Jundiaí

Quarentena também é oportunidade para jovens

JOVENS O isolamento social pode se tornar um bom momento para se dedicar a novas atividades


         ALEXANDRE MARTINS
Amanda Rueda afirma que as aulas de dança são seu refúgio
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A maioria dos jovens tem uma vida bastante ativa, dividida entre estudos, trabalho, família e amigos. Conciliar todos esses interesses é uma maneira de se manter entretido e distraído, mas a pandemia desestabilizou essa rotina e abriu grandes janelas de tempo a serem preenchidas.

Amanda Lopes Rueda, de 18 anos, trabalha como recepcionista e entrou na faculdade este ano, para cursar dança. "Eu tenho respeitado a quarentena e não estou saindo nesse período, e isso me prejudica mais ainda na hora de lidar com os estudos e o meu desenvolvimento pessoal. Mesmo assim, acredito que é um momento em que podemos aprender mais sobre nós mesmos", afirma.

Quem tem a opção de ficar em casa, apesar de estar distante dos amigos, pode buscar novas oportunidades. "Passar por esse momento talvez nos ajude futuramente a dar mais valor para os pequenos gestos, como abraços e beijos. Além disso, é possível resgatar antigos hábitos ou criar novos, para manter a saúde mental em dia. No meu caso, eu escolhi a dança como meu ponto indispensável de equilíbrio", diz Amanda.

A jovem gostava de dançar quando criança. "Danço desde os 3 anos, mas parei de fazer aulas quando completei 8 anos. Depois, retomei aos 11, mas parei de novo. Apesar disso, nunca abandonei esse sentimento. Sempre senti muita falta e resolvi me inscrever nas aulas de jazz, antes de surgir essa segunda onda de covid", explica.

Viver em quarentena pode ser uma chance de se encontrar e entender melhor os sonhos e vontades. "Eu não escolhi a dança, a dança me escolheu. Sempre que não estou bem emocionalmente, ela se torna meu refúgio, uma válvula de escape. Além disso, também é uma ótima atividade para manter o corpo em movimento", diz a jovem.

As aulas presenciais foram suspensas, mas isso não faz com que a atividade perca o seu valor. "No início as aulas eram em grupo, sempre cumprindo o distanciamento e o uso de máscaras. Nessa nova fase é tudo on-line, cada uma em sua casa tendo aulas pela internet", afirma.

É interessante enxergar essa fase restritiva como um momento para se organizar e descobrir ou relembrar antigos talentos. "Foi na quarentena que eu finalmente decidi qual faculdade faria. Sempre foi uma constante indecisão, mas as aulas de dança me fizeram lembrar qual caminho devo seguir", explica.

"Um conselho que eu daria para os jovens nesse momento tão difícil é para que eles se joguem de cabeça no que é novo, aproveitando a própria companhia. Para quem gosta de dançar, nunca é tarde para praticar. Não se pode deixar desanimar pela fase ruim", diz.

HERANÇA

Giovanna Maria Pilon de Souza tem 18 anos e é auxiliar de farmácia. A jovem só sai de casa quando é extremamente necessário. "Saio apenas para trabalhar. Quando não estávamos na Fase Emergencial, eu também ia na igreja duas vezes por semana. Tirando isso, não tenho saído para ver os meus amigos, de quem sinto falta", diz.

"Tem sido um momento difícil, não só para mim, mas para todos. Claro que eu sinto falta de sair sem toda essa preocupação, mas também consigo enxergar um lado bom nisso tudo. É importante que as pessoas entendam que podem usar a imaginação para criarem e aprenderem o que quiserem, e isso é ótimo", explica.

Há duas semanas, a jovem decidiu fazer uso da máquina de costura de sua bisavó. "Essa máquina é a mesma que minha bisa usava e foi passada de geração em geração. Quando chegou na vez de minha mãe, ela ficou sem uso, por isso decidi aprender como usá-la. A ideia é poder confeccionar minhas próprias roupas de vez em quando, para me orgulhar por usar uma peça que eu mesma fiz", diz.

O trabalho manual se tornou uma atividade relaxante para a jovem. "Quando estou costurando, é um momento em que eu consigo me desligar do caos do mundo. É o meu espaço para me concentrar apenas na máquina de costura e no que estou tentando criar", afirma.

Movida pelo desejo de aprender a bordar e costurar, Giovanna fez e ainda faz muitas pesquisas para entender o funcionamento da máquina de costura. "A única que sabia manusear corretamente era minha bisavó, por isso tive que recorrer aos tutoriais do YouTube. Procurei desde os tópicos mais básicos, como passar a linha na máquina, até os outros funcionamentos dela. Faço as pesquisas com muito cuidado e sinto que estou pegando o jeito", diz.

Não são todos os jovens que se interessam por trabalhos manuais, como a costura. Apesar do pouco alcance da atividade, Giovanna se sente confortável no que faz e acha que é um bom passatempo. "Sei que no começo é sempre complicado de entender, ainda mais pra nós que não somos ensinados a costurar. No final, vale a pena o esforço para aprender algo novo. É muito importante ser persistente, tentar quantas vezes forem necessárias até conseguir. Na costura, é legal procurar inspirações para serem utilizadas como base em seus projetos, assim eles não ficam abandonados", afirma.

A estudante considera essencial que os jovens saibam aproveitar o tempo livre com tarefas interessantes e agradáveis. "É muito importante que ocupemos nossas mentes com coisas positivas, afinal, estávamos acostumados a encontrar os familiares e amigos para sair, conversar e celebrar. Agora, é necessário tirar um tempo para nós mesmos, olhar para dentro de si e se autoconhecer", diz.

"Apesar de ter bagunçado nossas vidas, a quarentena pode se transformar em um período para novas descobertas e desenvolvimento de muitas habilidades. É necessário tempo para aprimorar o que há de melhor em cada um. No meu caso, a minha curiosidade virou terapia e eu encontrei na costura um ponto de paz que me traz ânimo", afirma a jovem.


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