Jundiaí

Com preços elevados e subindo, carne e gás puxam a inflação

ALIMENTAÇÃO Com as carnes e o gás de cozinha caros, a alimentação do brasileiro tem alta e consumidores e comerciantes precisam se adaptar


                          ALEXANDRE MARTINS
Neusa Domingues de Oliveira precisa acompanhar o preço dos insumos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O preço da carne bovina subiu seis vezes além da inflação no último ano e deve continuar aumentando até os próximos meses. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um dos principais medidores da inflação, registrou alta geral de 5,20% nos últimos 12 meses, enquanto a carne subiu 29,51% no mesmo período.

Já o preço do gás de cozinha, calculado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumula alta de mais de 20% entre março de 2020 e o mesmo mês deste ano.

Com as carnes e o gás de cozinha caros, a alimentação do brasileiro fica mais pesada e consumidores e comerciantes começam a mudar os hábitos de compra e de venda.

O proprietário de um açougue no Anhangabaú, Larry Cassaro, conta que o aumento da carne, de fato, girou em torno de 30% a 40%. "Não vendemos como deveria e o preço sobe como não deveria. Da semana passada para cá o que mais subiu foi o miolo de alcatra, o quilo ficou R$ 7 mais caro."

Larry conta que alguns clientes entendem a alta, mas outros reclamam. "Estão consumindo menos e comprando cortes mais baratos. Estamos vendendo bastante frango, apesar de também não estar barato. Tem gente que reclama, tem gente que entende e outros que não percebe o aumento", diz.

Para Givaldo Lins, açougueiro de um estabelecimento Vila Marlene, conta que a carne de segunda foi a que mais subiu e hoje é quase equiparada à de primeira. "O patinho e o acém têm diferença de R$ 2 no quilo. É uma diferença mínima. A arroba está R$ 317, acho que subiu entre 30% e 40% em um ano. Os clientes ainda optam pelo de costume, mas levam em quantidade menor e até brincam com os aumentos e dizem que com o gás caro também vão preparar a carne com madeira."

DRIBLANDO OS PREÇOS

A aposentada Ana Maria de Souza diz os aumentos estão acontecendo muito rápidos. "Tudo está caro, inclusive o gás de cozinha. Eu troquei faz um tempo, mas subiu bastante e, para quem é aposentado, tudo fica pior", conta ela sobre os rendimentos que não acompanham a inflação.

Os comerciantes do ramo de alimentação, que também precisam destes insumos, são outro grupo prejudicado. Este é o caso de Neusa Domingues Oliveira, proprietária de uma lanchonete.

"Acho que a carne foi o que mais aumentou. Precisei até trocar de fornecedor. O gás subiu bastante, precisei aumentar o preço do salgado porque subiu tudo. Além disso, com a pandemia, deu uma caída no movimento. Não sei se é só por causa da pandemia ou dos preços também", reclama.

Mesmo com hábito de consumir carne, Onécimo Landi Junior diz que os aumentos são perceptíveis. "Quem compra normalmente é a minha esposa, mas claro que a gente percebe o aumento exponencial. Na minha casa as mudanças foram mais pontuais, mas não pelo preço. Consumir mais peixe, por exemplo, por ser mais saudável."


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