Jundiaí

Casos de dengue sobem 39% neste início de ano

DOENÇA Já acomete mais pessoas no primeiro quadrimestre do que em todo o ano de 2020 em Jundiaí


         ALEXANDRE MARTINS
Luiza Zamora Bettiati pegou dengue há cerca de duas semanas
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Os casos de dengue em Jundiaí já somam 146 registros desde o início do ano contra 105 em todo o ano de 2020. Mesmo estando apenas em maio, os primeiros quatro meses do ano registram 39% mais casos do que todo o ano passado, com destaque para os casos autóctones, ou seja, 111 ficaram doentes no município.

Entre os infectados estão as irmãs Júlia, de 21 anos, e Luiza Zamora Bettiati, de 14 anos. Ambas se recuperaram recentemente da doença.

"Peguei faz cerca de duas semanas, mas agora estou melhor. Minha irmã teve muita febre e no dia seguinte eu também tive, inclusive com dor de cabeça. Primeiro achamos que pudesse ser covid, mas fizemos o teste de dengue primeiro e deu positivo", relata Luiza.

Júlia acredita ter contraído a doença após a visita feita ao pai, também diagnosticado com a doença. "Ele teve sintomas na sexta de manhã e eu à noite. A Luiza no sábado de manhã. No começo é só uma febre, sem nenhum outro sinal, mas por estarmos em uma pandemia, a gente acha que o mais provável é covid. Não pensei que fosse pegar dengue agora, mas as pessoas estão pegando mesmo e não só em Jundiaí."

REFLEXOS

Lurdes de Fátima Zimiani Toneto, de 66 anos, pegou dengue duas vezes. A primeira foi em 2019, quando houve um surto, com registro de 2.885 casos em Jundiaí, e depois em 2020.

"Na primeira vez fiquei bem mal, mas na segunda foi pior. Tinha muita dor no corpo, falta de ar, dor de cabeça e minhas dores não sumiram. Ainda sinto dores no joelho, mas vou passar com um reumatologista", comenta.

MONITORAMENTO

Em Jundiaí, o bairro com maior incidência da doença é a Vila Comercial (42), seguido pelo Jardim Florestal (17), Anhangabaú (8), Novo Horizonte (6) e Vila Rami (5). Há outros 19 bairros com quatro ou menos casos registrados.

A biomédica da Vigilância de Saúde Ambiental (Visam), Ana Lúcia de Castro, esclarece que a dengue é uma doença sazonal, ocorrendo principalmente entre os meses de outubro a maio, e a transmissão é multifatorial e envolve vários aspectos, como a circulação do vírus na região, o deslocamento das pessoas, a imunidade da população e aspectos ambientais, bioecológicos e climáticos.

"Em cada ano as arboviroses se apresentarem de forma diferente", relata.

A Visam fez avaliação de densidade larvária em fevereiro e, a cada 100 imóveis, havia dois com criadouros de larvas do Aedes aegypti em Jundiaí. "As avaliações de fevereiro de 2020 e de fevereiro de 2021 apontaram dados parecidos quanto à infestação do mosquito. Em 2021, as regiões com maior infestação são da Vila Hortolândia, Central, do Novo Horizonte e do Agapeama. Porém, há presença do Aedes em todas as regiões."

Ações de bloqueio da transmissão da dengue são realizadas constantemente pelos bairros. "Consistem na eliminação dos criadouros, controle químico e orientação para população. A partir das notificações, também realizamos investigação epidemiológica, com a visita do agente de zoonoses para avaliação dos sintomas, das coletas de exames, busca ativa de novos sintomáticos e avaliação do local para bloqueio."

Só este ano três estabelecimentos com criadouros do mosquito, foram autuados, mas as multas só são aplicadas em casos extremos. A prioridade é a conscientização da população para que não haja, em qualquer lugar, acúmulo de água e proliferação do mosquito.

 


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