Jundiaí

Procura de jovens por ajuda psicológica aumenta 30%

ISOLAMENTO A pandemia e a permanência em casa contribuem para a solidão de crianças e adolescentes, que muitas vezes não se sentem ouvidos


ARQUIVO JJ
Maria Bernadete Carneiro diz que os jovens se sentem sozinhos
Crédito: ARQUIVO JJ

Desde o início da pandemia, a procura dos jovens por ajuda psicológica aumentou 30% em Jundiaí segundo dados do Centro de Valorização da Vida (CVV).

A voluntária da unidade, Maria Bernadete Amaral Carneiro, de 61 anos, diz que os principais motivos estão solidão, incompreensão e dificuldade de se expressarem. "Nosso trabalho é totalmente sigiloso, mas existe sim uma demanda grande de jovens que procuram os serviços do CVV para desabafar. Alguns dizem sentir solidão, incompreensão e muitas vezes ouvem que sua dor é frescura", relata.

Segundo Bernadete, o isolamento, a falta de interação, as perdas e até as dificuldades emocionais e a ausência de recursos para lidar com elas fazem com que eles procurem ajuda. "Se um jovem chama a atenção é porque ele precisa de ajuda. Um espaço de fala sem julgamentos e críticas é essencial", diz a voluntária.

SAÚDE MENTAL

A Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) informa que Jundiaí conta com quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), um deles voltado para crianças e adolescentes (CAPS IJ).

Não há mais a necessidade de agendamento prévio ou encaminhamento para a realização do primeiro atendimento. Também existem 35 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), apoiadas por cinco equipes do NASF (Núcleo Ampliado de Saúde da Família), que prestam atendimento às pessoas que apresentam sofrimento psíquico.

Em 2021 houve um aumento na procura por atendimento no CAPS IJ, com impacto da pandemia em casos de luto, ansiedade, impulsividade e uso de álcool e drogas.

Casos leves e moderados de crianças e adolescentes podem buscar atendimento na UBS de referência, enquanto os casos mais graves devem ir ao CAPS IJ, na avenida Comandante Videlmo Munhoz, 345, Anhangabaú.

ACOLHIMENTO

O psiquiatra Ivo Pinfildi Neto, de 44 anos, explica que o contato dos jovens com o mundo é muito importante. "Entre 12 e 18 anos, o adolescente se relaciona em grupos e vai criando autonomia e construindo a própria personalidade. Sem ir para a escola e ficando em casa, o jovem é privado de desenvolver esse lado social, que não pode ser substituído pelas interações virtuais", diz.

Para ele, é importante diferenciar o estado emocional de tristeza, tédio e insatisfação, da depressão. "A pandemia traz sentimentos ruins e modifica a vida do jovem, mas alguns podem ter uma tendência depressiva e os sintomas se agravam, ainda mais neste período. É preciso estar atento e, em caso de dúvida, procurar um profissional para avaliar se é depressão ou não", orienta.

Mudanças de comportamento que persistirem podem ser vistas como alerta. "Se houver diminuição de interações com a família, perda interesse em atividades, alterações de humor, apetite e sono, além de angústia e agressividade, um profissional deve avaliar a situação", diz Neto.

Os pais devem sempre ouvir os filhos. Muita rigidez e cobrança dificultam a manifestação do jovem. "É interessante manter uma relação transparente para que qualquer assunto possa ser abordado, inclusive as questões emocionais. O jovem precisa sentir que os pais estão abertos e respeitam o tempo dele", afirma o psiquiatra.

É importante buscar ajuda profissional, se parecer necessário. "Se o jovem pede ajuda, os pais devem ouvir. Se houver alteração permanente de comportamento e ele nega as dificuldades, mesmo os pais percebendo o sofrimento, é preciso que incentivem o apoio psicológico", orienta.

SERVIÇO

CVV: Oferece atendimento 24h via chat e e-mail, acessados pelo site www.cvv.org.br e pelo telefone 188.

CAPS: O funcionamento é das 8h às 17h, mas existe um plantão para hospitalidade integral de crianças e adolescentes em situação de crise.


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