Jundiaí

Indústria quer agenda de inovação e competitividade

ENTREVISTA Vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone, fala sobre os desafios e futuro tecnológico


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Rafael Cervone, vice-presidente da Fiesp, afirma que indústria tem know-how de inovação
Crédito: DIVULGAÇÃO

A pandemia do coronavírus tornou evidente que os melhores empregos estão na indústria e que este setor é propulsor do PIB (Produto Interno Bruto) e da inovação. À mercê de uma agenda de reformas adiadas há décadas, a indústria brasileira, incluindo a 4.0, mostra que é resiliente às crises.

Esta é a opinião do vice-presidente da Fiesp/Ciesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Rafael Cervone, em campanha para a presidência da entidade paulista, ressaltando que tanto os americanos como os europeus estão apoiando as indústrias nacionais nesta fase da pandemia, com fomento e suspensão temporária de impostos. "Os EUA irão investir R$ 300 bilhões na indústria e ficou evidente que hoje vivemos não uma guerra de política econômica entre a Ásia e o Ocidente, mas uma batalha de políticas industriais, portanto, retomar o crescimento econômico passa pelo desenvolvimento industrial", afirma Rafael, ressaltando ainda que a indústria brasileira tem em seu DNA capacidade de adaptação e versatilidade.

Em países, como a China e os EUA, com projeções de crescimento de 8 e 6,5%, respectivamente, o papel da indústria será fundamental, até mesmo com a revisão da globalização de produção.

A covid-19 mudou o paradigma econômico, na análise da importância da representatividade de prestação de serviços na economia global. Com a quebra na cadeia de consumo e novas formas de comportamento, a indústria também terá de se adaptar à nova forma de produção. "Hoje, já temos tecnologia para imprimir vestuário e, dentro dele, a tecnologia já pode estar inserida, mostrando o nível de glicemia ou até mesmo a temperatura ou pressão do consumidor. Roupas para bombeiros terão sensores para medir o nível de CO2 e acionar o alerta para que este profissional retorne à base quando suas condições físicas não forem suficientes. É uma nova forma de produzir e de agregar valor ao produto, que será amplamente impulsionada pela chegada do 5G, impactando a inteligência artificial e a realidade virtual."

A relação com o entorno, assim como o impacto no meio ambiente, também terá transformações. "A cadeia produtiva se encurta. Ela deixa o Distrito Industrial para estar presente no bairro, criando uma relação mais íntima e direta com seu consumidor final, com menos danos ao meio ambiente."

Como o grande desafio brasileiro é, além do desemprego, a educação, Cervone ressalta a importância do Sesi e Senai para esta nova realidade tecnológica. "O novo Senai não é mais um serviço de capacitação de mão de obra, mas um solucionador de problemas, assim como o Sesi tem como meta mudar o mindset do aluno, logo no 6º ano, criando respeito à diversidade, resiliência e entender que ele tem de estar preparado para uma profissão que ainda nem existe. Ambos os serviços têm, em sua essência, o know-how da inovação."

Como universo paralelo, o governo não está alinhado à nova realidade mundial. "Precisamos ter um ambiente de competitividade no Brasil, com a criação de uma agenda a longo prazo. Além disso, já passou da hora de aprovarmos uma reforma tributária, há décadas adiada. Temos preocupação com a questão da Amazônia porque é evidente que se não tomarmos uma solução imediata em relação às nossas perdas ambientais, iremos sofrer barreiras comerciais."

Cervone é otimista com o futuro. "A crise passa e precisamos criar mecanismos para minimizar seu impacto. Historicamente, sabemos, que após períodos como o que estamos vivendo, vem o crescimento."

 


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