Jundiaí

Sobe número de alunos que saem da rede privada

EDUCAÇÃO Migração de rede de ensino e evasão escolar são reflexos sociais da pandemia no ensino


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Michele Reis colocou a filha na creche pública após redução de salário
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Com o agravamento da crise econômica, muitos pais resolveram trocar seus filhos de escola e o ensino público e municipal receberam esta demanda.

De acordo com dados da Unidade de Gestão de Educação (UGE), em 2020 foram realizadas 447 matrículas de alunos no ensino municipal oriundos da rede privada. Este ano, o número chega a 245 alunos matriculados segundo a Unidade de Gestão de Educação (UGE) de Jundiaí.

Considerando que passaram aproximadamente quatro meses deste ano, proporcionalmente, a média mensal de transferências em 2021 foi de 61,25 contra 37,25 do ano passado, o que significa um aumento de 64%.

Na rede estadual por sua vez, não houve diferença considerável. De março a dezembro de 2019 foram 246 alunos que ingressaram na rede estadual oriundos do ensino privado. No mesmo período de 2020 este número era de 250.

Já no estado todo, no período mencionado, a rede estadual recebeu 10.811 alunos de transferência em 2019. Em 2020, também de março a dezembro, foram 15.615 alunos que saíram do ensino particular e foram para o público, aumento de 44%.

RENDIMENTOS

Para quem optou pela transferência, a queda no salário falou mais alto. Foi o caso da analista de vendas Michele Reis, de 36 anos, que mora em Itupeva. Ela conta que antes da pandemia as duas filhas, de sete e um ano e cinco meses, frequentavam escolas particulares.

"A minha filha maior estuda no Sesi e a bebê estava na creche particular, mas eu e meu marido tivemos redução nos salários e, devido ao gasto, a coloquei em uma creche pública", conta.

A mudança estritamente financeira decidida em março deste ano deve permanecer por enquanto. "Seria melhor se ela estivesse na particular. Eu trabalho e agora ela não está estudando porque as aulas na creche pública não voltaram, mas a particular onde ela estudava continua aberta."

Ainda assim, Michele não pretende colocar a caçula Lívia de volta na particular. "Até recuperar a questão financeira leva tempo e creio que ela não vá voltar para a creche particular."

DESIGUAL

Além da mudança no perfil escolar devido à baixa em rendimentos familiares desde o início da pandemia, outro fator delicado, escancarado e ampliado pela pandemia, é a evasão e a exclusão escolar.

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) levantados em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) mostram que 667 mil crianças e adolescentes ficaram excluídos da educação na pandemia no estado de São Paulo, ou seja, estes estudantes não estão conseguindo acompanhar as aulas.

O avanço calcado ao longo das últimas décadas para o acesso à educação no país sofreu retrocesso na pandemia. Ainda de acordo com a pesquisa, em novembro de 2020, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não frequentavam a escola, remota ou presencialmente. Outros 3,7 milhões estavam matriculados, mas não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram se manter aprendendo em casa.

No total, 5,1 milhões tiveram seu direito à educação negado em novembro de 2020, número semelhante ao que o País tinha no início dos anos 2000. O dado corresponde a 13,9% da população de 6 a 17 anos do país. Em São Paulo, foram 667 mil, 9,2% desta faixa etária.


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