Jundiaí

Inscrições de restaurantes para delivery aumentam 120% em 2021

ENTREGA RÁPIDA Somando restaurantes e outros comércios que se cadastraram para delivery, o aumento foi de 84% em relação ao 1º trimestre de 2020


                        ALEXANDRE MARTINS
Leandro Spina sentiu aumento de demanda, mas queda de lucro
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O "abre e fecha" do comércio, em decorrência da pandemia da covid-19, incentivou o crescimento do mercado de entrega rápida (delivery). Entre janeiro e março de 2021 houve aumento de 84% nas inscrições para serviço de entrega rápida, em Jundiaí, comparado com o mesmo período em 2020. Na comparação apenas entre inscrições de novos restaurantes no sistema delivery, houve crescimento de 120% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao ano passado.

O serviço é utilizado especialmente para a entrega de mercadorias, como alimentos desde restaurantes a supermercados, drogarias e farmácias e até outros estabelecimentos comerciais. Foram 35 inscrições no Balcão do Empreendedor só nesse período, sendo 22 apenas de restaurantes e 13 de outros tipos de comércios. Sem contar outros estabelecimentos que fazem entregas sem registro na prefeitura.

De acordo com a Unidade de Governo e Finanças (UGGF), em todo o ano de 2020 foram 37 inscrições de comércios, sem contar os restaurantes, contra 23 de 2019, o que representa aumento de 38%. Já com relação apenas aos restaurantes, foram realizadas 46 inscrições em 2020 e 41 em 2019.

VIGILÂNCIA SANITÁRIA

Todos os estabelecimentos, que incluem entrega rápida, ou não, precisam estar cadastrados no Balcão do Empreendedor, da Prefeitura de Jundiaí. No caso dos estabelecimentos licenciados como restaurantes, lanchonetes, fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar (em que não há consumo no local) e que realizam essa modalidade de entrega das refeições e pratos prontos, esse registro é submetido à análise simultânea das Unidades de Gestão envolvidas no processo de licenciamento e da Vigilância Sanitária.

A Vigilância Sanitária é um dos processos mais rigorosos. "A Vigilância Sanitária, neste caso, solicita documentos para cadastro da empresa e pagamento de taxas, também via Balcão do Empreendedor, e, conforme a Portaria CVS 1/2020, os estabelecimentos são obrigados a cumprir os regulamentos técnicos, visto que poderão ser inspecionados a qualquer tempo, para avaliação de boas práticas de manipulação de alimentos. O não cumprimento às normas sanitárias acarreta autuação e penalidades que variam de advertência, multas à interdição do estabelecimento, ficando o estabelecimento sujeito, inclusive, ao cancelamento da licença sanitária", informa a prefeitura por meio de nota oficial.

A inspeção consiste em visita técnica para verificar se o estabelecimento cumpre as normas sanitárias e são realizadas por demanda de licenciamento inicial, renovação de licença anual ou sempre que houver denúncia do consumidor. "Em 2019, o órgão realizou 345 inspeções de boas práticas para essas atividades. Em 2020, foram 231. Neste ano, entre os meses de janeiro e março, foram 44 inspeções", relatam, também em nota.

ENTREGAS

O motoboy Leandro Spina, 35 anos, vivencia na pele esse aumento de demanda de entrega. No entanto, com a pandemia e o desemprego, isso não se reflete em mais dinheiro no bolso dos entregadores. "Achamos que iríamos rodar muito com essa segunda pandemia, mas o desemprego é gigante então todo mundo colocou mochila nas costas para fazer entrega", relata.

Com isso, a concorrência aumentou bastante. "Tem espaço para todo mundo, porque o número de pessoas pedindo subiu, mas não estamos ganhando mais dinheiro, pelo contrário", avalia. Segundo ele, o valor recebido por entrega também caiu. A taxa mínima que os aplicativos pagavam aos motoboys em 2020 era de R$ 7,40 e hoje já está em torno de R$ 5.

Por causa da redução das taxas, ele teve que apostar em outra fonte de renda e decidiu abrir uma pastelaria em casa, passando também por todo o processo da prefeitura. "Não dá mais para viver só com a renda de entregas, então abri meu próprio delivery. Durante o dia usamos os entregadores dos aplicativos e quando eu chego, à noite, faço entregas dos nossos produtos por conta própria também."

Das vendas com a pastelaria, quase 30% fica com o aplicativo, mas ainda assim vale a pena para engrossar a renda familiar.

DIFICULDADES

Há três anos nesse mercado, o entregador explica que o algoritmo dos aplicativo do iFood, por exemplo, é bastante complexo. "A divisão de entregas é mais simples, se tem 200 pedidos e 50 entregadores, vai quatro para cada um. Mas o valor da taxa que você recebe varia de acordo com muitos fatores. Um deles é se você faz uma entrega dupla, dois pedidos para uma mesma rua, por exemplo. Nesse caso, a gente ganha apenas por uma das entregas, porém toda a taxa que estiver estabelecida, não a mínima."

Outra dificuldade dos motoboys está relacionada à demora para a retirada dos pedidos e a entrega para os consumidores. "Tem shopping em que temos que esperar do lado de fora e os funcionários dos restaurantes esperam juntar vários pedidos para descer com a encomenda", relata. "Por outro lado, tem pessoas que demoram muito para receber a entrega, principalmente em condomínios. É por isso que pedimos sempre que as pessoas acompanhem o pedido no aplicativo e nos esperem na porta, assim a gente consegue atender mais entregas por hora e ganhar um pouco mais."

OUTROS PRODUTOS

A pandemia também flexibilizou a retirada de medicamentos. Juliano Gimenes Ribeiro, gerente da Farmavida da avenida Jundiaí, explica que agora é permitido que o paciente envie a receita digitalmente e a drogaria a imprima. "Isso facilitou muito a vida de idosos, principalmente, que podem evitar sair de casa para buscar os medicamentos, apenas pedindo por entrega rápida", explica. Segundo ele, todos os dias pelo menos 20 entregas são solicitadas apenas na unidade da avenida Jundiaí da rede de drogarias.


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