Jundiaí

Restaurantes que não fecharam estão no limite

ALIMENTAÇÃO O setor é um coringa de investimento, mas é altamente impactado pelas mudanças de fases


ALEXANDRE MARTINS
Gilmar Ramalho, da Pizza Piú, diz que o horário de abertura prejudica o movimento
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Restaurantes e lanchonetes foram respectivamente o segundo e terceiro negócios mais fechados em Jundiaí entre março de 2020 e março deste ano.

Segundo dados da Unidade de Gestão de Governo e Finanças (UGGF) da Prefeitura de Jundiaí, os negócios da cidade relacionados à alimentação estão entre os mais prejudicados pela crise decorrente da pandemia.

Foram fechados 25 restaurantes, 23 lanchonetes e 14 empresas de fornecimento de comidas preparadas. Em contrapartida, foram abertos 49 restaurantes, 47 lanchonetes e 24 empresas de fornecimento de comidas preparadas.

Neste período de isolamento, estabelecimentos que têm grande recepção de público foram bastante impactados, mas, além disso, a crise e o poder aquisitivo mais baixo da população em geral têm afetado o consumo. Resultado disto é o endividamento e a contenção de gastos com demissões.

MANUTENÇÃO

Para o chef pizzaiolo da Pizza Più, Gilmar Ramalho, até o momento não precisaram solicitar nenhum benefício do governo, mas não está fácil. "A gente está aberto, mas para nós, até as 19h, não ajuda. Quem vem comer pizza quer vir mais tarde. Para quem abre de dia compensa, para nós, não. Com o movimento de agora, não está dando para cobrir as contas. A gente até fez promoção porque, para pizza napolitana, é tudo comprado em dólar, mas a gente consegue vender 20% do que vendia antes. Até o delivery caiu", lamenta.

O proprietário do Bacalhau do Barão, Ricardo Savoy, lamenta que a maioria dos restaurantes esteja endividada. "Estão usando crédito para a manutenção. Não tem faturamento. O meu movimento está muito fraco, meu público é de idosos e muitos ainda não tomaram nem as duas doses da vacina, então têm muito medo de sair. Em março do ano passado, teve o Pronampe, que ofereceu até um terço do faturamento, mas as parcelas estão chegando agora e o movimento não melhorou. Temos que pagar os empréstimos e não tem faturamento."

Para ele, o ideal seria um suporte completo do governo. "Financiar folha de pagamento, oferecer subsídios para aluguéis, cessar impostos, permitir a renegociação de dívidas de energia, gás e água. Teve negócio que não reabriu agora porque não tinha energia elétrica para funcionar", conta ele sobre as despesas que se acumulam sem o funcionamento pleno dos estabelecimentos.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em Jundiaí, de março do ano passado a fevereiro deste ano, foram 1701 admissões e 2581 desligamentos no setor de alimentação que inclui bares, restaurantes, lanchonetes e similares.

CATEGORIA

Para o membro da comissão de enfrentamento do Núcleo de Gastronomia de Jundiaí, Valdir Augusto Meira, que tem dois bares e um boliche, a nova rodada de ajuda econômica anunciada pelo governo no início do mês ainda não chegou. "Espero poder pagar meus funcionários. A minha folha de pagamento é de R$ 95 mil por mês e ainda tem os aluguéis. No meu caso, o empréstimo não ajuda muito. Estou pagando a quarta parcela do Pronampe, mas o faturamento agora está ruim."

O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores) de Campinas e Região, José Haroldo Viegas diz que o fechamento de bares e restaurantes é uma perda enorme para o país, visto que restabelecer a mesma geração econômica, empregos e renda, demora muito tempo.

Ele diz que os programas de suporte do Estado foram importantes, mas não cobrem tudo. "Atenuam e ajudam o setor a respirar, mas, lamentavelmente, são insuficientes para determinar a permanência ou fechamento dos negócios."

 


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