Jundiaí

Com alta evasão de alunos, academias de dança tentam sobreviver

Após mais de um ano de restrições, estúdios de dança tentam manter-se funcionando


                        ALEXANDRE MARTINS
Lis Michele faz financiamento coletivo para manter escola de dança
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Após mais de um ano convivendo com restrições impostas pela pandemia da covid-19, academias e estúdios de dança de Jundiaí tentam manter-se funcionando em meio ao abre e fecha estabelecidos pelos inúmeros decretos municipais e estaduais.

Mesmo que a reabertura completa seja incerta, muitas escolas têm feito o possível para manter seus espaços físicos funcionando e tentam inovar na captação de novos alunos.

Assim como todos os setores da cultura, as escolas de dança foram afetadas diretamente pelo novo coronavírus e, desde o início da pandemia, enfrentam dificuldades tanto para manter o espaço físico quanto para evitar a alta evasão de alunos.

Estúdios que ficaram fechados durante as fases mais restritivas não obtiveram auxilio financeiro do governo. É o que afirma Junior Vidal, proprietário de uma escola do segmento da dança, no Anhangabaú.

"Ficamos sete meses do ano passado fechados. De 400 alunos, reabrimos com apenas 30. Não tivemos nenhum tipo de auxilio para manter o aluguel dos imóveis e outras contas", afirma Junior.

Mesmo seguindo todos os protocolos de saúde e com capacidade limitada, Junior desabafa que os empecilhos acabam afetando não somente a escola, mas também o psicológico dos profissionais que trabalham na área. "Retornei esse ano com menos alunos ainda, é complicado ter uma estrutura grande com diversas salas de aula", diz o professor.

Da mesma forma, Lis Michele Garcia Alaniz Lopes, de 54 anos, sócia de uma escola de dança no bairro Vila Torres Neves, afirma que houve queda significativa no número de alunos. "Perdemos entre 60 e 70% dos alunos, então não conseguimos manter todos os salários, aluguel, impostos e despesas. Optamos por não receber salário, para que nossos colabores recebam e assim estamos desde o ano passado", afirma Lis.

Apesar dos avanços digitais e da possibilidade das aulas on-line, nem todos os alunos aderiram a esse modelo de aula. São vários motivos, como problemas na conexão e falta de espaço.

"Há quem seja tímido para ligar a câmara, quem tem vergonha do seu espaço, crianças pequenas que simplesmente não gostam do on-line e até quem aderiu no início, mas depois cansou. E aqueles que, sem perspectiva de poder voltar à academia, preferiram parar", diz a professora.

Algumas alternativas para manter o espaço físico, como financiamentos coletivos e cultivar vínculos com os alunos, têm sido meios utilizados por Lis. "Não há muito o que fazer, nós investimos no material humano e na ligação afetiva dos professores com os alunos. Estamos preparando uma campanha na plataforma 'apoia-se' para conseguirmos manter o espaço", afirma.

Nesse período instável de abertura e fechamento dos estúdios de dança, os alunos também sentiram o impacto dessa transição constante, principalmente aqueles que tinham a dança como parte de suas rotinas há bons anos.

Carolina Moreira, de 19 anos, é bailarina há 11 anos. Ela conta que conciliar as aulas on-line com as presenciais é difícil, pois a dinâmica é muito diferente.

"A experiência de um tipo de aula para o outro é bem diferente, tanto em metodologia de ensino quanto em desempenho pessoal, o que me fez valorizar ainda mais cada momento da aula presencial", afirma Carolina.

A bailarina diz que sentiu dificuldades físicas nas aulas on-line. "No começo eu estava sentindo mais dificuldade fisicamente, pois estava parada a um tempo e vi nas aulas on-line uma oportunidade para voltar, o que foi muito bom para mim", afirma.

(Geovana Arruda)

 


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