Jundiaí

Queda em registro de violência infantil na pandemia preocupa

SUBNOTIFICAÇÃO A baixa nas queixas não reflete na diminuição da violência, pois as denúncias podem não estar chegando


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Em 2020, o município apresentou queda de 40,9%, em relação a 2019
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Durante a pandemia, as subnotificações de casos de violência infantil têm preocupado autoridades. Com o isolamento social, os casos que chegam a gerar registro não representam a realidade.

Se comparados o primeiro e o segundo semestre de 2020, Jundiaí teve queda de 51% na quantidade de denúncias e 76% na quantidade de violações contra crianças e adolescentes registradas pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH).

Coincidentemente, o primeiro semestre do ano passado foi o início da pandemia e o segundo foi marcado pelo agravamento da crise sanitária.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os casos de violência infantil vêm caindo na Região de Jundiaí. Em 2020, o município apresentou queda de 40,9%, em relação a 2019, segundo os registros da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade. Ano passado, a delegacia especializada registrou 137 casos de delitos contra crianças e adolescentes, ante 232 no ano anterior.

De acordo com a Prefeitura de Jundiaí, o fluxo de identificação e atendimento às crianças e adolescentes vítimas de violência possui diversas entradas, como as delegacias, as três unidades de Conselhos Tutelares (CT) e os equipamentos da rede Socioassistencial, de Saúde e de Educação.

Nas escolas, por exemplo, o fluxo prevê o acionamento dos conselhos e, em casos de suspeita de algum tipo de violência, as crianças são encaminhadas para a escuta especializada, serviço onde os casos são identificados precocemente e encaminhados para atendimento especializado, no Ambulatório de Pediatria do HU.

O acompanhamento da vítima e de sua família é realizado pelo Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas), equipamento ligado à Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS).

No local é oferecido o serviço do Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), por conta da violação de direitos. Em caso de violência sexual, o atendimento hospitalar deve ser feito em tempo inferior a 72 horas após o abuso, por conta da prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Procurados, os conselhos tutelares não retornaram para informar sobre os casos registrados.

SINAIS

A pediatra do Hospital Universitário (HU) de Jundiaí, Mônica Franco, diz que sem a escola é difícil identificar casos. "Nós tivemos uma baixa de notificação no ano passado e isso não quer dizer que a gente tem pouca violência. A escola é nossa aliada para as notificações. Às vezes a mãe não está do lado da criança, então ela conta sobre o abuso, a violência, para o amiguinho da escola, para a professora, que muitas vezes também percebe alteração no comportamento da criança."

Segundo a médica, a violência física e psicológica é identificada no corpo e no comportamento da criança. "Às vezes a mãe vem ao pronto-socorro e a queixa é apenas uma gripe, mas quando tiramos a roupa da criança para examinar o coração, a gente vê hematomas, queimadura de cigarro, mordida, calo ósseo, que é uma fratura antiga, e às vezes a gente escuta histórias que não coincidem com o quadro da criança. O hematoma de diferentes cores é uma violência crônica e a história de queda, igual a que aconteceu com o Henry, a gente vê bastante, infelizmente", lamenta.

Mônica faz um alerta. "A criança tem muita dificuldade de falar da violência porque normalmente a gente vê casos de ameaça. Os pais têm que sempre orientar a criança, ensinar que nunca ninguém deve mexer nas partes íntimas e que a criança deve contar tudo para eles."

Além dos equipamentos municipais e delegacias, as denúncias de violência infantil podem ser feitas através do Disque 100.


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