Jundiaí

Sutiã não deve ser usado por padrão, mas sim por vontade

Mulheres lutam para conseguir igualdade e direitos perante a lei desde que perceberam que não eram inferiores aos homens


                                          JORNAL DE JUNDIAI
Pietra de Souza e Bruna Barbieri veem a ação como liberdade de escolha
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

Mulheres lutam para conseguir igualdade e direitos perante a lei desde que perceberam que não eram inferiores aos homens. Em 1968, com o objetivo de denunciar e acabar com a exploração comercial da aparência feminina, uma manifestação das ativistas do Women's Liberation Movement durante o concurso Miss America aconteceu e ficou conhecida como "Queima de sutiãs". O ato foi simbólico e lendário e representa muito na luta feminina.

Desde que começou a ser usado, o sutiã sempre foi visto como uma peça que sexualizava o corpo da mulher. Atualmente, muitas decidiram deixar de usar a peça de roupa por conforto ou até mesmo como libertação do corpo.

A professora Mariana Polini, 23 anos, é exemplo disso. Desde 2016 não usa mais o item. "Nunca gostei de usar e este foi um ano que gerou muitas mudanças em mim, por isso juntei tudo e decidi não usar mais. Hoje eu uso somente top de ginástica para aulas de dança ou caso saia com uma blusa transparente", revela.

A jovem afirma que no começo teve medo dos olhares e ouvia alguns comentários maldosos. "Ouvi muita gente falando 'seus seios vão ficar caídos aos 30', mas depois que li mais sobre o assunto e descobri que o sutiã não necessariamente interfere se o seio vai cair ou não e pode prejudicar a saúde da coluna, decidi parar de usar", afirma.

Mariana ressalta que, em seu caso, não usar sutiã é uma questão de conforto e saúde do que liberdade. "Se realmente fosse livre não usar sutiã essa pauta não seria levantada. Ainda há muito tabu por cima disso, mas acredito que seja uma questão de saúde e conforto para mulher, pois já vi muitas se cortarem ou ficarem machucadas devido a alça e aos ferros. Ninguém, se não se sentir confortável, deve se machucar para entrar um padrão proposto. Acredito que a peça de roupa não deve ser algo imposto, mas sim subjetivo, as que gostam e se sentem confortáveis usam, as que não gostam e não se sentem confortáveis, não deviam usar por padrão imposto", relata.

SEM JULGAMENTO

Mesmo que o corpo pertença unicamente a mulher, muitas delas ao tomarem uma decisão sobre ele acabam sendo abordadas por desconhecidos. A farmacêutica Bruna Barbieri de Oliveira, 28 anos, é exemplo disso. "Deixei de usar sutiã há aproximadamente cinco anos, quando comecei a me empoderar sobre os assuntos do meu próprio corpo e parei de ver o sutiã como algo obrigatório, pois acredito na liberdade das mulheres de poderem fazer o que desejam com seus corpos sem seres sexualizadas ou julgadas pelas suas decisões. No começo tive medo dos olhares e até já fui abordada por não estar usando. Hoje em dia me importo menos, porém em alguns casos ainda me sinto mal com olhares", afirma.

Para a jovem, a ação significa liberdade sobre o próprio corpo. "Devemos ser e agir da forma que desejamos sem opressões e imposição de padrões de beleza e julgamentos. Para mim essas ações tem grande potencial de mostrar para o mundo e principalmente incentivar outras mulheres de que podemos e devemos fazer o que gostamos com nossos corpos, saindo da prisão dos padrões de beleza", afirma.

A cuidadora infantil Pietra Lopes de Souza, 20 anos, tomou a decisão de parar de usar há três anos. Conta que é algo muito pessoal de cada mulher. "Desde criança eu tinha vontade de usar sutiã para parecer com os adultos, comecei a usar com 12 anos quando meus seios começaram a crescer e eu sofria bullying na escola por conta de aparecem meus mamilos, segui usando, por opressão estética de amigas e do que via na mídia. Eu sempre usava o mais apertado para parecer que eu tinha mais seio, porém no final do dia quando chegava em casa eu retirava o sutiã e era a melhor sensação, ficavam as marcas e a dor.

Com o tempo, a jovem foi parando de usar e sempre recebia críticas da família. "Minha mãe sempre criticava falando que estava aparecendo. Quando fui morar sozinha, aos 17, parei completamente, pois não sentia a necessidade mais. Não tive medo dos olhares quando entendi que aquele era o meu corpo e que ele não deveria ser sexualizado ou forçado a se encaixar. Me sinto confortável, pois aquela sensação aliviante de tirar o sutiã no fim do dia sinto todos os momentos. O sentimento é de liberdade", revela.

A psicóloga e sexóloga Andrea Souza, 34 anos, que também decidiu deixar de usar o item há cinco anos, relata que, para a maioria das mulheres, a escolha de não usar representa liberdade. "A mulher deve optar se quer ou não usar, não fazer isso por uma imposição da sociedade. Eu, por exemplo, deveria ter parado bem antes. Sempre achei o sutiã desconfortável, principalmente os que possuem aro ou bojo, mas eu usava no automático, sem pensar no motivo pelo qual eu usava. Não parei de forma premeditada, simplesmente não vi mais sentido em me sentir obrigada a usar algo que me causava desconforto. Estudar sobre o feminismo e ter feito minha iniciação científica na faculdade sobre a pressão estética sobre as mulheres certamente me ajudou a questionar essa sensação de obrigatoriedade, não apenas em relação ao uso do sutiã, mas também em relação a outras coisas que são impostas", revela.

(Mariana Checoni(

 


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