Jundiaí

Resgate de animais silvestres aumenta 525%

JUNDIAÍ A alta é referente ao 1º quadrimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2020


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Gato Mourisco resgatado e levado à Mata Ciliar, onde recebe cuidados
Crédito: DIVULGAÇÃO

Dados da Divisão Florestal da Guarda Municipal (GM) de Jundiaí apontam aumento de 525% no número de resgate de animais silvestres na zona urbana, em comércios e residências.

De janeiro a abril de 2020 foram 16 resgates contra 100 no mesmo período deste ano. O mais recente foi de um veado-catingueiro resgatado pela GM, que agora está sob os cuidados da Mata Ciliar. (leia matéria abaixo).

Também houve neste ano, dentro do Território de Gestão da Serra do Japi, o resgate de três animais silvestres com ferimentos. Eles estavam nos bairros Santa Clara, Ermida e Paiol Velho. Em 2020, no mesmo período, foram quatro resgates na Serra, sendo dois no Eloy Chaves e dois no Chácara Aeroporto.

Todos os animais resgatados foram encaminhados para a Associação Mata Ciliar, com a qual a Prefeitura de Jundiaí tem convênio para o desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental e atendimento a animais silvestres.

FUNDAÇÃO

Segundo a Fundação Serra do Japi, órgão responsável por ações de preservação, proteção e conservação da reserva, a aparição de animais silvestres em áreas urbanizadas acontece por diversos motivos, como perturbação do habitat, falta de recursos para sobrevivência, busca de novos parceiros, de alimento, deslocamento por áreas mais abertas, expulsão do grupo, para animais que tem vida social em grupo, entre outros.

Um fenômeno observado ao longo dos anos em Jundiaí é a ocupação imobiliária em áreas do entorno da Serra. Com este e outros tipos de mudanças no habitat dos animais, as "invasões" dos bichos em bairros residenciais ficam mais comuns. De acordo com a Fundação, toda alteração pode interferir nas diferentes populações de animais em determinado local, por isso os estudos científicos são importantes e apontam riscos e vulnerabilidades aos animais e também aos humanos em cada situação.

A entidade explica que situações de estresse para o animal ocorrem a todo momento, mas o estresse prejudicial é o agudo, que leva o animal a apresentar uma resposta súbita e intensa de tal forma que pode colocá-lo em risco, como uma fuga ocasionada por um ruído forte, intenso e ameaçador. Todas as espécies são vulneráveis ao estresse e ele, a longo prazo, pode impedir que o animal tenha acesso a recursos, proteção, capacidade reprodutiva, busca e acesso a alimento, água e abrigo. Esses fatores podem impedir que, biologicamente, o animal possa viver e se reproduzir.

A Fundação afirma que realiza ações como a sinalização, dentro do padrão do Código Nacional de Trânsito (CNT), de áreas com animais silvestres. Também foi realizado o monitoramento de áreas críticas e a colocação de placas educativas que mostram as espécies mais vulneráveis ao atropelamento, nas proximidades de pontos com maior registro de atropelamento de animais.

Há parcerias firmadas com universidades para pesquisa, sendo Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Unicamp, Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Escola Superior de Agricultura 'Luiz de Queiroz' (Esalq/USP). Sempre que necessário, é realizado o diálogo com as concessionárias de rodovias, segundo a Fundação.


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