Jundiaí

Sabendo dos riscos fumantes lutam para largar o vício


ARQUIVO PESSOAL
Iracema Teixeira ressalta a importância de identificar os gatilhos
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

No Dia Mundial de Combate ao Fumo, marcado para esta segunda-feira (31), o alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS) é sobre as mortes causadas pelo uso direto do produto. Dos 8 milhões de mortes no ano, 7 milhões resultam do uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo.

Em Jundiaí, o Programa de Assistência Intensiva ao Tabagismo (PAIT) tem ajudado as pessoas que desejam dar um fim ao vício. Desde 2007, pelo menos 7 mil pessoas passaram pelo programa, com 80% de sucesso.

Entre os casos de sucesso está da promotora de eventos Cláudia Lorival Buch, de 53 anos. Fumante por 40 anos ela conseguiu se livrar do vício há cinco meses, mas confessa alguma recaídas. Ela sabe que o maior desafio do fumante é aceitar a situação de dependente químico e que ele está doente.

"Decidi parar pela minha saúde. A cor da minha pele estava ficando arroxeada pela falta de oxigenação e tinha muitas dificuldades em fazer caminhadas simples. Nas primeiras semanas é bem complicado, pois fumava quatro maços de cigarro por dia e de repente fui diminuindo. A partir de então chegaram alguns problemas como a abstinência, a mudança de humor e a ansiedade", relata.

Outra dificuldade pontuada por Claudia é na parte comportamental. "Fiz muitas mudanças de hábitos em minha vida, inclusive tirar todos os cinzeiros e isqueiros da minha casa. Agora como mais frutas ácidas e a carrego uns pedaços de gengibre na bolsa".

AJUDA

A psicóloga clínica Iracema Teixeira, explica que a nicotina é um elemento crucial para desencadear uma sensação de bem-estar no usuário e consequentemente, irá atuar no estado emocional e comportamental. "Muitos fatores podem ser atribuídos para a influência ao uso do cigarro como o aspecto hereditário, fisiológico, ambiental e psicológico. Nesse sentido, o cigarro funciona como um alívio de alguma emoção ou sensação desagradável na vida do fumante, se tornando um recurso para diminuir os desconfortos e as situações estressantes", ressalta.

Segundo Iracema, o uso do cigarro como recurso desenvolve um comportamento compulsivo e um hábito automático de fumar em determinadas situações. "Uma das estratégias de tratamento é reconhecer os gatilhos emocionais e ambientais que levam o fumante à pegar o cigarro", explica.

O pneumologista Ericson Bagatin diz que o tabagismo é responsável, principalmente, por doenças respiratórias e pulmonares. "A bronquite crônica e o enfisema pulmonar são as mais comuns nos fumantes, mas também podem afetar as estruturas vasculares, comprometendo a circulação do sangue, e além disso, o tabagismo pode agravar outras doenças respiratórias, como a asma", afirma.

SERVIÇO

Os encontros no PAIT seguem todos os protocolos de segurança quanto ao número de participantes e distanciamento entre eles. Acontecem no Núcleo Integrado de Saúde (NIS), na Avenida Carlos Salles Bloch, 74, Parque do Colégio, todas as terças-feiras, às 14h.?

Os interessados em participar do atendimento podem buscar pelo serviço no NIS ou devem procurar as Unidades Básicas de Saúde de referência.

(Lucas Hideo)


Notícias relevantes: