Jundiaí

Crianças veem os riscos da covid e entendem que cuidados são necessários

Confira a velha pureza da resposta das crianças a respeito da pandemia


JORNAL DE JUNDIAI
Manuela e Maria Torres Garcia de Oliveira sabem que a covid é perigosa
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

As crianças sempre têm uma visão mais simples, mesmo que por vezes peculiar, dos mais diversos assuntos. Hoje, enfrentando uma das maiores pandemias da história, ainda que tenham mudado suas vidas radicalmente sem entender de forma abrangente tudo o que acontece, as crianças têm consciência dos cuidados que devem ser tomados para cuidar de si e dos outros. A boa e velha pureza da resposta das crianças ainda é fascinante e confiável.

Diego Augusto de Oliveira Antunes, de nove anos, por exemplo, sabe que o coronavírus faz mal e o que pode ou não fazer neste momento. "O coronavírus é um vírus e as pessoas que não previnem, não usam máscara, não passam álcool em gel, pega ele no corpo. Então as pessoas ficam doentes e muitas morrem por causa disso. Precisa usar máscara, sair poucas vezes de casa, passar álcool em gel."

Sobre o que sente falta, Diego cita de forma indireta a liberdade. "Não pode abraçar as pessoas na rua, não pode encostar nas outras pessoas, tem que evitar sair. O que eu mais sinto falta acho que é sair na rua mais vezes. Quando a pandemia acabar, eu vou ir para a rua, dar abraços e viajar, porque eu gosto de viajar."

Achando as aulas na escola mais legais que as remotas, ele acredita que a pandemia tenha um fim no próximo ano. "Eu acho que a pandemia acaba no começo do ano que vem. No começo de 2022. Podem vir várias outras pandemias depois, não sei porque, mas podem vir, como veio o coronavírus."

EM CASA

As irmãs, Manuela, de nove anos, e Maria Clara Torres Garcia de Oliveira, de sete, também sabem que a covid é perigosa. Mas Manuela acredita que cuidados podem evitá-la. "Eu acho que é uma doença muito poderosa. Precisa usar máscara, lavar as mãos, usar álcool em gel e manter o distanciamento."

Sobre o que sente falta, Manu cita festas e amigos. "Eu sinto falta de tirar a máscara, abraçar, ir para lugares e poder encostar nas coisas. Quando a pandemia acabar, eu quero ficar rica para poder fazer festas e ficar sabendo que ninguém mais pegou covid. Quando começou a pandemia, eu não sentia falta, mas teve uma hora que eu senti falta de ver meus amigos."

Maria Clara acredita que o respeito às regras é importante agora. "O coronavírus é uma doença forte, tem que respeitar as regras, não tirar a máscara, lavar a mão passar álcool. Não pode abraçar os amigos, dar beijinho, ir na escola, brincar lá embaixo", diz ela sobre as brincadeiras que fazia no condomínio onde mora e já não pode mais.

Para quando a pandemia acabar, que para Maria deve ser em 2022, ela tem um desejo não muito convencional. "Tem duas coisas que eu quero fazer: ficar milionária e gastar dinheiro, só", fala ela sobre o risco que, inclusive, pode voltar caso as pessoas não respeitem as regras.

COMPORTAMENTO

Psicóloga materno-infantil, Raquel Marques Benazzi Guirado diz que o período, com informações de todos os lados, contribui para que crianças aprendam o que é o coronavírus e a pandemia. "Muitas crianças aprenderam na escola, os pais ensinaram, então muitas tiveram aprendizado do que seria a covid, mas acho que alguns têm noção da magnitude por causa do que falam os pais e muitas não têm. É difícil para as crianças processar o tamanho disso, os riscos, os medos. Dependendo do que os pais apresentam para essa criança, ela tem medo, outras não têm, tem as que estão desenvolvendo fobia social, pânico, TOC por causa do álcool em gel o tempo todo."

Raquel diz que a exposição à tecnologia neste momento é também algo mais delicado. "No começo da pandemia, as pessoas falaram de deixar as crianças acessarem as telas, muitos pais estão em home office, com as crianças em casa, então esta é a única opção para as crianças se distraírem, mas quando os pais acabam o trabalho, é bom fazer alguma atividade, como cozinharem juntos, pintarem."

A psicóloga analisa a ida à escola como uma relação que brica ser de custo-benefício. "Tem que ver como a criança está, o nível de sanidade mental que ela tem. A escola é um suporte social para a criança lidar com a pandemia, mas para algumas famílias isso pode ser um risco, estão isolados desde o início. Assim, é importante pelo menos ter momentos ao ar livre com a criança."

(Nathália Sousa)

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: