Jundiaí

Safra no meio do ano representa 35% da produção anual de uva

PARREIRA CARREGADA Embora a qualidade da fruta esteja superior à do ano passado, o preço será mais baixo, reflexo da alta oferta e da procura mais baixa


                        ALEXANDRE MARTINS
Odair Lourençon diz que o preço da caixa da uva caiu bastante neste ano
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A safra de uva no meio do ano, chamada de poda verde, está começando em Jundiaí com frutas mais doces, bonitas e mais baratas que o ano passado. Isto se deve à alta oferta e à baixa procura.

Esta colheita, segundo a Associação Agrícola de Jundiaí (AAJ), representa 35% da colheita de todo a ano.

Para o presidente da associação, Rene Tomasetto, a previsão é de 8.750 toneladas nesta safra. "A previsão de colheita é de 25 mil toneladas no ano. A colheita do meio do ano representa cerca de 35% desse total, porque os produtores produzem menos e não são todos que fazem a poda verde", explica.

A safra, segundo o presidente, começa agora e dura até o fim do inverno. "Quem fez a poda bem no começo do ano já está colhendo agora. Quem podou mais no fim de janeiro, vai colher daqui a uns 30, 40 dias."

Sobre o clima, Rene diz que a pouca chuva em certo ponto ajuda na formação das frutas. "A uva costuma desenvolver melhor o açúcar quando tem menos chuva, então a uva dessa época geralmente é mais doce do que a da safra do começo do ano."

QUANTIDADE E QUALIDADE

Para o produtor Odair Lourençon, que também está colhendo a safra da poda verde, a maturação foi boa neste ano. "A chuva agora e a frente fria ajudam na maturação da uva. A chuva já está faltando agora, mas até a de inverno ajuda. Água no campo é vida. A qualidade da uva está excelente e os pés estão carregados com frutas firmes e doces."

Ele produz em apenas uma parte da lavoura. "Em dezembro e janeiro, produzo em torno de 20 mil cachos. Agora, na poda verde, a gente deixa uma parte descansar para começar a podar em julho, a gente poda só uns 70% da produção."

O preço mais baixo, segundo ele, também está relacionado ao poder aquisitivo mais baixo da população. "A caixa este ano está R$ 25, mas no ano passado era R$ 32. O povo está sem dinheiro e isso atrapalha as vendas, não só da uva, mas das outras frutas também. Eu vendo em cooperativa e teve comprador nosso que deixou de comprar porque faliu", explica Lourençon sobre o momento delicado da economia que reflete na agricultura.

Produzindo em quase metade da lavoura, Anderson Tomasetto conta que a produção foi muito boa neste ano e sua colheita começará na semana que vem.

"Faço a poda verde em 40%, 50% da propriedade. Algumas quadras a gente reserva para a poda do ano que vem, senão a planta não suporta. A safra da poda verde está com qualidade superior neste ano, está espetacular. É uma safra boa com uma fruta excelente. Geralmente, nessa época do ano dá menos, mas eu tenho quadra que deu mais agora do que na poda normal, do final do ano", diz ele.

O clima tem contribuído. "Quando tem o dia quente e a noite fria, a uva desenvolve melhor, e se chove menos, ela concentra mais açúcar. Com menos nuvem no céu também, a planta consegue fazer fotossíntese melhor."

O preço, como explica Anderson, caiu bastante. "A fruta está com qualidade e barata. Para a gente, o adubo dobrou de preço, os insumos são todos importados, comprados em dólar, mas vendemos a fruta em real, a conta não fecha", conta ele sobre o preço mais baixo, mas a o custo ainda alto de produção.


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