Jundiaí

Imobiliárias apostam no digital e têm lucro na crise

ON-LINE Pandemia levou imobiliárias a simplificarem processos e a investirem no mercado digital


          ALEXANDRE MARTINS
Maria Auxiliadora optou por colocar seu imóvel para alugar em uma corretor digital pela facilidade
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O setor imobiliário teve que se adaptar à pandemia e ao isolamento social. No entanto, o que antes já era uma tendência se tornou uma excelente fonte de receita: o mercado digital. O aluguel e venda de imóveis pela internet fez tanto sucesso, que muitas imobiliárias conseguiram ampliar as vendas, mesmo durante a crise. Para os proprietários de casas e apartamentos também foi um sucesso, devido à facilidade dos processos.

O empresário Fernando Luiz Anésio Jr., da Santória Imóveis, constatou um aumento de 60% nas suas vendas de 2020 para cá. "Nós nascemos no digital, há três anos, então não tivemos que nos adaptar", explica. Sua imobiliária é 100 % digital, portanto a plataforma já contava com toda a experiência virtual, com fotos, vídeos, assinatura de contrato, tudo de forma descomplicada. "Esse aumento na demanda é principalmente de pessoas que deixaram capital para vir morar no interior. Hoje, 80% dos meus compradores correspondem a esse perfil."

Se para Fernando não foram necessárias mudanças, para quem não estava adaptado ao mercado digital foi preciso mudar totalmente o sistema de atendimento. Sue Ellen Raminelli, da Corretor Unido, explica que precisaram criar visitas on-line e adaptar a burocracia para o digital. "Com a pandemia criamos essas visitas virtuais, com vídeos dos imóveis prontos", conta. "Quando o isolamento se flexibilizou voltamos a atender, porém apenas um cliente por vez e com horário agendado, mas ainda assim muitas pessoas preferem comprar de forma remota."

A corretora considera uma boa opção para quem mora em outro local ou simplesmente prefere a facilidade. "Os clientes mais jovens gostaram muito da possibilidade de assinar o contrato de compra pela internet, sem ter que perder tempo indo ao cartório, por exemplo. Os mais velhos ainda desconfiam do processo digital, mas aos poucos isso está mudando", completa.

MUDANÇA PRA VALER

Raminelli explica que as vendas 100% digitais correspondem à metade da clientela. "Teve cliente que eu nem vi, porque fizemos todo o atendimento remoto. Esse processo é mais simples e mesmo após a pandemia vai substituir a burocracia antiga, com certeza."

Flávio Massari, da Five Imóveis, também incluiu o processo digitalizado e aposta em sua continuidade. "É excelente porque não precisa reconhecer firma. É algo que a pandemia trouxe, mas que com certeza continuará porque facilita o dia a dia." Ele explica que a maioria dos lançamentos já não trabalha mais com contrato físico. "Veio para modernizar."

Outra mudança foi a captação de clientes on-line. De acordo com o corretor, 98% dos seus clientes vêm pela internet. "O site é a vitrine e também facilita para o proprietário, que pode visualizar com seu login e senha quantas pessoas fizeram a visita on-line no seu imóveis, quantos pediram propostas etc."

Mais tradicionais, Nadima Abdo, da Colina Imóveis diz que a porcentagem de clientes que vêm pelos meios digitais não ultrapassou 50% do total de atendidos. Mesmo assim, também investiram em um site mais responsivo e a assinatura de contratos virtual. "Boa parte dos clientes busca no site, mas opta por entrar em contato para finalizar o atendimento presencialmente", diz.

FACILIDADE

Foi essa facilidade que atraiu a aposentada Maria Auxiliadora Namen Sousa, 67 anos, que já trabalha com imobiliárias digitais há três anos. "Tenho um apartamento que alugo e antes disso trabalhava com imobiliárias tradicionais, mas ocupa muito o tempo por ter que ficar acompanhando visitas. Com a imobiliária digital, eu só precisei fazer o contato e eles cuidaram de todo o resto."

As fotos e vídeos foram feitas pela imobiliária, assim como os anúncios. "Em dois meses 300 pessoas fizeram a visita virtual e 20 marcaram para ir conhecer presencialmente. A imobiliária também tem corretores cadastrados que acompanharam e eu não precisei fazer nada. O contrato foi assinado pela internet e todos os meses cai na minha conta, inclusive com seguro da imobiliária caso o locatário não pague."

Por essa comodidade, ela aceitou até pagar um pouco mais do que a taxa de mercado. "Eles cobram 8,5% em cima do valor do aluguel, mas o fotógrafo e toda a assistência já estão inclusos. Para mim valeu a pena."


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