Jundiaí

Jundiaí se destaca nas tradições culinárias de comidas de boteco

ÁGUA NA BOCA O município acumulou pratos e receitas únicas que marcaram o cotidiano dos moradores da cidade e dos apreciadores de uma vida boêmia


                     ALEXANDRE MARTINS
Benedito Xavier prepara o tradicional bolinho de carne com queijo há mais de 40 anos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Quando o assunto é culinária, Jundiaí tem seus grandes destaques, a coxinha de queijo, considerada patrimônio imaterial da cidade é um grande exemplo dessa deliciosa tradição. E, para acrescentar nosso cardápio, os famosos petiscos de bares se apresentam para rechear o cotidiano jundiaiense, junto com históricos personagens da cidade.

CARNE COM QUEIJO

Há 41 anos, Benedito Xavier, popularmente conhecido como "Dito", é dono de um bar na avenida Samuel Martins, altura do nº222, na Vila Arens. Sendo reconhecido pelos moradores da cidade por seus bolinhos fritos, principalmente o de carne com queijo. "A receita é da minha esposa, que fazia em casa para a gente comer. Mas então resolvi começar a vender no bar e foi dando muito certo", conta.

Segundo Dito, os bolinhos começaram a ficar famosos há 18 anos. Antes disso, a grande atração do bar eram as rodas de truco entre os moradores da região. "Antigamente eu fazia panceta, torresmo, queijo na chapa, joelho de porco e pastel. Mas daí o bolinho começou a dar tão certo que hoje em dia eu não faço mais nada, me garanto só com os bolinhos", afirma.

Além do bolinho de carne com queijo, o carro-chefe, Dito prepara outros sabores como o de bacalhau, entre quinta e sábado, e os bolinhos de frango, carne, carne com azeitona e batata com queijo durante toda a semana, pelo valor de R$ 5 a unidade. "Tem muita gente de fora da cidade que vem aqui só para comer o bolinho, pessoas de São Paulo, Santo André, Itatiba, Louveira, entre tantos outros", comenta.

Pioneiro do prato, Dito não divulga suas receitas e lembra que é uma típica comida de boteco, sempre bem acompanhada com uma bebida gelada. "Hoje em dia você encontra o bolinho em outros lugares, mas fui eu que comecei. E outra, a turma só copia o que dá certo né, o que não dá certo, ninguém faz", brinca.

DELÍCIA DE PANCETA

Aparecido Martins Dos Anjos, também conhecido como "Cido" ou "Zé", é dono de um tradicional bar, localizado na avenida Prof. Nelson Álvaro F. Brito, altura do nº 19, no Jardim Torres São José, desde 1992. Reconhecido por sua deliciosa e única porção de panceta, mas a tradição alimentícia vem de outras gerações. "Quando meu pai veio para Jundiaí nos anos 80, aqui na região da Hortolândia não tinha muita coisa além dos campinhos de futebol. Então nos domingos, quando o pessoal saía do futebol, iam todos para o bar do 'Seu Zé', comer uma costela, um franguinho, uma pancetinha e, assim, fomos ficando conhecidos", conta.

No início, o pai de Aparecido comprava a barriga do porco e colocava para salgar e para secar, hoje em dia, ela é mais manufaturada. "A porção de pancetinha começou a ficar bem popular nos anos 2000, por causa do polo de faculdades que tem aqui perto. E foram os universitários que ajudaram a divulgar, eles sempre vinham para tomar umas e acabavam pedindo o petisco. Temos clientes que fizeram faculdade e vêm aqui até hoje, para relembrar os velhos tempos e rever os amigos da época", comenta.

Os valores das porções variam, pois Cido vende a panceta por pedaço, sendo R$ 6 cada. "O ideal é comer quentinho mesmo, então pedir aos poucos é uma boa, além disso, se deixar esfriar, ele murcha. E os clientes podem pedir se eles querem picadinhos ou em outros cortes", afirma.

TORRESMO

Outro famoso prato de Jundiaí é a porção de torresmo do João Zito Fontes, conhecido como "Ceará" e dono de um bar na rua Marechal Deodoro da Fonseca, 123, no Centro. Apesar do apelido, João é natural do Rio Grande no Norte e mora na cidade há 35 anos. Durante este tempo, resolveu se arriscar na culinária até se tornar uma referência nacional. "A ideia de fazer o torresmo começou quando eu trabalhava de garçom em Campinas. Em um dia, havia chegado um pedaço de banha de porco lá no restaurante, então resolvi retirar o toucinho e fritar uns torresmos para os clientes comerem tomando chope, o pessoal gostou muito e foi aí que essa comida entrou na minha vida", conta.

O torresmo do João começou a ficar bem popular há uns cinco anos, quando ele e seu filhos realizaram alguns eventos na cidade, o "Torresmo Day". "Muita gente de fora, do país todo, começou a nos procurar. O pessoal que ia viajar para a praia, por exemplo, passava em Jundiaí só para experimentar nosso torresmo", afirma. João vende o torresmo em duas grandes porções, uma por R$ 25 e outra maior por R$ 40.

 

DICAS

Dicas

Para se preparar uma deliciosa panceta, Aparecido conta que o segredo é a prática constante. “Eu uso a costela suína desossada e quando a gente se acostumou a fazer bastante, o sabor não mudava muito, então conseguimos manter a mesma qualidade em todas as porções, foi uma questão de prática mesmo. É importante ressaltar que não usamos frigideira para a fritura, nós usamos uma panela de pressão sem tampa, pois tem que ser uma panela bem forte e que dure o dia todo, fritada atrás de fritada. Assim, conseguimos preparar os pedaços a cada meia hora e por isso, a porção sempre estará fresquinha e quente. Além de ser prático, é fácil de cortar, bom para quem quer comer tomando alguma bebida gelada. E o acompanhamento varia, tem uns que gostam de comer com um limãozinho e outros que curtem colocar um shoyu”, conta.

Já para se fazer um torresmo crocante e com um ótimo sabor, João explica que a escolha da carne é crucial. “Eu trabalho só com a parte lombar do porco, então para fazer um bom torresmo, você precisa saber escolher bem a carne, de preferência o toucinho. Quando a carne chega, eu corto, lavo na água, depois lavo no vinagre, lavo novamente na água para retirar o excesso de vinagre e descanso no sal grosso por 5 minutos. O sal grosso é o único tempero do meu torresmo. Em seguida, ele vai pro tacho. E é importante dizer que eu não coloco óleo, o ideal é sugar toda a banha que o toucinho tem. Quando começa a sugar a banha, mais ou menos na metade do processo, ele começa a estourar e quando derreter toda a banha, já estará pronto para consumo”, afirma.

 


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