Jundiaí

Clubes temem fechamento total de suas atividades

SOCORRO Os locais, outrora tão estimados pela sociedade jundiaiense, hoje têm dificuldades sérias


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Selma Garcia explica que o São João já tem problemas financeiros há alguns anos, mas a pandemia os agravou
Crédito: ARQUIVO JJ

Mesmo com o retorno das atividades em suas dependências, os clubes recreativos de Jundiaí têm sofrido com a falta de recursos para suprir as contas. Alguns inclusive temem o fechamento total de suas portas.

Com 108 anos de história e sendo um dos principais clubes de Jundiaí, essencial para o esporte do município, o Clube São João, na Ponte São João, é o que talvez tenha a situação mais crítica. Uma assembleia com os associados foi convocada para o próximo dia 30 e a pauta é o fechamento definitivo do clube.

A presidente Selma Garcia conta que o período de pandemia agravou a situação. "Infelizmente perdemos muitos sócios durante a pandemia. Fechamos o mês de abril com 100 sócios pagantes e este valor não supre as necessidades básicas do clube. Não conseguimos enxergar uma melhora com esta reabertura, pois ainda estamos em um período de inconstância, sem saber se permaneceremos abertos ou se tudo fechará novamente", lamenta.

As dívidas do Clube São João já vêm se arrastando há muitos anos. "Quando assumimos em 2017, já existiam muitas contas atrasadas, mas conseguimos sobreviver com os sócios pagantes que tínhamos antes da pandemia, fazendo acordos com os nossos credores. Apresentamos as contas ao nosso Conselho Deliberativo e chegamos ao consenso de que uma das alternativas para que ninguém fosse responsabilizado pelas dívidas seria a dissolução do Clube São João, que será decidida em assembleia", explica ela.

Selma diz que a permissão do Plano SP, não é o bastante neste momento. "Estamos tomando todas as medidas sanitárias exigidas, como controle de entrada, álcool gel distribuído em vários pontos do clube, tapete sanitizante e aferição de temperatura, mas, pelo Plano São Paulo, a única atividade permitida é o tênis. As outras atividades são coletivas, o que não é permitido."

O São João é sede dos times de futsal, basquete e caratê de Jundiaí, que disputam Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior. Sobre a possibilidade do fechamento, Selma comenta que apenas com o resultado da assembleia será possível analisar a situação do esporte. "Caso seja resolvido pela dissolução, vamos fazer tudo que for melhor para quem tanto contribuiu para este tradicional clube. Tudo será feito dentro da lei e das normas estatutárias da maneira mais transparente possível, jamais esquecendo dos nossos atletas e associados."

UNIÃO

Outro tradicional clube da cidade é o Clube Caxambu. O presidente Valdecir Ferreira Rosa diz que os demais clubes da cidade ficaram solidários à situação do São João e há uma movimentação, ainda incipiente, de união para a manutenção destes estabelecimentos.

"Diretores de outros clubes têm entrado em contato comigo para fazermos uma frente dos clubes e conseguirmos alguma ajuda municipal, algo neste sentido. A gente quer se unir porque já há poucos clubes em Jundiaí e muitos já fecharam."

Ele diz que o Caxambu voltou a ter atividades dentro do que é permitido, mas não tem, e nem pode ter, a aderência total do público. "Temos somente atividades ao ar livre, com ocupação de 25%, mas, com a pandemia, estamos tendo dificuldades. Ficamos fechados de março até setembro do ano passado. Quando voltamos, demos a carência de cinco meses aos nossos associados, com receita só de associados novos, mas em março deste ano fechamos de novo, o que agravou a queda da nossa arrecadação."

A receita do clube, segundo Valdecir, caiu cerca de 90%. Ainda assim, ele tem boas expectativas. "Nossa previsão, já com a vacinação, é que em quatro ou cinco meses a gente consiga retornar ao normal aos poucos. Estamos sendo criativos para trazer novidades e angariar receita de outras formas que não seja apenas pelos associados."

O diretor do Clube Uirapuru, Rodrigo Tessarde, diz que o que mantém muitos clubes é o futebol e se este esporte fosse permitido já ajudaria muito. "O que movimenta os clubes é o futebol. Como não pode esporte coletivo agora, os clubes têm essa dificuldade. Se pudesse ter, resolveria a situação."

Ele comenta que o Uirapuru teve uma debandada de 20% a 30% dos sócios neste período e agora, com a reabertura, poucos frequentam o local, por medo e pelas possibilidades de práticas. "O que foi liberado é a prática de exercício individual, caminhada, academia e o beach tênis, tudo com máscara, uso constante de álcool em gel, higienização dos aparelhos."

Ele diz que a reabertura autorizada no mês passado encorajou algumas pessoas. "Caiu bastante a quantidade de sócios, porém, com a pequena reabertura, tem gente querendo ser sócio novamente."

Procurados, os clubes Jundiaiense e Grêmio não retornaram à reportagem até o fechamento desta edição.


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