Jundiaí

Recém-formados entram na saúde em meio à crise

REFORÇO NA SAÚDE Novos profissionais precisam encarar a guerra contra a covid-19 na linha de frente


                  ALEXANDRE MARTINS
Juliana Correa Pena começou a trabalhar com pacientes com covid
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com a escassez de insumos hospitalares por conta da pandemia da covid-19, a mão de obra não fica para trás. Profissionais da saúde são bem mais demandados no momento e até os recém-formados precisam encarar a pior crise sanitária do século até agora.

Segundo a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), a contratação de profissionais qualificados é um dos desafios enfrentados desde março de 2020. Neste período, foram contratados 176 profissionais da saúde para trabalho temporário, 10% a mais do que havia antes.

No Hospital São Vicente, referência para o tratamento da covid-19 em Jundiaí, o corpo clínico aumentou 16,46% desde o início do ano passado. E hoje, 48% dos profissionais do hospital atuam na linha de frente da pandemia. São colaboradores assistenciais, profissionais de áreas de apoio e funcionários de serviços externos.

DESAFIOS

Uma das novas contratadas do São Vicente, a enfermeira recém-formada Juliana Correa Pena conta dos aprendizados e desafios do dia a dia. "É o meu primeiro emprego e há um sentimento de gratidão pela formação, mas também assusta. A gente não sabia o que podia acontecer, a covid é uma doença nova e a gente precisa estar sempre alerta, muitos profissionais ficaram doentes, pacientes que evoluem muito rápido para o estado grave. É uma questão emocional também", diz ela sobre o aprendizado prático que tem desde abril, quando começou a atuar.
Ela destaca que, por ser uma doença nova, muitas coisas relacionadas à covid-19 não foram ensinadas na faculdade. "O paciente com covid entra em estado crítico muito rápido e na faculdade a gente não via tanto isso. Na prática, a gente precisou aprender em dias essa desenvoltura que a gente costuma pegar com o tempo."

De todo o susto, porém, Juliana tem gratidão de aprender o que gosta. "Escolhi ser enfermeira porque minha mãe teve câncer. Sempre quis ser profissional da saúde e, nessa pandemia, a gente precisou atender a essa demanda, a população precisava. Ainda não é uma missão cumprida, mas estou dando o meu melhor."

Auxiliar de enfermagem, Vitoria Oliveira também começou a atuar recentemente, em janeiro. "Foi muito difícil, desafiador. Tive que aprender na correria. A pandemia é muito diferente do que foi abordado no estágio, mas aprendi muitas coisas, é gratificante poder ajudar os pacientes neste momento", conta.

Ela diz que a prática do trabalho a assustou no início. "Era algo muito recorrente o paciente piorar e ir a óbito, não estava acostumada e foi difícil aprender a lidar com isso. Fazer tudo pelo paciente e mesmo assim ele ir a óbito. Isso acontece, mas é complicado."

No entanto, também houve aprendizado e bagagem para a profissão. "Aprender a cuidar de pacientes complexos foi um ponto positivo, porque, sabendo atender pacientes complexos, você se prepara para atender os menos complexos também. Não esperava o emprego tão rápido e foi gratificante poder aprender", destaca.

MERCADO

Segundo a UGPS, as áreas com mais dificuldade em encontrar profissionais são médicos de atenção primária e equipes de enfermagem e fisioterapeutas. Desde o início da pandemia, já foram abertos 28 editais de processos seletivos para temporários e há um concurso em andamento para a seleção de médicos, porém, em virtude da pandemia, a realização da prova foi remarcada por duas vezes.

No São Vicente não é diferente. Por nota, o hospital diz que, assim como todos os centros de saúde do país, também encontra dificuldades na contratação de novos profissionais. O maior desafio é encontrar mão de obra qualificada.

Por isso, o hospital faz treinamento de qualificação dos profissionais que já atuam na unidade e que ingressaram na empresa recentemente, para que saibam atuar em diferentes áreas, inclusive com a covid.


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