Jundiaí

Na pandemia, ambulantes formais aumentam 15%

JUNDIAÍ Período marcado pelo desemprego fez subir o número de trabalhadores informais no ramo


                       ALEXANDRE MARTINS
Gabriel da Silva Nascimento está vendendo balas há cerca de 15 dias
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O número de ambulantes formais em Jundiaí aumentou cerca de 15% desde o início da pandemia. Segundo a Divisão de Fiscalização do Comércio, da Unidade de Gestão de Governo e Finanças (UGGF) de Jundiaí, atualmente há 544 ambulantes cadastrados na prefeitura: em março de 2020 este número era de 474.

Em contrapartida, o número de ambulantes informais, sem cadastro na prefeitura, pode ser muito maior, já que não há como contabilizá-los com exatidão.

Uma das principais causas para este aumento na quantidade de trabalhadores informais é o desemprego. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de novembro de 2020 a janeiro de 2021, a quantidade de pessoas desocupadas chegou a 14,3 milhões. Das pessoas em idade de trabalhar, apenas 48,7% estavam ocupadas.

Nas estatísticas está o vendedor de balas Gabriel da Silva Nascimento, de 22 anos. O trabalho começou há 15 dias depois que o desemprego bateu em sua porta. "Eu trabalhava em produção, mas era temporário e fui mandado embora do serviço e precisava de dinheiro para pagar o aluguel, então comecei a vender bala."

Ele diz que precisa se dedicar o dia todo para ter renda. "Está dando certo e vou continuar, mas tem que trabalhar quase o dia todo e mesmo assim falta dinheiro. Nunca fui abordado, mas já vi várias pessoas na rua, no terminal tendo que entregar a mercadoria", lamenta.

O vendedor ambulante há 20 anos, Rafael Santos, de 31 anos, já trabalhou com bala, chocolate, aromatizante e hoje comercializa bala baiana em um cruzamento de Jundiaí. "Comecei a vender em Teresina, sou de lá. Vim para cá com a minha mãe e meu padastro e comecei a vender aqui porque ajudava a minha mãe a pagar o vale transporte para ela ir trabalhar e também para ter o meu dinheiro", diz ele.

Ele tem percebido aumento de vendedores na rua. "Tem muito mais vendedor agora. Vai ficando mais difícil porque o pessoal tem que recorrer a algo, achar alternativa. Passa os dias e vão aparecendo pessoas novas vendendo algo na rua, até pelo desemprego. Infelizmente R$ 150 não mantém uma família", fala ao se referir ao novo Auxílio Emergencial.

Rafael já passou por situações onde sua mercadoria foi confiscada. "A situação está difícil para venda, mas facilita o pessoal me conhecer. Se eu vendesse em outra cidade, talvez não conseguisse trabalhar porque é um produto caseiro e nem todo mundo confia. Eu vendo há muito tempo e muita gente me conhece porque prezo pela imagem e pelo atendimento", afirma.

SEM PONTO

Aos 28 anos, o artesão Jelson Silva, vende acessórios que ele mesmo confecciona. Há 12 anos esta tem sido sua renda, mas precisou sair do local onde estava por falta de autorização.

"Desde que eu vim para cá, a fiscalização não mexeu comigo, mas muita gente teve que sair. Eu estou aqui desde que a praça. A gente tinha autorização da prefeitura para vender lá, mas como fechou, vim para cá. Eu participava de feira de artesanato, mas não tem mais também. Caiu venda para todo mundo", lamenta.

O artesão acredita que a quantidade de vendedores ambulantes aumentou bastante na pandemia. "Tem bem mais gente na rua agora. Quando vinha fiscalização, só tinha a gente, não tinha esse pessoal que vende bala, máscara, essas coisas pela rua."

FISCALIZAÇÃO

A Divisão de Fiscalização do Comércio informa que as equipes trabalham inicialmente de forma educativa, orientando vendedores irregulares. Caso haja reincidência, então parte-se para uma notificação formal, também em caráter educativo. Por fim, persistindo as irregularidades, é formalizado o auto de infração e imposição de multa, podendo ocorrer também a apreensão das mercadorias. A UGGF reitera que sempre está aberta ao diálogo com comerciantes irregulares, para que busquem a regularização.


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