Jundiaí

Podendo alugar, donos de chácaras mudam o perfil dos contratos

Segundo o Plano SP, eventos são permitidos com ocupação máxima de 25% da capacidade


ALEXANDRE MARTINS
Nelly Maria Wachulka aluga a chácara com as restrições necessárias
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com as restrições do Plano SP e a aplicação de multas salgadas em caso de descumprimento da lei, a locação de chácaras neste momento mira apenas encontros familiares, com restrição de pessoas.

Segundo o Plano SP, eventos são permitidos com ocupação máxima de 25% da capacidade dos ambientes e distanciamento, mas, no que diz respeito às chácaras, todo cuidado é pouco. Muitos se tornaram refúgios para festeiros que promovem aglomerações.

Para voltar a gerar renda os proprietários têm sido cautelosos. Com uma chácara no bairro dos Fernandes, Nelly Maria Wachulka precisou se adaptar à nova realidade. "A gente alugava para casamento, aniversário, inclusive podia até 100 pessoas, mas agora a gente só aluga de dia para almoço, no máximo 30 pessoas e nada de som alto, banda", comenta ela sobre o local que tem mesas e cadeiras para as refeições.

Quando a pandemia começou, ela interrompeu as locações. "De março a novembro de 2020, não aluguei, e quem tinha reserva, devolvi o dinheiro.

Nelly também investiu em uma reforma para famílias passarem mais de um dia. "Reformei a chácara e fiz dois quartos, alugo para família de até 10 pessoas para dormir também, mas assim, quem vem, é mais de fora de Jundiaí. Quem é daqui, geralmente, só passa o dia."

O controle do respeito às regras é feito por ela mesmo. "Moro aqui, então tenho como controlar. Conheço gente que aluga chácara, mas não mora no local, aluga para 20 pessoas e vão 80 para fazer festa. Festa grande dá muito problema, então, por um lado, foi até boa essa mudança."

O proprietário de uma chácara em Itupeva, Frederico Haddad, fez algumas adaptações. "O número de pessoas não mudou muito porque antes da pandemia eu já estava limitando a 15 pessoas, mas com a pandemia mudei regra em relação a bagunça, som alto. Para festa eu não alugo mais, agora só alugo para família que quer passar o final de semana ou até dia de semana", diz ele sobre o local que, no anúncio, já indica a possibilidade de locação para quem trabalha em home office neste período.

Haddad diz que a mudança deve prosseguir. "Mesmo quando acabar a pandemia, pretendo continuar com essa limitação. Assim tem procura e evito problema", diz ele sobre as festas que costumam dar dor de cabeça aos donos de chácaras.

MEDO

Com a chácara em Ivoturucaia sem locação há meses, Cibele de Carli ainda teme pelas multas. "Não estou alugando. Fiz anúncio recentemente, 15 pessoas me procuraram, mas ainda não aluguei. Fiquei no ano passado com a chácara fechada por muitos meses, só voltei a alugar em setembro, quando podia, com a porcentagem certinha de cada fase."

Ela conta que a busca pelo espaço é grande. "A procura é gigante, com os mais variados perfis. Tem gente que quer alugar para menos pessoas e tem quem queira alugar para mais, mas tenho medo de ser multada. Já me disseram que a multa é alta e, se reduz a quantidade de pessoas, já reduz o aluguel", conta ela sobre a punição que renderia um prejuízo grande.

Ela já presenciou festas grandes próxima a sua chácara e lamenta que as pessoas não tenham entendido do perigo. "Passo por algumas chácaras e tem lugar grande que faz festas com muitas pessoas, mas as pessoas que me procuram não entendem que aqui não pode este tipo de evento. É proibido e a multa é muito alta."

FISCALIZAÇÃO

A região do Aglomerado Urbano de Jundiaí tem grande quantidade de chácaras. Para conter as aglomerações clandestinas em chácaras, as Guardas Municipais da Região têm atuado nessas regiões a partir de denúncias.

Em Jarinu, por exemplo, a GM usa até drone para identificar locais onde há aglomerações na zona rural da cidade. Já em Itupeva, a maior atuação da GM aos fins de semana é justamente nas regiões de chácaras.

(Nathália Sousa)

 


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