Jundiaí

Skate feminino ganha espaço e mostra que merece incentivo


     ALEXANDRE MARTINS
Hellen Silva diz que o esporte também é das mulheres e merece atenção
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Das novas modalidades esportivas inseridas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o skate é a que mais movimenta e chama a atenção da juventude. Em Jundiaí, cada vez mais mulheres estão aderindo ao esporte e não têm intenção de parar.

A jovem Hellen Caroline Prado da Silva tem 19 anos e ganhou seu primeiro skate em 2014. "Naquela época, eu praticava o esporte, mas parava, não tinha uma regularidade. Eu via os meninos da minha rua andando de skate e queria aprender", diz.

"Meus pais não queriam me dar o skate por acharem que era coisa de menino, nunca incentivaram o esporte. Até 2016 mais ou menos eu só podia praticar na garagem de casa, mas isso nunca me parou. Sempre achei possível uma mulher andar de skate e fui atrás disso", explica.

O skate foi deixado um pouco de lado. "Na pandemia, diminui a prática. Até o início do ano passado eu andava todo fim de semana. Quando voltei a praticar, comecei a ir em lugares com menos pessoas ou ruas vazias", diz Hellen.

O esporte ajuda Hellen a lidar melhor com os próprios sentimentos. "O skate sempre me ajudou em relação a controlar minhas emoções, ainda mais na pandemia, com tantas notícias ruins", diz.

É importante incentivar o skate feminino. "Quero ver cada vez mais meninas praticando, se inspirando em outras. Quando comecei, senti falta desses modelos. Hoje, muitas meninas me pedem ajuda sobre como começar no esporte", explica a jovem.

"O skate mudou minha vida, me ajudou a lidar com os problemas e trouxe várias amizades e momentos memoráveis. A dica é que as meninas não desistam, porque o esporte também é nosso", afirma Hellen.

FAMÍLIA

A vendedora Letícia Caroline Gertrudes, de 19 anos, é amiga de Hellen e pratica o esporte há 7 anos. "Ninguém que eu conhecia andava de skate, conheci o esporte pelo YouTube. Vi um vídeo de uma menina andando de longboard e me apaixonei. Pedi para minha mãe um skate, mas ela tinha medo de eu me machucar", diz.

Para convencer a mãe, a jovem fez pesquisas. "Procurei vídeos de meninas que andavam de skate, mostrei para ela e ganhei meu primeiro longboard em 2014. Já pratiquei várias modalidades e participei de campeonatos. Hoje ando de skate na modalidade street", explica.

"Sempre ouvi críticas e ignorava esses comentários. Nunca deixei nada me abalar", afirma.

A jovem continuou a prática na pandemia. "O skate é um esporte individual, sem contato direto. Eu trabalho em uma skate shop e vi as vendas aumentarem, mas quando a pista está cheia uso máscara e álcool em gel", diz.

O skate sempre ajudou Letícia psicologicamente. "O esporte me ajuda a esquecer os problemas e ocupar a mente, eu acho ótimo", explica.

"Quando comecei a praticar, trouxe amigas para conhecer o esporte. Com o skate fiz amizades, viajei e entrei na faculdade de educação física. Vou levar o esporte comigo para sempre", afirma.

O conselho é não ter vergonha. "As meninas devem ser corajosas, devem pedir ajuda para quem já pratica. O objetivo é se divertir e fazer amigos, a essência do skate é união e família", diz Letícia.

(Giovana Viveiros)


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