Jundiaí

Costumes são mantidos por famílias de Jundiaí

RAMADÃ Marcado como um período de purificação física e espiritual, muçulmanos realizam tradições


JORNAL DE JUNDIAI
O comerciante Salheh Yussef Kader realiza o Ramadã desde criança
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

Até do dia 12 de maio, os muçulmanos realizam o Ramadã, um período de 30 dias marcados pelo jejum e orações. Este ano teve início na última terça-feira e muitas famílias de Jundiaí mantêm as rigorosas e importantes tradições, porém com a pandemia, as famílias não estão frequentando a mesquita.

A casa do comerciante Salheh Yussef Kader, de 62 anos, neto de sírios, tem sido o espaço para ele a família praticar os mandamentos. "É um mês que você tem que ficar calmo e tranquilo. Não pode falar palavrões, não pode fazer nada errado ou ilícito, pois é um pecado. É um exercício de autocontrole. Os muçulmanos são encorajados a evitar fofocas e discussões. Você também precisa ajudar as pessoas necessitadas e fazer o jejum para poder sentir o que essas pessoas passam, fome e sede", comenta.

Segundo Salheh, mulheres grávidas, crianças, doentes e viajantes não precisam fazer o jejum, porém o viajante precisa cumprir os dias que quebrou no período do jejum, após o Ramadã. "O período do jejum começa ao nascer do sol, que hoje é em torno de 5h05 e termina após o pôr do sol. E nesse período de desjejum, nós podemos comer o que quisermos, o que estiver a nossa disposição. Eu e minha esposa levantamos na madrugada para fazer uma refeição, antes do nascer do sol e no horário em que quebramos o jejum, depois do pôr do sol, os muçulmanos costumam comer uma tâmara, pois foi o que o profeta Mohammad fazia. E só pode comer a tâmara em número ímpar, se comer duas você é obrigado a comer mais uma, por exemplo. Essa fruta faz bem para a saúde e por isso se costuma a quebrar o jejum com ela", afirma.

Durante a época do Ramadã, Kader diz que é preciso fazer cinco orações diárias, principalmente o "taraweeh", uma oração noturna que só têm neste período. "Os últimos dez dias do Ramadã são marcados por intensa adoração durante 'Laylat al-Qadr' ou 'a Noite do Destino', noite em que Deus enviou o Anjo Gabriel ao profeta Mohammad revelando o primeiro verso o Alcorão", conta.

Ele conta que seus pais o ensinaram sobre o Alcorão e aprender está na lista de prioridades. "Nunca fui ao mundo árabe, apesar de ter muitos amigos na Síria, Líbano e Palestina" comenta Salheh.

A comerciante Omasia Ghandour Kader, esposa de Salheh, é descendente de libaneses e sempre preparou pratos tradicionais. "Sei fazer todos os pratos e comidas árabes, mas gosto de preparar arroz com grão de bico, arroz com lentilha, charuto de folha de uva, esfirra, quibe na bandeja, abobrinha recheada, tabule (salada), baba ganoush (purê de berinjela) com tahine (pasta de grão de bico) e tâmara com coalhada. Mas a tâmara nós comemos mais no mês do Ramadã", afirma.

A TRADIÇÃO

Como o calendário islâmico é do tipo lunar, o Ramadã não pode ser comemorado na mesma data todos os anos, mas sua duração, que vai de 29 a 30 dias, nunca é alterada.

O Ramadã é um tempo para se separar dos prazeres e focar no seu eu interior. É visto como uma maneira de se purificar física e espiritualmente, abstendo-se de hábitos como fumar, fazer sexo e ingerir cafeína. O jejum durante o Ramadã é um dos cinco pilares do Islã, juntamente com a declaração de fé muçulmana, a oração diária, a caridade e a realização do Haj (peregrinação).

O fim do Ramadã é comemorado por um feriado de três dias chamado "Eid Al-Fitr" (celebração do fim do jejum). As crianças muitas vezes recebem roupas novas, presentes e dinheiro.


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