Jundiaí

Formato 'liga e desliga' preocupa seguradoras

DÚVIDAS Apesar de já existir há um tempo, o modelo só foi autorizado no país em 2019 pela Susep


ALEXANDRE MARTINS
Maureci Ferrite de Oliveira diz que o formato ainda não está estabilizado
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com o avanço da pandemia, seguradoras internacionais começaram a aderir ao formato de seguro sob demanda ou o 'liga e desliga', aquele seguro cuja comercialização tem um período reduzido. Formato este que já chegou ao Brasil, autorizada inclusive pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), mas ainda traz incertezas devido a poucas seguradores utilizarem e por estar em fase de estudos e observações.

Esse produto é um contrato para proteção de veículos, mas tem seu tempo determinado, ou seja, o dia de início e de término. Procurados pela equipe de reportagem do JJ, alguns representantes de seguradoras falam do prós e contras deste tipo de seguro.

Para o Maureci Ferrite de Oliveira, diretor da Gebram Seguros, esse formato de seguro ainda não está bem estabilizado no mercado e oferece riscos. "Eu ainda não tenho visto as companhias de seguros tradicionais, as de ponta, estarem ofertando esses produtos 'liga e desliga'. Daquelas que operamos, ainda não temos essa disponibilidade. É um produto que precisa de bastante esclarecimento, temos que esperar um pouco ainda para aderir", comenta.

Segundo Maureci, o seguro sob demanda não deixa de ser um produto alternativo para os clientes que enxergam nesse tipo de contrato, algo útil. "Hoje com a pandemia, tem muitas pessoas com o carro parado por exemplo, então esse formato talvez acabe sendo bom nesse caso. Mas eu me sinto um pouco inseguro, pois não sei se as pessoas que comprarem esse produto terão o hábito para ligar ou desligar a cobertura", conta.

Oliveira reforça que é cedo para tirar conclusões se o consumidor vai aderir ou não a este tipo de produto. "O mercado ainda tem muito o que aprender e observar os comportamentos desse produto, antes de começar a taxá-lo. Não se sabe se vai criar mais problemas do que soluções. Acredito que daqui um tempo estará na maioria das prateleiras das corretoras de seguros do país", afirma.

DE OLHO NO MERCADO

De acordo com João Renato Cecchi, gerente da Marechal Corretora de Seguros, o novo formato traz muitas inseguranças. "Não posso expor esse tipo de produto para os clientes, no qual se ele esquecer de ligar, ele poderá ser prejudicado. Como é algo muito novo, tem pouca regulação e como empresas tradicionais tem que oferecer solidez, entendemos que não é o momento", comenta.

Cecchi ressalta que essa nova oferta pode não trazer muitos benefícios financeiros para os clientes. "Quando eu fiz uma cotação em uma empresa do Rio de Janeiro, constatei que iria pagar menos no seguro tradicional do que no 'liga e desliga'. O jeito tradicional pode parecer mais caro, mas esse novo formato vai depender muito da análise de perfil do clientes", explica.

Segundo João, as 10 maiores seguradoras do país não trabalham com esse tipo de seguro. "Além de não ser necessariamente mais barato e de trazer muita insegurança, existe uma cultura de nós brasileiros que pode impedir isso de progredir. Não é porque deu certo em tal país, que vai dar certo aqui. São realidades distintas. Temos que ter uma mentalidade de adaptação de tecnologia para nossa realidade", afirma.


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