Jundiaí

Renda brasileira cai e até despesas básicas ficam mais difíceis

Com alta de 0,31% no IPCA de abril, inflação tem acúmulo de 6,76% em doze meses


ARQUIVO PESSOAL
Camila Moreira precisou vender a moto e o carro após perder o emprego
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Com alta de 0,31% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, a inflação brasileira já tem acúmulo de 6,76% em doze meses. Alguns itens, no entanto, subiram muito mais do que outros, como alimentos, energia elétrica e combustíveis, itens básicos, mas que estão cada vez mais pesados para o bolso.

O resultado é o poder de compra cada vez mais limitado e o consumo baixo, impactando principalmente as classes média e baixa, que destinam uma parte maior dos rendimentos para este tipo de despesa essencial.

A recepcionista Camila Moreira, de 29 anos, sentiu na pele a oscilação dos números. Ela perdeu o emprego e precisou se desfazer de alguns bens. "Eu estava afastada pelo INSS porque estava grávida e isso já diminuiu muito o meu salário, então tive que vender a moto que eu tinha para comprar as roupas da minha bebê. O meu carro era financiado e passei para frente porque não estava conseguindo pagar a mensalidade", diz ela sobre a venda que fez para se desfazer da dívida mensal.

No retorno ao trabalho, após a licença, não conseguiu continuar. "Exigiam condução própria na empresa e eu não tinha mais, então me transferiram, mas depois fui demitida. O que vai me ajudar agora é a rescisão e o seguro-desemprego que vou receber. Acho que eu não teria tanta dificuldade se não estivéssemos na pandemia", diz ela que precisou economizar no mercado e cortou a despesa da internet em casa.

Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o salário mínimo de abril deste ano representa apenas 20,6% do ideal para o sustento de uma família no Brasil.

O índice para o mês é o mais baixo da última década na comparação entre o salário mínimo e o respectivo custo de vida.

MUDANÇA

A educadora financeira Cintia Senna explica que o aumento da inflação está atrelado ao consumo básico e isso generaliza a alta de preços por se tratar de um efeito cascata. "A demanda de commodities subiu no mundo todo e o dólar teve aumento expressivo", diz ela sobre o grupo de produtos que é cotado mundialmente na moeda dos EUA e inclui alimentos de grande produção e petróleo, por exemplo.

Com o IGP-M [Índice Geral de Preços-Mercado] na casa dos 30%, este índice tem repasse em locação, a empresa que aluga um espaço repassa para os produtos e vira uma cadeia, o que acaba terminando no bolso do consumidor.

"A perda de renda do brasileiro ainda não tem um fim visível, mas tem acontecido há algum tempo. No ano passado houve a emissão da nota de R$ 200 e isso mostra que a moeda vem perdendo força. Há mecanismos, como o aumento da taxa de juros, para tentar frear a inflação, mas a gente vê o futuro ainda muito incerto. O salário mínimo não reflete o aumento de preços, da inflação, nem do IGP-M. Se eu recebo o mesmo valor com esses aumentos, o poder de compra diminui e o valor de R$ 100 antes, por exemplo, hoje equivale a R$ 20", explica.

Credito: ARQUIVO PESSOAL / Descrição: Educadora financeira, Cintia comenta a disparidade entre salários e preços

(Nathália Sousa)

 


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