Jundiaí

Empresas de Jundiaí são essenciais na pandemia

RESPIRAÇÃO Com aumento de internações, empresas de Jundiaí fornecem oxigênio e cilindros ao Brasil


        ALEXANDRE MARTINS
Newton de Oliveira diz que a produção de oxigênio subiu mais de 100%
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Jundiaí é um importante polo industrial de diferentes segmentos. Nesta pandemia, com a alta demanda por produtos relacionados à prevenção e ao tratamento da covid-19, o oxigênio ganhou destaque nos últimos meses devido ao desabastecimento ocorrido inicialmente em Manaus e visto posteriormente em outras regiões do país.

Só no hospital São Vicente de Paulo (HSV), o principal de Jundiaí, o consumo de oxigênio subiu 441,5% no comparativo entre março de 2020 e deste ano, saltando de 650 metros cúbicos por dia para 3.520.

O gás, que é o segundo mais abundante da atmosfera, tornou-se rarefeito para quem precisa de sua versão pura. Neste cenário, a indústria jundiaiense ganhou destaque por deter grandes fabricantes de gases e uma das maiores fabricantes de cilindros da América.

Presidente da Indústria Brasileira de Gases (IBG), com matriz em Jundiaí e fornecedora do HSV, Newton de Oliveira diz que a fabricação do produto mais que dobrou dentro de um ano. "Comparando a produção de oxigênio em janeiro de 2020, antes da pandemia, e a produção de março de 2021, o aumento foi de 106%. Este número é geral da IBG, não só de Jundiaí", diz ele.

Newton diz que a empresa atende grande parte do território nacional. "Temos 29 anos de existência. Esse mercado de gases industriais e medicinais é composto basicamente por cinco empresas multinacionais, nós somos a única nacional no setor. Operamos em 10 estados, com 17 operações, unidades de produção e estações de enchimento. Só não operamos na Região Norte e no estado da Bahia. Não estamos presentes no mercado do Amazonas, mas, na falta que tiveram, chegamos a fornecer oxigênio para lá."

Segundo o presidente da empresa, com o aumento da demanda, uma alternativa foi posta em prática. "Por sermos uma empresa 100% nacional e querermos manter a independência, sempre tivemos uma ociosidade na produção e distribuição. Tínhamos fábrica em condições de operar que não funcionava, então reativamos esta fábrica. Antes, vendíamos entre 40% e 60% da produção, hoje o estoque está praticamente esgotado."

"As fábricas de gases sempre funcionam 24h, mas o enchimento de cilindros não. Com essa situação, precisamos colocar três turnos em algumas filiais e contratamos mais operários para encher cilindros e motoristas. Antes, tínhamos um por caminhão, agora são 2 ou três, então começamos a rodar mais horas." E, devido a esta demanda em diversos segmentos, Newton diz que caminhões também começaram a faltar no mercado e o preço dobrou.

Oliveira ainda afirma que a demanda começa a se estabilizar, mas ainda é imprevisível. "Em março, subiu abruptamente a demanda, não estávamos nem conseguindo atender. Tivemos um crescimento muito forte nas últimas semanas de março e agora sentimos que deu uma desacelerada, há uma leve queda. Mas há variações na pandemia, não sabemos o que vai acontecer, é uma situação imprevisível", conta o empresário sobre a instabilidade do momento.

Um dos principais problemas para este ramo no momento é a falta de insumos, que atinge toda a cadeia produtiva de diversos setores econômicos. Como mencionado por Newton em relação a caminhões, outros materiais necessários para a produção e distribuição do oxigênio prejudicam o abastecimento. "Começou a faltar cilindro no Brasil. Agora estou precisando importar cilindros da Europa, mas fiz um pedido em novembro do ano passado e só agora estão entregando. Há uma demanda mundial muito grande."

EMBALAGEM

Também fabricando em Jundiaí, a MAT, que produz cilindros, entre eles os específicos para gases medicinais, é uma das responsáveis pelo abastecimento deste produto no mercado nacional. Há 80 anos no Brasil, o presidente da empresa, Luiz Fernando Assaf diz que a produção aumentou, também no período de um ano, e as projeções são positivas.

"Em 2020, foram mais de 240 mil cilindros para os segmentos automotivo, industrial e medicinal. Nossa projeção para 2021 é de um aumento da produção para aproximadamente 280 mil cilindros. Na comparação entre março de 2020 e março deste ano tivemos um crescimento de 32%. Em março de 2020, a MAT produziu 20.155 cilindros para os segmentos industrial, medicinal e veicular. Em março deste ano foram produzidos 26.588", explica Assaf.

"Atualmente, 60% da produção da MAT é voltada para cilindros medicinais. Temos assistido também a um aumento na demanda por cilindros de gás veicular, estimulado pela alta dos preços dos combustíveis líquidos. A demanda por cilindros de GNV no primeiro trimestre deste ano foi 85% superior à demanda do mesmo período em 2020", conta Luiz.

A empresa atende hoje um amplo mercado internacional. "Os nossos principais clientes são as grandes companhias fabricantes de gases, que têm as plantas de produção e realizam o enchimento e distribuição dos cilindros. Outros grandes clientes são os pequenos e médios distribuidores de gases, que levam o produto a locais não atendidos pelas grandes companhias. Além do Brasil, a MAT atua na Argentina, no México e nos EUA", como explica o presidente.

A fábrica de Jundiaí fornecerá ao governo do estado de São Paulo dois mil cilindros de oxigênio. O primeiro lote foi entregue no final de março. Com este aumento de demanda, o presidente da empresa fala ainda que a ampliação do quadro foi necessária. "A MAT aumentou seu quadro em 12% em dezembro do ano passado e hoje está operando em três turnos. A fábrica está funcionando 22 horas por dia."

Para atender ao aumento da necessidade de cilindros, que anda em paralelo à necessidade do oxigênio, Assaf conta que a MAT tem uma linha de produção adaptável ao mercado e tem se adaptado bem às incertezas e mudanças.

"Vale ressaltar ainda que a vida útil de um cilindro é de aproximadamente 60 anos. Se pensarmos na produção de cilindros nestas últimas décadas, podemos afirmar, assertivamente, que o mercado está amplamente abastecido. Contudo, o custo logístico para o transporte de cilindros entre municípios distantes e entre estados pode ser proibitivo. Os problemas logísticos são a principal causa da falta de cilindros verificada em algumas cidades do país", afirma Luiz.


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