Jundiaí

Dólar mais caro influencia o dia a dia do jundiaiense

COTIDIANO Vinhos estão pelo menos 30% mais caros e consumidores buscam opções mais em conta


                  ALEXANDRE MARTINS
Edna Lopez notou que os vinhos estão cada dia mais caros e raros
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Embora pareça uma realidade tão distante, a verdade é que a alta do dólar impacta diretamente o cotidiano dos jundiaienses. Com a moeda americana a quase R$ 5,30, muita coisa mudou, desde o preço de itens comuns na mesa dos consumidores, como carnes, grãos e até mesmo o pãozinho de todo dia, até produtos mais requintados, como vinhos e queijos importados. Isso sem falar nas viagens paradas, seja pelos preços mais elevados, seja pelas fronteiras fechadas em decorrência da covid-19.

De acordo com o especialista em Finanças e diretor de pós-graduação da Unianchieta, Filipe Pires, o aumento dos preços dos produtos é um reflexo direto da valorização do dólar diante do real. "Boa parte dos insumos dos produtos fabricados no Brasil tem algum item dolarizado, desde a alimentação de suínos com milho importado até produtos 100% importados como vinhos."

É difícil enxergar essa relação quando pensamos em produtos tão comuns como carnes e pães, mas toda a cadeia de produção demanda insumos que, muitas vezes, vêm de outros países. "E tem um outro fator, quando o exportador observa que o produto dele está mais barato lá fora por causa da desvalorização do real, ele tem mais facilidade de concorrer com os produtores em nível mundial. Assim, essas exportadoras preferem ganhar em dólar do que vender para o distribuidor nacional, o que diminui a oferta de produtos no Brasil e faz com que os preços subam."

MAIS CARO

A dona de casa Edna de Jesus Matos Lopez, 58 anos, tem sentido esse impacto no bolso. Dentre os produtos mais casos está o vinho, que ela e o marido apreciam socialmente. "Nós temos uma assinatura de vinhos e antes conseguíamos descontos de até 75% nas garrafas, mas como os preços aumentaram muito, os descontos ficaram menores. Hoje temos buscados comprar vinho nos mercados e onde encontramos em promoção", conta. Ela também notou que a quantidade de vinhos ofertados também tem diminuído.

Segundo Claus Peters, proprietário do Casarão Importados, o preço de importação dos vinhos aumentou em média 50% nos últimos 12 meses. "Uma parte desse aumento nós absorvemos para nos mantermos competitivos no mercado e uma parte repassamos aos consumidores, então os vinhos hoje estão de 30% a 40% mais caros."

O que o empresário tem notado é que o preço mais elevado não fez com que as pessoas parassem de consumir, mas migrassem para outras opções mais em conta. "Os vinhos de R$ 70, por exemplo, passaram a custar quase R$ 100, então quem estava acostumado a consumi-los começou a comprar as opções que antes eram R$ 50 e foram reajustadas."

VIAGEM

Um dos filhos de Edna está atualmente estudando nos Estados Unidos. "O preço do dólar também tem impedido que ele venha passar as férias aqui, porque está tudo muito caro. Sem contar que na hora de voltar aos EUA, ele precisaria ficar duas semanas no México por causa da pandemia, o que aumenta as despesas", conta a moradora de Jundiaí.


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