Jundiaí

Atletas conseguem manter o foco e se adaptar aos treinos


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Robson Mian ressalta a importância da parte mental para os atletas
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Atletas de Jundiaí conseguem se adaptar e se manter firmes em suas rotinas de treinos, apesar de um longo e desgastante ano pandêmico.

A estudante Camila Fernanda de Sá Croco, de 20 anos, faz atletismo há cinco anos e sentiu um pouco as consequências desse período de incertezas. "No começo fiquei um pouco perdida, pois não sabíamos como as coisas iriam ficar. Mas depois que percebemos que não iríamos voltar tão cedo, os treinadores começaram a enviar treinos e atividades diárias, além das aulas virtuais. Em um primeiro momento não consegui me adaptar aos treinos em casa, era estranho, pois meu pique era outro, passava a tarde inteira treinando e antes só ficava em casa para dormir e outros afazeres. Depois de um tempo, fui pegando o ritmo", afirma.

Camila também utilizava os conhecimentos adquiridos pelo curso de Educação Física para complementar sua rotina. "Quando havia dias sem treinos dos técnicos, eu mesma montava um plano para não ficar parada. E isso porque não sabíamos quando iríamos voltar e não queria perder o foco e nem o físico para ter que recuperar tudo de novo", comenta.

A estudante já participou de inúmeros campeonatos escolares e regionais, além do campeonato brasileiro de atletismo pelo Time Jundiaí. "Agora que já acostumei com esse novo ritmo, estou muito focada e animada, esperando ansiosamente para voltar aos treinos presenciais e para as competições", conta.

Para a atleta amadora de marcha atlética Maria do Carmo Viana dos Santos, de 57 anos, a pandemia acabou trazendo benefícios que ajudaram a focar em seus treinos, apesar de um início complicado, devido ao medo de sair de casa. "Assim que comecei com o treinos, meu ritmo foi até melhor do que antes da pandemia. Cheguei a fazer mais treinos sozinha do que nas aulas presenciais. E não tive problemas em me adaptar para essa nova realidade de treinos caseiros, pois estava com medo de ficar muito tempo parada e não ter mais pique quando as coisas voltassem", afirma.

Maria faz alongamentos dentro de casa e alguns treinos físicos junto com sua sobrinha, elas vão se ajudando e assim dando um gás para ambas continuarem. "Foi difícil encontrar lugares para correr no começo, pois moro perto de duas avenidas muito movimentadas, de mão dupla, mas hoje em dia faço algumas voltas pela vila em que moro e sempre acabo fazendo por volta de 11km", comenta.

A atleta faz parte do Time Jundiaí e utiliza recursos virtuais para manter o foco, além das aulas on-line e das planilhas de treinos feitas por seu técnico. "Meu professor que me ajudou a abrir a mente quando estava desanimada, ele me apresentou a um site gratuito que simula corridas e, após cada prova, eu ganhava um certificado, com isso devo ter feito umas 50 provas até agora. Eu faço minhas corridas um dia sim e outro não. E estou bem motivada, principalmente por causa dessas provas virtuais, se eu fosse sair por conta própria com a meta de correr uns 10km, por exemplo, eu iria parar nos 8km e voltaria para casa. Mas como ganho um certificado no final da prova, faço um esforço a mais para terminá-la", conta.

O educador esportivo e treinador de atletismo do Time Jundiaí, Robson Mian, conta sobre a importância da motivação física e mental dos atletas. "Para a parte física, eles têm essa rotina de treinos com as planilhas que são verificadas pelo departamento de performance da Prefeitura e as aulas virtuais. Já para a parte mental, que é muito importante, nós lançamos alguns desafios e charadas nos grupos de Whatsapp, além do uso de aplicativos de quiz para resgatar a autoestima, desenvolver o raciocínio lógico, a resposta rápida, a concentração, a atenção e trabalhar a memória. Lançamos também o 'Desafio 2021', no qual os atletas somam seus tempos de exercícios até completar 2021 minutos e então trocamos o exercício que são vários, flexões, abdominais, caminhadas, polichinelos, entre outros. E os atletas gostam de ser desafiados, acaba estimulando eles, além das atividades lúdicas que irão trazer muitos benefícios", afirma.

Apesar do comprometimento com os atletas, o treinador está preocupado com a situação de pandemia, pois as incertezas atrapalham no planejamento de treinos. "Para os atletas menores de idade, meninos e meninas da iniciação, acabou sendo um ano bem complicado, pois eles não tiveram contato com atividades físicas mais intensas que a prática do esporte proporciona e, assim, perderam um ano de habilidades motoras que seriam facilmente automatizadas com os treinos presenciais. Além disso, muito desses atletas estão perdendo a melhor fase de suas habilidades físicas dentro de suas subcategorias. Mas estamos fazendo de tudo para que não haja muitos prejuízos", ressalta.

(Lucas Hideo)


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