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Jundiaí, que já foi Terra da Uva, hoje é da logística

NEGÓCIOS Jundiaí vem despontando como uma das principais cidades do país para investimentos


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Jundiaí molda-se, ao longo do tempo, às demandas mundiais e à nova realidade exigida durante a pandemia. Já foi Terra da Uva, da Indústria, com grandes têxteis, alimentícias, mas hoje vem se destacando na produção de componentes eletrônicos e, sobretudo, na logística.

Credito: Divulgação / Descrição: Jundiaí avança na construção do novo ‘Ecossistema de Inovação’

A Prefeitura de Jundiaí anunciou na última quinta-feira (27) que a cidade receberá uma grande operação logística da Total Express, uma das maiores transportadoras do Brasil. Isso reafirma que, com a estrutura e a localização da cidade, Jundiaí vem se tornando a Terra da Logística.

Diretor de Engenharia de uma incorporadora que faz galpões industriais em Jundiaí, dentre eles o que sediará a Total Express, Nelson Taversani diz que a transportadora ocupará um galpão de 25 mil m². "Com o e-commerce, as empresas de logística tendem a estar próximas para compartilhar recursos. São Paulo concentra a maior parte dessas empresas, mas há um raio em volta da Capital onde elas se instalam. Jundiaí está no limite deste raio, mas tem atrativos, como infraestrutura."

Diretor de Fomento à Indústria na Prefeitura e de Infraestrutura e Logística no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Jundiaí, Gilson Pichioli diz que o município tem condições de atender qualquer empresa que queira se instalar. "As melhores rodovias passam pela cidade, é próxima a aeroportos, ao Porto de Santos, tem a logística ferroviária, há fornecimento regular de energia e água, universidades e cursos que formam profissionais. Segundo a Financial Times, Jundiaí é a melhor cidade para investir no Brasil e a 3ª melhor na América Latina", lista ele.

Pichioli também afirma que a nova operação da Total Express será a maior do país para a empresa. "O e-commerce vem para cá para fazer a montagem dos produtos e distribuir para o país. A Total Express já realiza cerca de 350 mil entregas por dia no Brasil e essa operação montada em Jundiaí será a maior e mais importante."

FOMENTO

Gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Jundiaí, Cristiano Lopes diz que o município tem diversidade econômica, mas os Serviços vêm se destacando. "O setor de serviços ganha destaque, primeiro, por atender às necessidades dos demais setores como agro, comércio, indústria e tecnologia. É um setor forte em Jundiaí porque os demais setores são igualmente fortes. Em segundo lugar, Serviços atende demandas como saúde, estética, lazer, esporte, gastronomia, entre outros. Os MEIs representam 1/3 de todas as empresas da cidade. Por fim, a Jundiaí também desponta como um importante polo logístico nacional.

A Total Express deve abrir mil postos de empregos na cidade. Segundo o gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Jundiaí, Cristiano Lopes, o setor já é responsável por uma boa parcela de empregos. "Atualmente, são cerca de 1,3 mil empresas ligadas à atividade logística, que empregam, aproximadamente, 12,5 mil pessoas. Além da geração de emprego, as transações de ICMS realizadas aqui são importantes, pois aumentam o valor adicionado da cidade."

Credito: ALEXANDRE MARTINS / Descrição: Cristiano Lopes diz que a localização da cidade contribui para a logística

Segundo Cristiano, Jundiaí tem atualmente a 17ª economia do país e a 7ª do estado e pretende crescer. "Estão previstos investimentos no transporte ferroviário e também no aeroporto. Por determinação do prefeito, temos atuado para a internacionalização da economia de Jundiaí, o que significa atrair novas empresas multinacionais para a cidade, incentivar as exportações e fomentar a inovação tecnológica." O gestor destaca plataformas como a Exporta Jundiaí e a Jundiaí Empreendedora, que darão suporte para este crescimento.

EXPORTAR MAIS

CEO da Contrail, empresa que opera o Terminal Intermodal de Jundiaí (TIJU), Rodrigo Paixão diz que o volume alto de importações é perceptível. "Notamos um aumento no volume e procura pelo atendimento a processos de importação não só em 2020, mas também nos primeiros meses de 2021. Atualmente, a Contrail tem trens diários entre o TIJU e o Porto de Santos, além das operações com caminhões que realizamos do Porto do Santos até os clientes de Jundiaí e Região."

Paixão conta que percebe também expansão na exportação e na cabotagem, quando um navio navega entre um porto e outro próximo à costa, e por isso o TIJU terá ampliações para atender a demanda. "Estamos investindo na pavimentação e expansão das nossas áreas de armazenagem no TIJU, visto que, além do crescimento dos volumes de importações, projetamos para o segundo semestre um aumento expressivo na demanda de cabotagem e exportação", explica ele sobre o projeto da empresa que investirá em equipamentos e contratação de novos colaboradores.

IMPORTAÇÕES

Com mais de R$ 3 bilhões em importações, Jundiaí foi a terceira cidade de São Paulo e a oitava do Brasil que mais importou em 2020. Jundiaí, no estado, fica atrás apenas da Capital e de Paulínia, mostrando que a cidade vem se tornando cada vez mais importante para a economia de São Paulo.

O valor de exportações, no entanto, teve uma leve queda no ano passado em relação a 2019, fechou 2020 como a 104ª dentre as 5.570 cidades do Brasil, mas deve ser retomada em breve. Estes dados são levantados pelo economista Mariland Righi, da Delta Análise de Cidades.

Credito: ARQUIVO PESSOAL / Descrição: Rodrigo Paixão destaca a ampliação da TIJU para a diversificação na área

"Entre 2016 e 2020, Jundiaí disparou em importações. Em 2006 era a 52ª cidade importadora no Brasil, hoje é a 8ª. Jundiaí está evoluindo de forma brutal. Importar R$ 3 bilhões, com o dólar a R$ 5,50, dá cerca de R$ 16 bilhões, o valor equivale a um terço da produção da cidade", explica Mariland.

O economista diz que diversos setores podem ser responsáveis pelo volume, mas acredita que a distribuição logística e a alimentação da produção industrial sejam os principais. "Provavelmente Jundiaí está importando para distribuição, não para consumo, e maquinário, componentes da indústria."

Righi diz que a cidade vai se moldando de acordo com a demanda. "Jundiaí ainda produz bastante uva, com 20 mil toneladas em 2020, mas não é nada perto da produção industrial, que foi facilitada por linhas automatizadas. Os serviços em Jundiaí estão principalmente no transporte, telecomunicações e informática, energia, educação e saúde."


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