Jundiaí

Gravidez na pandemia é um risco, mas famílias podem decidir

Ministério da Saúde recomendou adiar a gravidez por causa dos riscos para mãe e bebê


Arquivo Pessoal
Maressa
Crédito: Arquivo Pessoal

O Ministério da Saúde recomendou adiar a gravidez neste momento por causa da pandemia e dos riscos para a mãe e o bebê. Devido ao agravamento da pandemia e às mutações do vírus, os casos de gestantes que desenvolveram a forma grave da doença aumentaram.

Segundo a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) da Prefeitura de Jundiaí, em 2020 foram registradas seis internações de gestantes positivas para covid-19. Em 2021, até o momento, ocorreram 10 internações de gestantes positivas.

Na Região do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ), desde o início da pandemia, foram registrados sete óbitos de gestantes e puérperas, sendo duas puérperas em Itupeva, uma em Várzea e uma puérpera e três gestantes em Jundiaí.

Ginecologista e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Francisco Pedro Filho diz que, quando contraem o vírus, "as gestantes e puérperas têm maior risco de hospitalização, admissão em UTI e necessidade de ventilação mecânica".

Por conta das mudanças que ocorrem no organismo da grávida, a covid pode ser mais severa ante à fragilidade. "Os sistemas pulmonar, cardiovascular e imune, entre outros, podem ser prejudicados. Nas gestantes infectadas, a presença de febre e hipoxemia, que é a diminuição da oxigenação no sangue, podem aumentar a chance de trabalho de parto prematuro, rotura da bolsa e comprometimento do bem-estar fetal."

DIREITO

Psicanalista e ex-membro Comissão de Cidadania e Reprodução, Margareth Arilha diz que o debate deveria ser a priorização do atendimento a grávidas e puérperas. "Na época do zika vírus, o governo federal também levantou essa indicação de evitar a gravidez. Uma postura correta seria o acolhimento e a segurança, a garantia das gestantes serem bem atendidas pelo serviço público de saúde. O que se espera é uma resposta do Estado sobre as condições para garantir e respeitar o direito da mulher ter seu filho quando desejar."

Ela lembra que o governo deve oferecer suporte, independente de quando for necessário. "O governo deve informar o que o vírus pode provocar em um gravidez e ao feto. Neste caso, as pessoas estão informadas e devem aumentar os cuidados. Mas, se infectados, que tenham atendimento e acesso à UTI e à UTI neonatal. Pedir para não engravidarem facilita o trabalho do Estado, mas cabe a cada um, tendo informações, decidir."

Graziela Rosa de Lima é um dos casos que evidenciam o porquê do Estado oferecer suporte quando necessário. "Engravidei antes, estava com quatro meses quando começou a pandemia. Tive covid durante a gestação, mas só descobri porque fui marcar uma consulta e disse que estava sem paladar, aí fiz o teste."

Para ela, além das privações do período, como ter que ir sozinha às consultas, nem todas as mulheres têm a opção de poder adiar. "Não teria coragem de engravidar na pandemia, mas, quando engravidei, não sabia que ia acontecer tudo isso. Tive ele com 36 anos, não dava para esperar. Por ser meu segundo filho, se eu pudesse, adiaria", explica.

Maressa Gonçalves Santos de Paula também engravidou durante a pandemia. "Eu tenho dificuldade pra engravidar, tenho ovário policístico e anovulação crônica. Já na minha primeira gestação, precisei fazer tratamento com remédios. Após um ano de tratamento, engravidei."

Mas, querendo um segundo filho e depois de dois abortos espontâneos, Maressa não podia deixar de engravidar, independente do período. "Após esses episódios, e me recuperar psicologicamente, iniciei o tratamento para engravidar novamente e não parei quando chegou a pandemia. Em outubro de 2020 consegui. Entendo o fato de não ser a melhor época pra se ter um filho, mas foi assim que Deus quis e eu aceito e me alegro", relata.

Já Luara Pereira Finardi decidiu adiar a gravidez por conta do momento. "Tenho uma enteada de sete anos e eu e meu marido tínhamos planejado casar e depois tentar engravidar, até para não ter tanta diferença de idade com a Helô, minha enteada. Com a pandemia, foi frustrante porque foram dois planos adiados, o casamento e a gravidez. Mas também a gente não tinha muita opção."

Luara fala que, além do medo, não poderia curtir a gestação como imaginava. "No começo da pandemia teve o caso de uma grávida que faleceu e deixou o bebê, então tomamos a decisão por medo mesmo. Tenho uma enteada, mas seria a minha primeira gravidez, então queria comprar o quartinho, curtir o momento, e infelizmente não sabíamos se poderíamos, se família ia poder visitar", conta ela sobre a decisão da qual não se arrepende e que foi apenas um adiamento, pois pretende engravidar assim que a situação permitir.

OFERTA

Também lembrado por Margareth é o acesso que todas as mulheres devem ter a métodos contraceptivos. Segundo UGPS, atualmente a rede pública de Saúde oferta: preservativo masculino, preservativo feminino, DIU, além de seis tipos de anticoncepcionais. Os métodos contraceptivos orais e injetáveis necessitam de receita médica para serem retirados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para a colocação do DIU, o encaminhamento é feito pelo médico ou enfermeiro da Unidade de referência. (Nathália Sousa)

 


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