Jundiaí

Indústrias de Jundiaí projetam retomada econômica para julho

CRESCIMENTO ECONÔMICO Segundo o Ciesp Jundiaí, muitas empresas da Região cresceram durante a pandemia, mas para as demais retomada será em breve


       ALEXANDRE MARTINS
Joaquim Lucas Sartori Coelho, diretor comercial da Astra, diz que empresa cresceu 33% em 2020 e prevê retomada contínua esse ano
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com o PIB (Produto Interno Bruto) crescendo 1,2%, mesmo em meio à crise política, financeira e de saúde pública, e uma geração positiva de 1 milhão de empregos formais, o Brasil tem uma perspectiva cada vez mais real de retomada econômica. Localizados em um dos maiores centros logísticos do país, Jundiaí e Região vivem um pouco dos dois mundos. De um lado, conta com uma vasta lista de empresas e indústrias que cresceram vertiginosamente durante a pandemia e de outro, um número considerável que já projeta uma retomada positiva no segundo semestre deste ano.

De acordo com o diretor do Ciesp Jundiaí (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Marcelo Cereser, a perspectiva de retomada é real. "Projetamos uma retomada forte a partir de julho. Temos hoje mais ou menos 1 milhão de doses de vacina sendo aplicadas por dia, isso nos oferece subsídios para projetar uma retomada intensa em cerca de quatro meses."

O empresário faz uma comparação com a Europa e os Estados Unidos, para justificar sua visão positiva. "Quando estávamos bem no começo da pandemia, já víamos imagens horríveis de uma Itália e outros países sofrendo os impactos do coronavírus, três ou quatro meses depois chegou a nossa vez de nos vermos na berlinda. Hoje, vemos Nova Iorque lotada e a Europa retirando a exigência do uso de máscaras. Ainda vai demorar um pouco, mas também vamos chegar lá e essa confiança nos leva a crer no crescimento econômico."

Dentre os setores que estão em alta está o de construção civil. Segundo Joaquim Lucas Sartori Coelho, diretor comercial da Astra, alguns fatores ajudaram a impulsionar as vendas e fazer com que a empresa fechasse o ano de 2020 com um crescimento de 33%. "Os principais deles foram o lockdown, que obrigou as pessoas a ficarem mais em casa, a adoção do home office e o fato de as lojas de materiais para construção terem sido consideradas serviços essenciais", avalia.

Para esse ano, a Astra projeta um crescimento de 15%. "Com as pessoas mais em casa, aumentaram as atividades relacionadas à reforma do lar e, consequentemente, as vendas das lojas de materiais para construção. Começamos 2021 com uma forte atuação no mercado da construção. A Astra segue fortalecida", diz. "Acreditamos muito na retomada da economia como um todo e estamos preparados para suprir a demanda do mercado em que estamos inseridos."

Esse crescimento do setor de construção também refletiu no setor imobiliário. "O ano passado foi de recorde de vendas no setor imobiliário e Jundiaí também 'surfou a onda' da necessidade de upgrade de imóvel que tantas famílias sentiram com a pandemia e o confinamento", analisa Eli Gonçalves, vice-presidente de Marketing e Inteligência de Mercado da Proempi (Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região).

Gonçalves enxerga mais espaço para crescimento. "Este ano, o mercado continua aquecido nos lançamentos e com vendas ainda mais intensas no mercado de prontos, ou seja, para mudança imediata, aproveitando as taxas de juros mais baixas para financiamento imobiliário. O segundo semestre deverá apresentar mais lançamentos, pela maior confiança dos empresários com o aumento da população vacinada e retomada da economia."

DEMANDA CRESCENTE

Por sua localização estratégica, a Região de Jundiaí tem abrigado centros de distribuição das maiores empresas de e-commerce. Só que esse mercado aquecido movimenta também outros setores, como o de produção de embalagens. "É uma conta simples, se cada pessoa pensar em quantas caixas de papelão recebeu com encomendas feitas no último ano já dá para ter uma noção do quanto esse setor está em alta", comenta Cereser.

A Klabin, maior produtora e exportadora de papéis para embalagens e embalagens de papel do Brasil, tem duas plantas na região e registrou crescimento de 22% no EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no primeiro trimestre de 2021 em comparação ao mesmo período do ano passado, atingindo a marca de R$ 1,254 bilhão.

Embalagens plásticas, frascos para produtos de limpeza e outros também têm tido uma demanda excessiva. "Temos uma indústria da região que produz os frascos para a marca de álcool líder de mercado, por exemplo", lembra Cereser.

EXPORTAÇÃO

A desvalorização do real diante do dólar torna os produtos nacionais mais competitivos no mercado externo, segundo o especialista em finanças, Filipe Pires, diretor de pós-graduação da Unianchieta. "Quando o exportador observa que o produto dele está mais barato lá fora por causa da alta do dólar, ele tem mais facilidade de concorrer com os produtores em nível mundial", considera.

O diretor de exportação do Ciesp, Marcio Ribeiro Julio, também enxerga essa competitividade positiva. "O país vem em uma recuperação muito forte e rápida e nossas empresas estão conseguindo competir no mercado mundial", diz.

Por outro lado, Julio ressalta a importância de retomar a discussão sobre a reforma tributária. "Ainda temos alguns entraves na exportação, como a alta taxa tributária do Brasil."

 


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