Jundiaí

Mães e filhas são unidas pelo amor e pela profissão

HERANÇA Famílias compartilham dos mesmos interesses e se encontram no universo profissional felizes, realizadas, orgulhosas e completas


           ALEXANDRE MARTINS
Natalina, Nadia e Giuliana Taffarello enxergam o direito com amor e a advocacia uniu mais ainda a família
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Há algumas gerações, era comum o filho seguir a carreira do pai. Após a profissionalização feminina, famílias inteiras mostram como o amor entre mãe e filha também pode sobrepor o fator comum e virar uma tradição profissional.

AMOR PELA JURÍDICA

Nadia Taffarello Soares tem 55 anos, é defensora pública aposentada e explica a escolha da profissão. "Na minha família sempre aprendi e exercitei valores como ética, respeito, empatia e verdade. Minha mãe sempre disse que, na dúvida do que fazer, se nos colocarmos no lugar do outro, saberemos qual caminho seguir. Com esses valores desde cedo e a minha personalidade forte, não podia ter sido outra coisa além de advogada", diz.

Sua mãe, Natalina Taffarello de Camargo, de 79 anos, é formada em direito mas nunca exerceu a profissão, por receio. "Sempre trabalhei como secretária executiva. Apesar de não ter me tornado advogada ou defensora, cursar direito foi muito útil na minha profissão, pela variedade de matérias envolvidas. Depois de muito tempo, cheguei a estagiar com minha filha por dois anos e foi uma conquista muito gratificante", explica Natalina.

Nadia conta que seguir a profissão da mãe foi um desafio lindo, mais gratificante ainda quando o interesse da filha surgiu. "Escolher a mesma profissão que minha mãe foi incrível, ainda mais quando ela fez estágio comigo. Foi assim que minha filha cresceu no meio jurídico, desenvolvendo um espírito crítico que a levou até a advocacia. Hoje nós duas mantemos um escritório com o sobrenome de minha mãe, nossa inspiração", afirma.

Giuliana Taffarello Abbud, de 26 anos, explica a trajetória. "Eu praticamente cresci na Defensoria Pública de Jundiaí. Lembro de levar alguns brinquedos e ficar embaixo da mesa, ao lado do pé de minha mãe, enquanto o atendimento ao público se realizava. Um pouco mais velha, desenvolvi certa aversão à profissão e dizia que jamais faria direito, que era muito chato e tinha que ler bastante. Hoje penso diferente, descobri que a leitura sobre o que gostamos pode ser leve", diz.

Depois do ensino médio, Giuliana foi cursar moda. "Acabei sendo tomada por um vazio e um sentimento de que eu não pertencia àquele curso. Depois de muito pensar e, com o apoio da minha mãe, ingressei na faculdade de direito. Foi ali que me encontrei. Descobri que todos os valores, passados da minha avó para a minha mãe e depois para mim, podiam fazer a diferença no meio jurídico e na vida das pessoas. Elas são um modelo para mim", afirma.

Observando como filha e neta foram longe na estrada da advocacia, Natalina se emociona. "Sinto um orgulho imenso por elas seguirem o caminho que iniciei, é muito gratificante. Tenho certeza absoluta de que farão muito sucesso", diz.

AMOR POR SORRISOS

A cirurgiã dentista Gisele Regina Piccolo Peron Bortoletto, de 49 anos, tem cinco filhos e a mais velha também resolveu cursar odontologia. "Sou formada há 27 anos e exerço minha profissão com muito amor e dedicação. Quando estava no ensino médio, fiz estágio com alguns dentistas e logo tive certeza do que queria fazer no futuro", explica Gisele.

Sua mãe, Glaydes Maria Piccolo Peron, de 75 anos, se interessava pela odontologia mas nunca chegou a ir para a faculdade. "Eu me casei e fui morar em Araraquara. Sempre tive vontade de fazer faculdade, já era formada professora mas nunca lecionei. Eu não prestei vestibular porque era bem mocinha, em uma cidade nova, fiquei com receio por não conhecer ninguém", diz.

Quando saiu o gabarito, Glaydes teria ido bem o bastante para ser aprovada. "No ano seguinte fiquei grávida da Gisele, depois tive outros filhos e acabei não estudando mais. Naquela época, a mulher era responsável por cuidar da casa e dos filhos, não existiam tantas oportunidades e deixei pra lá", explica.

"Eu não consegui fazer a faculdade, mas me vejo realizada. É satisfatório vê-las conseguirem o que sempre quiseram e alcançarem seus sonhos. É uma alegria como mãe e avó", diz Glaydes.

Beatriz Peron Bortoletto, de 22 anos, fala sobre o interesse na área. "Comecei a trabalhar como secretária da minha mãe nos tempos livres, enquanto cursava o ensino médio. Na época eu não tinha interesse, mas vi que tinha facilidade com a área e que gostava de lidar com a saúde das pessoas. Amo e me identifico demais com a profissão que escolhi, morro de orgulho da minha mãe e sei que serei muito bem assistida e orientada por ela. Ela é minha inspiração", diz.

A escolha de Beatriz foi motivo de alegria, conta Gisele. "Como mãe, quase morri de orgulho quando soube da escolha dela. Como profissional, fiquei extremamente feliz e muito mais realizada por ela dar continuidade ao meu trabalho. Agora tenho uma colega, parceira e companheira para desenvolver cada vez mais a minha missão de cuidar da saúde e dos sorrisos das pessoas", afirma.

Hoje a visão de Gisele sobre a profissão mudou positivamente. "Depois que minha filha entrou na faculdade, começamos a falar a mesma língua profissionalmente, dividindo experiências e conhecimento. Isso me deu ânimo para me atualizar sobre novos conhecimentos e técnicas, investir em cursos e tecnologias", explica.

A cirurgiã dentista nem imaginava o interesse da filha pela área. "Foi muito espontâneo, nunca pressionei a Beatriz. Fui a última da casa a saber que ela prestaria o vestibular, mas é muito gratificante e motivador ter esse toque familiar na história da minha profissão", diz.


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