Jundiaí

Vegetarianismo na infância exige cuidados

ALIMENTAÇÃO Sem o correto acompanhamento, a alimentação pode afetar o desenvolvimento infantil


ARQUIVO PESSOAL
Barbara Pinheiro diz que não há idade certa para ser vegetariano
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Muitas crianças e adolescentes estão preferindo uma alimentação sem carne, seja por não gostar do sabor ou por questões filosóficas, mas, seja como for, o que se percebe é o aumento crescente em um alimentação mais vegetariana.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os pequenos podem, sim, ser vegetarianos. A entidade não está sozinha nessa posição. A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria pensam da mesma maneira e, para auxiliar os profissionais a lidarem com esse público crescente, a SBP lançou um guia prático sobre vegetarianismo na infância e na adolescência.

A nutricionista supervisora do Serviço Nutricional Dietética (SND) do Hospital Universitário (HU), Barbara Pinheiro Possani, diz que não há idade certa para começar com este tipo de alimentação, porém quando os pais são vegetarianos, as crianças acabam sendo influenciadas.

"Observamos alguns casos em que a iniciativa é da própria criança ou adolescente. Vale ressaltar que nesses casos devemos respeitar e apoiar, pois mediante acompanhamento é possível que eles cresçam e se desenvolvam de forma saudável e segura".

Sem o correto acompanhamento, qualquer alimentação inadequada pode afetar o desenvolvimento da criança. A nutricionista ressalta que em qualquer alimentação é preciso evitar industrializados, frituras, excessos de farinha branca e doces. "No caso do vegetarianismo, é preciso ficar atento a déficits em vitaminas e minerais, podendo citar a vitamina B12. Além de erros na distribuição dos macronutrientes como é o caso da proteína. Porém, essas questões podem ser facilmente resolvidas por um nutricionista por meio de adequação alimentar".

Aos 17 anos, Rafaela Antunes, resolveu parar de comer carne há dois anos. Ela consome muitos alimentos que tenham essa macromolécula biológica como o feijão, a lentilha, o grão de bico, entre outras coisas, mas também faz um suplemento vitamínico com cápsulas.

"Eu resolvi parar de comer carne, pois não concordo com os problemas que essa indústria de gado de corte projeta no mundo. Com relação ao consumo de animais aquáticos, escolhi não compactuar com a falta de preocupação com o ecossistema, como problemas que vão desde a devastação dos corais até a escravidão ligada a esse tipo de comércio, além do fato de amar animais e não querer ser causadora dos sofrimentos desses seres vivos".

TROCAS IMPORTANTES

Se a família realmente optar pela dieta vegetariana, existem algumas trocas que podem ser feitas para driblar a deficiência de nutrientes.

Algumas vitaminas e minerais em casos específicos precisam ser suplementados, como a vitamina B12.

Ferro: melhor absorvido é o tipo heme, proveniente das carnes. Ele também pode ser encontrado em vegetais verde-escuros e leguminosas, porém, sua absorção pelo organismo é menor. Consumi-lo com uma fonte de vitamina C aumenta esse aproveitamento. Mesmo assim, os vegetarianos precisam de 1,8 vezes a quantidade de ferro convencional.

Dica: Evite alimentos fontes de cálcio (como queijo e leite) em refeições ricas em ferro. Esses dois minerais competem entre si no organismo, o que afeta o aproveitamento de ferro;

Zinco: Como a carne contém zinco de boa absorção, há o temor de que, ao retirá-la da dieta, possa haver deficiência. Mas ele está bastante presente em grãos como o feijão.

Dica: Como o ácido fítico, presente em alguns vegetais, é a substância que mais atrapalha a absorção de zinco, deve-se reduzi-lo (especialmente nos feijões). Basta deixar os grãos de molho em água por um período de 8 a 12 horas e trocá-la para cozinhar;

Proteínas: Para quem não é vegano, boas fontes de proteínas são ovos, leite e derivados. Já quem não consome esses alimentos, pode substituir por tofu e iogurte de soja. Alimentos à base de soja não devem ser oferecidos para crianças menores de 1 ano por conta de alguns componentes, como os hormônios vegetais e o alumínio, que podem não ser seguros para crianças nessa faixa etária.

Segundo a nutricionista, é preciso ficar atento a Vitamina B12, ferro e cálcio, pois a dieta vegetariana não oferece nenhum risco ao desenvolvimento das crianças e adolescentes, desde que seja feito um controle das taxas de nutrientes no sangue. "As dietas vegetarianas, quando atendem às necessidades nutricionais individuais, podem promover o crescimento, desenvolvimento e manutenção adequados e podem ser adotadas em qualquer ciclo de vida".


Notícias relevantes: