Jundiaí

Crimes estão cada vez mais violentos em Jundiaí e sequestro teve alta no último trimestre

Enquanto o número de furtos de casas, transeuntes e veículos diminuiu de 2020 para 2021, os roubos de carga aumentaram20,7%


                  ALEXANDRE MARTINS
Vítima foi assaltada ao parar para dar uma informação na rua
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Enquanto o número de furtos de casas, transeuntes e veículos diminuiu de 2020 para 2021, os roubos aumentaram. No primeiro trimestre deste ano houve 20,7% mais roubos de carga e 7,2% mais roubos de veículo do que no mesmo período do ano passado. Recentemente, os roubos com retenção de vítima, ou seja, com vítimas sequestradas ganhou destaque e só em maio pelo menos quatro crimes desse tipo ocorreram na Região de Jundiaí. Para o Conselho de Segurança Leste, de Jundiaí, os criminosos estão mais violentos para tentar contornar o cerco das forças de segurança.

Para a presidente do Conseg Leste (Conselho de Segurança), Andrea Bonamigo dos Santos, esse aumento na violência com que os crimes têm sido praticados é uma consequência do "cerco" que está sendo fechado pela Polícia Militar e a Guarda Municipal.

O Conseg Leste contempla região do 49º Batalhão de Polícia Militar do Interior, que vai desde a Ponte São João e São Camilo até o Caxambu. "Os bandidos estão acuados pelo trabalho que a Guarda Municipal e a Polícia Militar vêm realizando. Temos a Base Móvel da GM na Ponte São João, o videomonitoramento e o programa vizinhança solidária, da PM. Dessa forma, eles precisam ser criativos para driblar a segurança", avalia Andreia.

Na próxima semana, todas essas forças de segurança se reunirão para discutir formas de alertar a população e conter essa onda de violência, principalmente em relação aos últimos roubos com sequestro.

CERCO

O programa Bairro Seguro ajudou a Guarda Municipal de Jundiaí a reduzir em 38% a criminalidade na região da Ponte São João. Para garantir o mesmo resultado em outras regiões, a GM tem feito operações em conjunto com a PM, segundo a corporação.

Por sua vez, a Polícia Militar tem desencadeado ações semanais do programa São Paulo mais Segura, o que também tem contribuído para fechar o cerco contra a criminalidade.

SEQUESTROS

Na quarta-feira (19) desta semana, a Força Tática da PM conseguiu prender uma dupla de ladrões de veículos que usava esse modus operandi, o sequestro das vítimas. Um carro roubado no dia 4 de maio foi recuperado e a dupla confessou a autoria de mais três outros crimes nas últimas semanas.

No entanto, no dia seguinte (20) outro crime nos mesmos moldes foi registrado pela Polícia Civil. Os bandidos simularam uma colisão no carro da vítima, para rendê-la. Além do carro, mantiveram o motorista e o passageiro em cativeiro por horas enquanto sacavam dinheiro de suas contas bancárias e faziam compras em seus cartões de crédito.

Por se tratar de sequestro, os casos devem ser encaminhados para a Delegacia de Investigações Gerais de Jundiaí. Contudo, até sexta-feira (21), a especializada não havia iniciado inquérito. Um dos delegados recusou-se a comentar, porém em entrevista recente ao Jornal de Jundiaí, ele havia confirmado que os crimes estão mais violentos e alegado que "antes os criminosos faziam roubos a transeunte, roubo de carro, furtavam residências. Agora que tem mais gente em casa, eles não se preparam mais para furtar, mas sim para entrar na casa e enfrentar os moradores."

Questionada, a Secretaria de Segurança Pública também não se manifestou.

NÚMEROS

Dados da SSP apontam que de janeiro a março de 2021 houve 277 roubos a transeuntes e residências, 75 roubos de veículos e 35 roubos e carga só em Jundiaí. No mesmo período do ano passado havia sido registrados 275 roubos a transeuntes e residências, 69 roubos de veículos e 29 roubos de carga.

Por outro lado, os furtos reduziram consideravelmente. Foram 45,6% menos furtos de veículo, caindo de 171 ocorrências para 93, e 6,5% menos furtos a transeuntes e a residências.

INESPERADO

O técnico de manutenção Tiago (a vítima preferiu não se identificar) foi assaltado em fevereiro, quando voltava do trabalho. Ele desceu do fretado no Jardim Pacaembu e poucos minutos depois um carro encostou ao seu lado. "Minha reação foi virar, acreditando que fosse alguém que estivesse precisando de informação, mas um ladrão desceu do lado do passageiro e me empurrou para que eu não olhasse a placa, nem o rosto deles", conta.

No assalto, levaram sua mochila, carteira e um celular. Mas o que mais o preocupou foi a perda dos documentos pessoais. "Eu tinha outro celular, mas tive que cancelar todos os meus cartões, pedir nova CNH. Sem falar no trauma, porque hoje eu desço olhando para os lados, estou totalmente paranoico."

Tiago foi ameaçado de morte algumas vezes durante o roubo. "Acho que é um alerta para as pessoas. Precisamos, infelizmente, desconfiar de qualquer estranho que se aproxime."

MENOS DROGA NA RUA

Outra estatística que aumentou é a de drogas apreendidas e traficantes detidos. No entanto, nesse caso o aumento é um resultado positivo. "É a única modalidade que mais alto o índice, mais produtiva está sendo a atividade dos órgãos de segurança", explica o delegado-titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Jundiaí, Marcel Fehr.

Esse ano, a particularidade da venda de drogas tem sido a disseminação pelas áreas urbanas e rurais da cidade. "Antes quem queria drogas tinha que ir até uma viela escura, hoje elas são vendidas em casas em todos os bairros e armazenadas até mesmo em chácaras. Os traficantes se adaptaram, mas nós também e estamos conseguindo prendê-los mesmo assim."

 


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