Jundiaí

Em meio à pandemia, Estado registra pouca evasão

RETROCESSO Dados do Unicef mostram que a exclusão escolar no estado chega a 667 mil alunos


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Elaine Aparecida Barreto diz que a educação merece atenção faz tempo
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A evasão escolar durante a pandemia em todo o Brasil é algo que preocupa, em especial pela limitação de alunos no acompanhamento às aulas durante o período de ensino remoto. Mesmo assim, dados da Secretaria Estadual de Educação mostram baixa evasão escolar no estado.

Em Jundiaí, o índice de evasão em 2020 ainda não foi contabilizado. No ensino fundamental, o índice de abandono era de 0,78% dos alunos em 2018 e caiu para 0,4% em 2019. Já no ensino médio, o abandono em 2018 era de 2,22% e diminuiu para 1,47% em 2019.

No estado de São Paulo, o abandono no ensino fundamental em 2018 chegava a 0,85%, mas passou para 0,94% em 2019 e caiu para 0,16% em 2020. Já no ensino médio, o abandono era de 2,39% em 2018, 2,68% em 2019 e 0,34% em 2020. Os índices de aprovação também aumentaram entre 2018 e 2020 em São Paulo.

Em contrapartida, um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que, em São Paulo, 667 mil crianças e adolescentes ficaram excluídos da educação durante a pandemia. Após praticamente todo o ano de 2020 com muitos estudantes sem acesso à internet, seja por falta da rede ou por não terem computador ou celular para assistir às aulas on-line, neste ano o Estado de São Paulo começou a entregar chips para alunos vulneráveis da rede estadual.

REFLEXOS

Para a doutora em Educação e coordenadora dos cursos de Pedagogia e Letras do Centro Universitário Padre Anchieta (Unianchieta), Elaine Aparecida Barreto, a educação, forçada a mudar na pandemia, já tinha deficiências. "A evasão escolar é preocupante, mas já era preocupante. Se você perguntar porque o jovem não se interessa, tem uma coisa a se pensar. Qual é o interesse desse jovem? Será que a escola consegue atrair o jovem? Com a pandemia, todos foram pegos de surpresa. Muitas vezes o jovem não tinha internet. Existe a consequência do cenário econômico, social, que esses jovens estão vivendo, então não é somente um desinteresse, são várias questões."

No entanto, ela afirma que a situação pode ser revertida se houver investimento na educação. "Isso pode ser revertido, se olharmos para o currículo, e principalmente para a capacitação dos professores. A escola vinha em um formato de muitos e muitos anos com todas as crianças na escola e as salas de aula superlotadas, então é preciso olhar para tudo isso. Esses impactos foram revelados na pandemia."

Para o juiz da Vara da Infância e da Juventude de Jundiaí, Jefferson Barbin Torelli, a frequência de alunos na escola é obrigatória por lei e, para evitar a evasão de adolescentes, há alternativas, como as aulas noturnas. "A frequência no ensino fundamental é obrigatória por lei e agora, com a pandemia, mesmo o aluno que tem carência de recursos, deve retirar as atividades na escola, os que têm um computador com acesso à internet têm as aulas on-line."

Ele lembra que por ser obrigatório, existem vários meios para que o aluno carente estude. A evasão escolar é uma situação lamentável. "O Conselho Tutelar tem que ficar atento a isso, se as crianças e os jovens estão frequentando a escola. A estrutura do ensino propicia que o jovem, a partir de determinada idade, possa trabalhar e estudar, justamente para isso existem aulas noturnas e EJA [Educação de Jovens e Adultos]. O que se espera é que o aluno que precisa trabalhar busque essas alternativas", diz ele.

DISPARIDADE

Enquanto em São Paulo os dados apontam melhora na aprovação e na evasão, dados do relatório da Unicef mostram outra realidade no Brasil. Em 2020, cerca de 5,5 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso à educação e 1,38 milhão de alunos, com idades entre 6 e 17 anos, abandonaram a escola, representando 3,8% dos estudantes.

Com esta evasão, o Brasil voltou a índices de duas décadas, como explica o representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer. "Os números são alarmantes e trazem um alerta urgente. O País corre o risco de regredir duas décadas no acesso de meninas e meninos à educação, voltado aos números dos anos 2000. É essencial agir agora para reverter a exclusão, indo atrás de cada criança e cada adolescente que está com seu direito à educação negado, e tomando todas as medidas para que possam estar na escola, aprendendo".


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