Jundiaí

Higienização das mãos deve manter hidratação

SAÚDE Lavar as mãos em excesso ou usar muito álcool em gel pode causar ressecamento da pele


  ALEXANDRE MARTINS
Melissa Pereira faz uso de quatro cremes hidratantes diariamente
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Durante a pandemia causada pela covid-19, a preocupação com a higienização aumentou e, além do ato de lavar as mãos, o álcool em gel se tornou a peça-chave dessa mudança de hábito. No entanto, lavar as mãos em excesso ou usar muito álcool pode causar o ressecamento da pele e até alergias.

Melissa Pereira tem 19 anos e é auxiliar de produção. No dia a dia, tem usado o álcool em gel frequentemente. "Estou sempre lavando as mãos para evitar a contaminação e uso bastante o álcool em gel, geralmente umas oito vezes ao dia, fora quando preciso ir a algum lugar após o trabalho", diz.

O uso contínuo desse produto para higienizar as mãos trouxe problemas. "A cada pausa eu passava um pouco de álcool. Por usar luvas para trabalhar, as mãos sempre ficam secas, mas é normal por conta do clima e dos materiais que utilizamos na linha de produção. No entanto, um dia notei que minha pele estava descascando, achei que sairia com água e álcool, mas só piorava", explica.

Para tentar melhorar o aspecto das mãos, a jovem iniciou o uso de cremes hidratantes. "Comecei a fazer uso de um creme protetor, conhecido como luva de silicone. É um produto que forma uma película protetora sobre a pele, fazendo com que ela fique hidratada por várias horas. Comecei a usar sempre após lavar as mãos e vi que a aparência delas começou a melhorar, por isso reduzi a quantidade de álcool em gel e agora sempre uso esse creme em seguida", afirma.

Melissa não procurou nenhum médico para falar do assunto. "Não fui ao dermatologista porque consegui controlar o problema sozinha, mas pretendo marcar uma consulta para ver qual o melhor tratamento, para que isso não aconteça de novo", diz a auxiliar.

Depois da situação incômoda, a jovem fez algumas alterações em sua rotina. "Era horrível ficar com as mãos descascando sem saber o motivo, sem contar que os pedacinhos de pele ficavam em todos os lugares em que eu tocava. Hoje em dia tenho quatro tipos de hidratantes diferentes, para que isso não se repita", afirma.

LIMPEZA

A diarista Marluce Nunes de Sobral Castelani, de 50 anos, usa o álcool em gel em vários momentos do dia. "Eu passo álcool nas mãos desde o momento em que saio no portão de casa, até chegar aos locais onde trabalho. Além de trabalhar usando produtos de limpeza, eu uso o álcool em gel nos ônibus e na rua", diz.

Junto com o álcool em gel, a diarista está sempre lavando as mãos com água e sabão. "Eu já lavava bastante as mãos, mas isso aumentou. Algumas pessoas fazem uso apenas do álcool, mas eu não sinto muita segurança, por isso faço os dois", explica.

"Quando aumentei o uso do álcool em gel, percebi que minhas mãos começaram a ressecar e ficaram flácidas. Com certeza não foi nenhum outro produto, pois na minha profissão sempre usei vários produtos de limpeza e isso nunca tinha acontecido", afirma a diarista.

Marluce não procurou ajuda médica, mas reconhece que isso é importante. "Não tive tempo de ir a um dermatologista, mas pretendo procurar para fazer algum tratamento", diz.

Por conta própria, a diarista mudou alguns hábitos no cuidado com as mãos. "Não posso parar de fazer o uso do álcool em gel, pois isso me protege, já que trabalho fora. Para compensar, aumentei a frequência com que uso cremes hidratantes, para que minhas mãos estejam sempre bem cuidadas", explica.

CUIDADOS

Bárbara Hartung Lovato, de 36 anos, é dermatologista e reconhece que o álcool é capaz de ressecar a pele. "Todos nós temos uma camada de gordura que cobre e protege a nossa pele, e o álcool acaba removendo essa barreira lipídica", afirma.

Engana-se quem pensa que, lavando as mãos, contribui para a hidratação da pele. "A hidratação está relacionada com a água e os lipídios, que são as gorduras, presentes nela. A água e o sabonete, assim como o álcool, removem a camada lipídica natural da pele, o que aumenta também a perda de água transepidérmica, levando à desidratação da pele. É importante entender que a água não é capaz de penetrar na pele de forma significativa para hidratá-la, por isso nós devemos bebê-la", explica Bárbara.

A quantidade de pacientes com queixas de pele ressecada aumentou, e muitos deles são os profissionais de saúde. "Para quem passa por esse tipo de problema, é bom dar preferência a cremes específicos para as mãos, que em geral possuem uma maior quantidade de gordura do que os hidratantes corporais. É importante que eles combinem ingredientes com ação emoliente, oclusiva e umectantes, como ceramidas, petrolato e óleos vegetais", observa a dermatologista.

O álcool em gel com glicerina torna-se uma boa opção para manter a hidratação. "A glicerina é hidratante, sobretudo porque evita a perda de água transepidérmica. Assim, algumas formulações de álcool em gel a incluíram em sua composição, com o objetivo de hidratar e limpar ao mesmo tempo", diz Bárbara.

Várias marcas apostaram no álcool em gel com fragrâncias e glicerina. "Estes aditivos não afetam a capacidade de limpeza do álcool, mas alteram a sua textura, deixando-o mais viscoso. Costumo preferir o uso do álcool puro, seguido da aplicação de um bom hidratante", explica.

"Reaplicar os hidratantes várias vezes ao dia é essencial. Se não houver melhora, é importante consultar um dermatologista, para excluir outras patologias que podem afetar as mãos, como dermatites de contato ou psoríase", afirma Bárbara.

Existem outras maneiras de manter a pele bem cuidada e saudável. "É legal evitar o uso de água quente e esponjas e escolher sabonetes mais suaves. Usar luvas para realizar tarefas domésticas também ajuda a evitar o contato direto com produtos de limpeza, que podem irritar a pele", diz a dermatologista.

 


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