Jundiaí

Centro sofre lento esvaziamento comercial

COMÉRCIO Entre março e dezembro, 7,18% das empresas abertas se instalaram no Centro


               ALEXANDRE MARTINS
Amanda Romano negociou o valor dos aluguéis e paga com redução
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O interesse do setor comercial pelo Centro de Jundiaí vem caindo. Quem passa pela região tem percebido cada vez mais imóveis fechados, à venda ou disponível para aluguel. Para especialistas, além da pandemia, fatores como alto valor do aluguel, crescimento das vendas on-line e migração do comércio para outros bairros, explicam esse cenário.

Segundo dados da Unidade de Gestão de Governo e Finanças, entre março (início da pandemia) e dezembro do ano passado, 7,18% das empresas abertas no município se instalaram no Centro. Este ano, de janeiro até maio, esse número caiu para 7%.

Para a corretora de imóveis Sue Ellen Raminelli, há algumas explicações para a procura menor pelo Centro, entre elas, a migração para bairros mais afastados. "Muitos comércios já tinham dificuldades financeiras antes da pandemia, mas agora a situação ficou pior. Alguns, inclusive, estão migrando para bairros para ter um aluguel mais baixo. É difícil alguém abrir um comércio no Centro hoje."

Sue Ellen também destaca o crescimento do e-commerce. "Algumas lojas não precisam de prédios grandes como antes. Por isso, a demanda vem reduzindo."

O arquiteto e urbanista Araken Martinho diz que hoje em dia o Centro já não tem atrativos como antes. "A sensação que tenho é que quando foi feita a reforma, há alguns anos, não pensaram em motivar o espaço. A praça da Matriz era extremamente utilizada, mas, quando tiraram a rua que passava em frente à igreja e colocaram árvores, ficou escura e gerou uma má frequência no local. Só tem movimento de veículos na rua do Rosário, mas à noite fica vazio. Acho que essas mudanças geraram um desuso da praça."

Ele diz que o Centro precisa ser repensado para ser atrativo. "O Centro tem jeito, mas é preciso ouvir a população. E o projeto precisa ser pensado por profissionais antigos e pelos mais novos para reviver o espaço", comenta.

NEGOCIAÇÃO

A comerciante Amanda Romano aluga o ponto onde funciona sua loja de vestuário e diz que, na pandemia, precisou negociar o aluguel para continuar no Centro. "Cada dia que passa tem mais uma loja fechada e percebo que muitas estão saindo do Centro, mudando de ponto maior para menor. Na minha loja me deram desconto mensal no aluguel, mas continuei pagando com desconto", diz ela, que, mesmo com a loja física, aposta também nas vendas digitais.

Também comerciante e proprietária de alguns imóveis no Centro, Leila Aiub conta que locatários tentam negociar. "As vendas caíram e pediram redução no aluguel. Tenho imóveis no Centro e pediram redução de 50% no aluguel e tem quem peça até parcelamento dos 50% restantes para conseguirem pagar. O que eu soube é que pessoas que tinham o comércio aqui foram para um salão menor", diz.

AJUDA E SOCORRO

O presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí, Mark William Ormenese Monteiro, afirma que a desocupação de imóveis ocorre em diversas cidades. "Com a crise instaurada por conta da covid-19, intensificada nesta segunda onda, ficou ainda mais difícil, principalmente para os pequenos, manterem custos como folha de pagamento e aluguéis sem ter receita e amparo dos governantes. No período de restrição nem todos conseguiram vender no digital e negociar alugueis."

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí (Sincomercio) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), Edison Maltoni explica que os preços de aluguel são determinantes neste momento. "Além das restrições, o valor do aluguel é um fator que afetou sobretudo os negócios que estão tentando equilibrar os gastos mensais com a queda na receita. Defendemos a negociação ampla entre as partes diante da crise e da alta excepcional do indicador de preços que tradicionalmente baliza correção em contratos de locação".


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