Jundiaí

Glúten pode ser cortado da dieta sem prejuízos

SAÚDE Pacientes com doença celíaca excluem o glúten da alimentação e buscam outras alternativas


     ALEXANDRE MARTINS
Nilséa prepara bolos, tortas e outras receitas sem fazer uso do glúten
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Hoje (16) é celebrado o dia mundial do celíaco. A doença celíaca é uma doença autoimune que se caracteriza pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada em cereais como centeio, trigo, malte e cevada. Apesar de algumas indústrias alimentícias oferecerem alternativas interessantes ao público, na hora de viajar ou sair com os amigos é mais difícil respeitar a rotina alimentar.

Nilséa Amorim Passarelli tem 52 anos, é empresária e descobriu há 17 anos a doença. "Além de celíaca, sou diabética. Eu tive dor de barriga durante uns oito meses e demorou para que os médicos descobrissem a doença", diz.

Após o diagnóstico, tudo que continha glúten foi cortado da alimentação. "O médico cortou todo o glúten da minha rotina e me mandou ler todos os rótulos dos produtos que eu comprava. Em dois dias sem ingerir o glúten, o desarranjo intestinal passou e foi um alívio imenso", explica.

Desde então, Nilséa não consome mais os produtos com glúten que consumia antes. "Quando saio com amigos, vez ou outra como uma fatia de pizza, mas me arrependo no mesmo instante. Quando viajo também é complicado, mas se é um destino mais perto, eu mesma levo o que consumir. Quando viajei para a Alemanha, tive que procurar alimentos feitos à base de batatas, porque a maioria lá é à base de farinha de trigo. Deu muito trabalho", afirma a empresária.

São poucas as opções para as comidas prontas sem glúten. "Quando encontro, são refeições e produtos bem caros. A exceção é o macarrão, que consumo pronto e é ótimo. Por conta dessa dificuldade, eu mesma compro os ingredientes e preparo pizzas, tortas, bolos e muitas outras receitas. Minha família adora a comida e eles não notam nenhuma diferença", diz.

Nas receitas, a empresária usa a farinha sem glúten, que é uma mistura de farinha de arroz, fécula de batata e polvilho doce. "No início não era fácil, a vontade de sair da dieta era grande. Aos poucos fui procurando outras alternativas, como a farinha sem glúten. Demorou para que eu encontrasse as melhores medidas para massas homogêneas, mas hoje gosto muito do resultado", afirma.

"A doença celíaca não me afeta em nada, me acostumei e vivo muito bem sem o glúten. Faço bolos maravilhosos e só recebo elogios. O que me faz sofrer mesmo é a diabetes, mas eu faço acompanhamento médico e lido bem com tudo isso", explica.

Nilséa aconselha quem acabou de descobrir a doença e se sente um pouco perdido. "É preciso encarar a doença seriamente e evitar ao máximo o glúten, pois a ingestão dele prejudica demais o organismo. Existem muitas opções pra consumir e cozinhar em casa é muito prazeroso. É importante enxergar os benefícios", ressalta a empresária.

ESTILO DE VIDA

A endocrinologista Mariana Soares Jorgino, de 39 anos, explica com mais detalhes a doença. "Pessoas com doença celíaca não são capazes de produzir a enzima que quebra o glúten, fazendo com que o organismo reaja a ele com a produção de anticorpos que agridem a mucosa intestinal. É uma doença que pode ser passada hereditariamente e é comum em membros da mesma família", diz.

As reações mais comuns após a ingestão de glúten são desordens intestinais, como diarreia ou constipação crônica. "Os pacientes também podem apresentar náuseas, vômitos, perda de apetite, déficit nutricional, emagrecimento, atrofia muscular, anemia, dor ou desconforto abdominal. Em alguns casos não comuns, a doença pode ser assintomática", explica.

Mariana afirma que a doença celíaca é mais comum do que muitos pensam. "No Brasil, acredita-se que existem mais de 300.000 casos. A doença é mais comum em mulheres e também pode existir a associação com outras doenças autoimunes, como a diabetes mellitus tipo 1, por exemplo", diz.

"Não existem medicamentos para tratamento da doença, apenas as mudanças dietéticas. Os alimentos que devem ser retirados da dieta são os que têm glúten, como pães, massas, pizzas e bolos", afirma a endocrinologista.

É preciso ser criativo para inserir outras opções na alimentação e tentar suprir a ausência do glúten. "Os pacientes devem fazer substituição por alimentos que não contenham trigo, cevada, malte ou centeio em sua composição. É neste momento em que o consumo de frutas, legumes, carnes, ovos e peixes entra em cena", explica.

Além de aumentar o consumo de alimentos de outros grupos da pirâmide alimentar, existem muitas variações de farinhas no mercado. "Bons exemplos para inserir na rotina são a farinha de arroz, farinha de mandioca ou de coco, que podem ser usadas nas receitas sem grandes prejuízos de sabor", diz.

Hoje em dia, alguns locais já comercializam produtos sem glúten, mas não todos. "É mais fácil de encontrar produtos sem glúten do que há alguns anos, mas depende da ocasião e do local procurado. Existem aqueles prontos em padarias e supermercados, ou farinhas especiais e outros ingredientes para receitas caseiras. Não acredito que essa população sofra algum tipo de exclusão, mas com certeza a inserção poderia ser maior e menos complicada", ressalta.

Toda doença que necessita de restrições alimentares exige grande comprometimento dos indivíduos para que eles garantam e melhorem a própria qualidade de vida. "Apesar de ser uma doença bastante restritiva, as melhores alternativas para driblar a situação envolvem comprar produtos sem glúten em locais específicos ou preparar as próprias refeições em casa. É muito importante ter autocontrole, reconhecer as responsabilidades com o próprio organismo e se cuidar", orienta a endocrinologista.


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