conta.

A assistente contábil revela que a pior parte de tudo é a incerteza de quanto tudo vai passar. "Não sabemos se algum dia tudo vai voltar como era antes. Conviver com o medo da doença é horrível. O medo de perder quem amamos é pior ainda. Tento dar o melhor exemplo a minha filha, de responsabilidade e dedicação, pois caso isso se torne permanente, quero que ela se saia bem nessa nova realidade", revela.

(Mariana Checoni)


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