Jundiaí

Alimentação ajuda a controlar alguns tipos de epilepsia

Alguns casos apresentam resistência ao tratamento


       ALEXANDRE MARTINS
Luiza Rodrigues Cabrino foi diagnosticada com epilepsia aos quatro anos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Cerca de 1,5% da população brasileira tem epilepsia, mas o número é impreciso já que a doença neurológica não tem notificação compulsória. A maior parte das pessoas que tem epilepsia controla as crises com medicamentos, mas alguns casos apresentam resistência ao tratamento. Para estes, o controle das crises epilépticas pode ser feito com dietas específicas.

A nutricionista da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) especializada em dieta cetogênica, Marcela Gregório, diz que apenas uma parcela das pessoas com epilepsia precisa deste tipo de dieta. "Cerca de 70% dos casos de epilepsia são controlados com medicamentos anticrise. A cetogênica é indicada para 30% dos casos que têm resistência ao tratamento medicamentoso. É a conhecida como epilepsia fármaco-resistente ou refratária", explica.

Marcela explica que a cetogênica prioriza gorduras em detrimento de carboidratos. "A dieta cetogênica clássica, a mais conhecida, tem quatro etapas que aumentam a quantia de gordura gradativamente. Vai da 1:1, com uma parte de gordura para uma de carboidrato e proteína, até a 4:1, com quatro partes de gordura para uma de carboidrato e proteína."

O cérebro usa energia dos alimentos que ingerimos e o objetivo da dieta é reduzir as crises. Se o órgão fosse uma fogueira, a glicose seria um combustível mais explosivo, como a gasolina, e os corpos cetônicos seriam um combustível mais ameno e controlável, como lenha.

Quando a glicose chega no cérebro, é como se deixasse os neurônios mais agitados. "As crises podem acontecer. Com a dieta cetogênica, o cérebro recebe energia pelos corpos cetônicos e é como se eles deixassem o cérebro mais equilibrado", explica.

CRISES

Luiza Fernandes Cabrino, de 17 anos, tem crises desde os quatro anos e, para a mãe Cristiane Fernandes, a descoberta mudou a rotina da família. "A primeira crise foi por febre. Eu estava no trabalho e meu marido me ligou dizendo que ela não estava bem. Quando eu cheguei em casa, ela estava desacordada e meu marido falando com o Samu. Foi desesperador, mas depois vieram outras convulsões sem febre e a gente levava no médico, fazia exames, mas foi difícil fecharem o diagnóstico de epilepsia."

Com a notícia de que a filha não conseguiria mais absorver novos aprendizados, Cristiane largou o emprego para ensiná-la em casa. "Ela não conseguia acompanhar a alfabetização, mas tinha facilidade para a música. Comecei a ensinar para ela e ajudou muito na coordenação motora."

Com a ajuda de uma médica portuguesa, com estudo sobre a epilepsia desencadeada pela doença celíaca, Cristiane conseguiu um novo tratamento para a filha. "Ainda está em teste, mas, há quatro meses sem glúten e lactose, ela não tem mais crises."

(Nathália Sousa)

 


Notícias relevantes: