Jundiaí

Anticoncepcional vai além dos métodos contraceptivos

Medicamento controla o fluxo menstrual, a variação hormonal e ameniza cólicas


ARQUIVO PESSOAL
Camilla Giacomini reduziu o fluxo menstrual com o anticoncepcional
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O anticoncepcional é um medicamento com hormônios sintéticos com ação principal de bloquear o ciclo menstrual normal da mulher, mas, além de prevenir a gravidez, o medicamento também é usado para controlar o fluxo, amenizar cólicas e sintomas da variação hormonal.

Valquíria Cristina da Silva é secretária, tem 32 anos e faz uso do medicamento há 16 anos. "Comecei jovem, por conta das fortes cólicas. Li sobre o assunto, fui ao médico e iniciei o tratamento. Demorou para encontrar o anticoncepcional ideal, usei três diferentes até dar certo", diz.

Após a terceira troca de medicamento, ela conta que notou melhora. "Não tinha mais cólica, as espinhas sumiram e os sintomas da TPM (tensão pré-menstrual), cessaram. Apesar do uso por tantos anos, nunca tive problemas graves", explica.

Muitas mulheres, entretanto, ainda sentem medo de iniciar o uso do medicamento. "Não senti medo. Fiz tudo com orientação médica, mesmo sabendo do julgamento errado que as pessoas fazem, influenciadas por experiências ruins dos outros, pela desinformação e automedicação", diz.

Ela pondera, entretanto, que é errado usar o medicamento sem orientação médica. "Existem medicamentos com alta concentração de hormônio, mas as empresas estão tentando minimizar as doses. Defendo o uso porque muitas mulheres precisam regular o ciclo, tratar cistos e cuidar de outras questões", afirma Valquíria.

A secretária tem parentes que apresentaram efeitos colaterais graves após o uso. "Apesar do histórico familiar, não tive problemas. As pessoas precisam buscar informação, não acreditar somente no que viram em uma reportagem ou porque a amiga teve sintomas. Todo medicamento tem efeitos colaterais, por isso é preciso acompanhamento médico", diz.

As bulas de remédio podem ser úteis. "Pesquise sobre o medicamento antes de iniciar o uso e busque uma segunda opinião médica. Caso note reações, procure o médico e faça a substituição. Cada organismo é um organismo e reagirá diferente, mas nunca se automedique", aconselha.

A fotógrafa Camilla Domingos Giacomini tem 25 anos e começou a fazer uso do anticoncepcional em 2015. "Sempre tive o fluxo menstrual intenso, de 10 a 12 dias, e isso incomodava demais. Às vezes tinha cólicas insuportáveis, por isso fui ao médico", conta.

A melhora foi percebida no primeiro mês de uso. "O remédio regulou o fluxo e melhorou as cólicas. Também percebi a pele e os cabelos mais bonitos", diz. "Não tive problemas com o uso do anticoncepcional até hoje, porém faço acompanhamento. Eu tinha medo, mas já havia risco de hemorragia severa e precisei do remédio para controlar o fluxo menstrual."

A fotógrafa acredita que os efeitos colaterais variam de mulher para mulher. "É preciso passar pela pesquisa de histórico familiar sobre doenças. Fui bem orientada pelo médico sobre os sintomas comuns e preocupantes. Não podemos ser negligentes, é necessário monitorar o tratamento", explica.

"É importante tirar as dúvidas com o médico. O uso de medicamento contínuo requer disciplina e cuidados. É legal colocar na balança os benefícios que, no meu caso, foram muitos", diz Camilla.

CUIDADOS

Segundo a ginecologista e obstetra Ana Carolina Gandolpho, o anticoncepcional reduz cólicas, sangramentos e distúrbios causados pelo ciclo. "Outros benefícios são a redução da acne e o controle do ciclo menstrual", complementa.

A médica destaca o uso para tratamento da endometriose, doença em que há células endometriais nos ovários ou ao redor dos intestinos e bexiga. "Suspender a menstruação com o anticoncepcional é a estratégia mais utilizada para controlar a doença. Os benefícios englobam a redução de dor, a anticoncepção e o ganho na qualidade de vida."

Ana Carolina explica que os contraceptivos possuem quantidade hormonal suficiente para inibir a ovulação. "Hoje em dia, as pílulas são muito mais seguras, mas não são livres de risco e só devem ser usadas com orientação médica. Mulheres hipertensas, com enxaqueca ou histórico de trombose devem evitar os contraceptivos combinados de estrogênio e progestagênio", orienta.

A ginecologista fala que o medo de algumas pacientes tem seus motivos. "Eventos adversos como trombose são raros, porém graves. A melhor dica é se informar sobre as opções de tratamento e procurar orientação médica se houver efeitos colaterais. O remédio que foi ótimo para a amiga pode fazer muito mal a você e vice-versa", orienta. 


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