Jundiaí

Artistas de Jundiaí se unem para evitar encerramento da SJCA

Em Jundiaí, grupo de artistas criou um abaixo-assinado para evitar fim da Sociedade


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Fábio Zanon diz que a renovação não é preciso pôr fim às atividades
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Após o anúncio de que Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística (SJCA) estaria encerrando as atividades em Jundiaí, um grupo de artistas de destaque no cenário da cidade, com grande experiência em gestão cultural, criou um abaixo-assinado para evitar o fim da sociedade.

Fundada em abril de 1932, por um grupo que se reuniu em torno de um ideal cultural, a SJCA manteve suas atividades até 1978. Após o pequeno hiato de seis anos, em 1984 um novo grupo se formou para retomar as atividades até os dias atuais. Por conta disso, a notícia de que a atual diretoria está buscando extinguir a SJCA deixou muitas pessoas indignadas e tristes, entre elas, o coordenador artístico e pedagógico do Festival de Inverno de Campos do Jordão e professor emérito da Royal Academy of Music de Londres, Fábio Zanon.

"A SJCA está em atividade há mais de 80 anos, com poucas interrupções. Jundiaí é uma cidade que tem um público constante para os espetáculos de música que ela tem promovido por décadas. É um patrimônio da cidade, que confere a ela visibilidade positiva e prestígio como polo cultural. A atual diretoria tem feito um trabalho excepcional desde 1984. Todos somos gratos a ela, porém o tempo passa, as pessoas acumulam cansaço e idade e esse trabalho constante e não-remunerado pode se tornar insustentável ao longo de mais de 30 anos", reforça.

Segundo Zanon, os últimos anos têm sido excepcionalmente difíceis para o setor, e o ano de pandemia tem provocado a desativação de inúmeras iniciativas culturais. "O próprio zelo dessa diretoria parece ter levado à decisão do encerramento, por não verem uma alternativa que esteja à altura da excelência que sempre demonstraram", explica.

De acordo com Zanon, a sobrevivência da sociedade depende de uma atualização por parte da diretoria. "Se até a década de 2000 a produção cultural se sustentava com venda de ingressos e patrocínio direto, hoje isso envolve um número maior de modalidades de captação de recursos como leis de isenção, editais do poder público e de empresas, comunicação on-line, parcerias com instituições nacionais e internacionais, com o poder público e assim por diante", espera.

ABAIXO-ASSINADO

Com o objetivo de preservar esse cenário, a diretora artística e regente titular da Orquestra Municipal de Jundiaí (OMJ) e sócia diretora da Escola de Música de Jundiaí, Claudia Feres, idealizou o abaixo-assinado. "Recebi com surpresa uma convocação para assembleia de encerramento da SJCA. Na reunião já estava tudo decidido, com procurações de vários associados votando a favor de seu encerramento. Fiz questão de que documentassem meu voto contra. Argumentei sobre todo o trabalho desenvolvido durante todos esses 89 anos de atividades e quanto a SJCA beneficiou artistas e a comunidade e o potencial que ela tem para apoiar os jovens músicos que estão construindo suas carreiras, especialmente nesse momento de tanta dificuldade para os artistas. Mas a diretoria foi irredutível", afirma.

Claudia entende o trabalho realizado pela diretoria durante os 89 anos, mas acredita que ela precisa ser renovada. "Entendo que hoje a diretoria está cansada, sem conseguir vislumbrar um futuro para a SJCA. São pessoas queridas, que trabalharam muito, mas a sociedade precisa ser renovada, fazer editais, ter um novo modelo de comunicação com a comunidade e seus associados. Esperamos que a diretoria da SJCA reveja essa posição e possamos dar continuidade a esse trabalho tão importante para o meio musical, assumindo a gestão da sociedade com o objetivo de levar seu legado adiante e trazer as modernizações necessárias", argumenta.

Procurada a presidente da SJCA, Silvia Pozzi Loverso não respondeu sobre o encerramento das atividades da sociedade até o fechamento da edição.

(Mariana Checoni)

 


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